Avançar para o conteúdo principal

Destaque do Universo do Ciclismo e dos Desportos de Raquetes

Iúri Leitão revela: «Foi uma das semanas mais duras da minha carreira»

   António Vieira Pacheco 17 de outubro de 2026 DIREITOS RESERVADOS — EMM Leitura estimada: 3 min   O português voltou a conquistar o título mundial de Omnium, em Xangai, e destacou a importância de manter a calma numa competição marcada pela pressão e pelo equilíbrio entre os adversários. Iúri Leitão voltou a colocar o ciclismo português no topo do mundo. O corredor de Viana do Castelo conquistou este sábado o título mundial de Omnium, nos Campeonatos do Mundo de ciclismo de pista, disputados em Xangai, na China, repetindo o feito alcançado em 2023, em Glasgow. O português terminou a competição com 143 pontos, superando o belga Fabio Van den Bossche, segundo classificado, com 129, e o alemão Tim Torn Teutenberg, terceiro, com 115. A conquista teve um significado especial para o ciclista de 28 anos, que não escondeu as dificuldades sentidas nos últimos dias. No final da prova, em declarações aos canais de comunicação da União Ciclista Internacional (UCI), Iúri Lei...

Ana Caramelo: “Enquanto sentir que posso evoluir, vou continuar a estabelecer novos desafios”

  🖋️ António Vieira Pacheco · 📅 17 julho 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️ 5 min · 🌱EMM

Ana Caramelo é campeã nacional de contrarrelógio.


No ciclismo, o cronómetro não permite esconder fragilidades. Cada segundo conquista-se à força das pernas, da cabeça e da determinação. Ana Caramelo tem feito dessa exigência uma de suas maiores virtudes.

Natural de Caria, no concelho de Belmonte, a ciclista da Matos Mobility-Flexaco-IHS é uma das principais especialistas portuguesas em contrarrelógio. Campeã nacional da disciplina em 2023 e 2026, venceu também este ano a Taça de Portugal Feminina. Internacional portuguesa, já representou Portugal em campeonatos do mundo, consolidando um percurso marcado pela regularidade e evolução.

Em entrevista exclusiva ao Entrar no Mundo das Modalidades, Ana Caramelo faz o balanço da temporada, explica o trabalho que está por trás das vitórias, analisa o crescimento do ciclismo feminino em Portugal e revela as metas que continuam a impulsionar a sua carreira.


PERFIL RESUMIDO

Nome

Ana Caramelo

Data de nascimento

26 de julho de 1995

Nacionalidade 

Portuguesa

Equipa 

Matos Mobility Flexaco IHS

Especialidade

Contrarrelógio. É a disciplina na qual apresenta os melhores resultados

Entrar no Mundo das Modalidades — O que significou conquistar o título de campeã nacional de contrarrelógio?

Ana Caramelo — Conquistar o título tem sempre um significado especial. É o reconhecimento de muitas horas de treino, de sacrifício e de todo o trabalho desenvolvido longe das competições. O contrarrelógio é uma disciplina muito exigente, em que estamos sozinhos perante o relógio e não há espaço para erros. Vestir a camisola de Campeã Nacional é um orgulho e uma recompensa por todo o trabalho desenvolvido ao longo dos últimos anos.

EMM — Qual foi a chave para o sucesso na prova?

AC — A preparação é fundamental. Trabalhei especificamente para esta prova, preparando-me a nível psicológico, físico e técnico. Conhecer o percurso e gerir o esforço do início ao fim.

EMM — Como avalia a época até ao momento?

AC — Até ao momento faço um balanço muito positivo da minha temporada. Tenho conseguido ser consistente ao longo da época, aliás, sempre fui muito consistente desde que iniciei o ciclismo. Conquistar a Taça de Portugal, ser a melhor portuguesa na Volta a Portugal são resultados que me deixam satisfeita. Sei que há sempre aspetos a melhorar, sei que ainda consigo progredir mais na modalidade do ciclismo, e sinto que o trabalho dá os seus frutos.

EMM — Ser a melhor portuguesa na Volta a Portugal 2026 representa uma motivação extra?

AC — Sem dúvida. A Volta a Portugal é uma das provas mais importantes do nosso calendário e terminar como melhor portuguesa é motivo de orgulho. Dá confiança e mostra que estou no caminho certo, mas também aumenta a responsabilidade e a motivação para continuar a evoluir.

EMM — Como se prepara para uma prova de contrarrelógio, tanto fisicamente quanto mentalmente?

