Matthew Brennan repete e João Almeida afunda na Vuelta
🖋️ António Vieira Pacheco · 📅 26 agosto 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️3 min · 🌱EMM
A primeira soube tão bem que teve de repetir. Concluída a quinta etapa, a Volta a Espanha continua com apenas dois vencedores: Matthew Brennan voltou a triunfar e igualou Tadej Pogačar (UAE Emirates), depois da terceira tirada ter sido anulada.
Aos 21 anos, o britânico voltou a mostrar toda a sua potência ao sprint, coroando mais uma exibição dominante da sua equipa. Brennan bateu Jorrdi Meeus (Red Bull-BORA-hansgrohe) e Alessandro Romele (Astana) na chegada a Roquetes.
Mas, por trás da vitória de Brennan, há uma história bem mais preocupante para o ciclismo português.
João Almeida voltou a afundar. Enquanto a UAE Emirates controlava o ritmo na principal dificuldade do percurso, o Puerto de Pauls, uma subida de 3,9 quilómetros a 6,6%, o português perdeu contacto e ficou irremediavelmente para trás. Terminou a etapa na 147.ª posição, a 8 minutos e 35 segundos do vencedor.
E aqui surge a pergunta que a equipa terá de responder: se Almeida não estava bem, por que razão a UAE Emirates o levou para esta Vuelta?
Mais ainda: se fosse Pogačar a estar nesta situação, a equipa faria o mesmo?
É uma questão incómoda, mas inevitável. Uma equipa como a UAE Emirates não entra numa grande volta sem avaliar previamente o estado físico dos seus líderes. Se Almeida já apresentava sinais de que não estava em condições de disputar o top 10, então a estratégia montada para a Vuelta começa a parecer difícil de compreender.
E os números são cada vez mais cruéis.
Almeida caiu para o 124.º lugar da classificação geral e está agora a 32 minutos e 16 segundos de Pogačar. Numa corrida em que se esperava que pudesse lutar pelos primeiros lugares, o português está praticamente fora da equação competitiva.
A questão deixou de ser apenas saber se Almeida consegue recuperar.
É saber até onde consegue recuperar — e se conseguirá nem sequer chegar ao final da Vuelta em condições de lutar por algo relevante.
Os indicadores desta primeira semana são péssimos: perda de contacto numa subida que a sua equipa controlava, quase nove minutos cedidos numa única etapa e um atraso superior à meia hora para o camisola vermelha. Não é uma simples má jornada. É uma sequência que começa a desenhar um cenário muito preocupante.
Enquanto isso, Pogacar continua confortável na liderança e a UAE Emirates mantém o seu homem mais forte no topo da corrida.
Já Ivo Oliveira também teve um dia para esquecer. O português terminou a etapa na última posição e ocupa agora o 161.º lugar da geral, a 37 minutos e 26 segundos do esloveno.
Brennan voltou a sorrir. Pogacar continua a mandar. E João Almeida está cada vez mais longe da Vuelta que tinha imaginado.
Se isto é apenas um mau momento, Almeida terá de começar a demonstrá-lo rapidamente. Caso contrário, os sinais apontam para uma pergunta ainda mais dura: conseguirá mesmo chegar ao fim desta Vuelta?
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