AC — A preparação começa muito antes da prova. Existe um trabalho específico em treino para desenvolver potência, resistência e posição na bicicleta. Também dedico tempo à análise do percurso e dos detalhes técnicos. Mentalmente, procuro visualizar a corrida, imaginar diferentes cenários e manter o foco apenas no que consigo controlar. No contrarrelógio, a concentração é tão importante quanto a condição física.

Ana Caramelo abre o livro ao EMM.

Ambição Internacional

EMM — Quais são os principais objetivos para o restante da temporada?

AC — Quero continuar a evoluir e a manter a consistência nas competições a que vou. Sempre que alinhar à partida, o objetivo passa por dar o meu melhor e lutar pelos melhores resultados possíveis. Também quero continuar a representar da melhor forma a minha equipa. Como o calendário feminino em Portugal é muito curto, o mais provável é agora fazer algumas provas de gravel e, quem sabe, participar na Taça de Ciclocrosse.

EMM — Representou Portugal no Campeonato do Mundo. Que impacto teve essa experiência na sua evolução como ciclista?

AC — Representar Portugal num Campeonato do Mundo foi um enorme orgulho e uma experiência que vou guardar para sempre. No entanto, também me mostrou que, para competir ao mais alto nível, é fundamental haver um trabalho de preparação prévio. No meu caso, a convocatória surgiu muito perto da prova, o que não me permitiu planear a preparação de forma adequada. Penso que, sempre que possível, as atletas devem ser informadas atempadamente, para que possam preparar-se em conjunto com os seus treinadores e chegar às competições internacionais nas melhores condições. Acredito que esse tipo de planeamento beneficia não só as atletas, mas também a própria seleção nacional.

O futuro

EMM — Sente que o ciclismo feminino português tem vindo a ganhar maior reconhecimento?

AC — Acredito que o ciclismo feminino tem vindo a crescer e a conquistar algum reconhecimento, mas ainda está longe da valorização que merece.Felizmente, o interesse pela modalidade tem vindo a aumentar e são cada vez mais as pessoas que acompanham o ciclismo feminino. Ainda assim, há muito trabalho pela frente.

EMM — O que ainda falta fazer para o ciclismo feminino ter maior visibilidade em Portugal?

AC — É preciso apostar mais na modalidade. Um dos principais problemas continua a ser o calendário, que é demasiado curto. Se queremos que o ciclismo feminino evolua, temos de dar às atletas mais oportunidades para competir. Além disso, é importante aumentar a cobertura mediática, captar mais patrocinadores e criar condições para que mais equipas possam crescer de forma sustentável.

EMM — Qual a mensagem que deixaria às jovens que sonham em seguir uma carreira no ciclismo?

AC — Que nunca deixem de acreditar nelas próprias. O caminho nem sempre é fácil e haverá momentos difíceis, mas, com trabalho, dedicação e persistência, é possível alcançar objetivos que, à partida, parecem distantes. Acima de tudo, nunca percam o prazer de andar de bicicleta.

Sempre a evoluir

EMM — O que ainda falta conquistar para sentir que cumpriu os seus objetivos na modalidade?

AC — Ainda tenho muitos objetivos por cumprir. Gostava de continuar a evoluir, representar Portugal mais vezes em grandes competições internacionais e continuar a conquistar títulos nacionais. Enquanto sentir que posso evoluir, vou continuar a estabelecer novos desafios.

EMM — Se pudesse escolher qualquer ciclista da história para disputar um contrarrelógio lado a lado, quem escolheria?

AC — Escolheria a Marlen Reusser. Sempre admirei a forma como aborda o contrarrelógio, a sua capacidade de gerir o esforço e a consistência que demonstra ao mais alto nível. É uma atleta que alia uma enorme potência a uma grande inteligência tática e seria um privilégio poder disputar um contrarrelógio ao lado dela. Tenho a certeza de que seria uma experiência única e uma oportunidade de aprender muito.

A poucos dias de completar 31 anos, Ana Caramelo continua a afirmar-se como uma das principais referências do contrarrelógio em Portugal. Com dois títulos nacionais, uma Taça de Portugal e presença no Mundial, a ciclista mantém intacta a ambição de continuar a evoluir e a representar o país ao mais alto nível. Paralelamente, deixa um apelo claro em defesa do crescimento do ciclismo feminino e defende um calendário mais alargado, maior investimento e melhores condições para que as próximas gerações tenham mais oportunidades de competir e evoluir.

Comentários