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Tadej Pogačar quer renovar, mas, pelos vistos, não basta assinar!
🖋️ António Vieira Pacheco · 📅 19 agosto 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️3 min · 🌱EMM
Até 2031,
talvez. Mas o melhor ciclista do mundo parece querer discutir mais do que um salário anual.
Tadej Pogačar já tem contrato
com a UAE Emirates até 2030. O que, para um ciclista normal, seria motivo
suficiente para deixar os advogados em paz por uns bons anos.
Mas Pogačar não é um ciclista
qualquer.
Segundo o jornalista Daniel
Benson, a renovação por mais uma temporada, até 2031, está bem encaminhada.
Todavia, há um detalhe: o esloveno parece ter algumas condições.
Não uma.
Nem duas.
Três ou quatro “cláusulas
especiais”.
E é aqui que a conversa começa
a ficar interessante.
“Tadej está feliz, mas há três ou quatro cláusulas especiais. Por enquanto, falamos de 2031.”
A frase é do seu agente, Alex
Carera, citado por Benson.
Traduzindo do jurídico para
português corrente: Pogačar está feliz nos UAE, mas felicidade não
significa assinar de olhos fechados.
E quem pode censurá-lo?
Afinal, falamos do homem que
ganhou cinco Tour de France, transformou ataques impossíveis numa espécie de
rotina e fez da UAE uma máquina de colecionar vitórias.
Um jato e uma cadeira à mesa
As exigências apontadas são, no mínimo, curiosas.
Um jato particular.
Maior controlo sobre os
direitos de imagem.
E voz ativa no planeamento das
corridas dos companheiros de equipa.
Ou seja, Pogačar não quer
apenas continuar nos UAE.
Quer ter a chave da casa.
O jato particular é a parte
que naturalmente chama mais atenção. Porque nada diz “estou contente
com o contrato” como solicitar um avião.
Mas talvez seja a exigência
menos interessante.
Ter influência sobre os
direitos de imagem é uma questão de poder. Ter uma palavra no calendário dos
colegas de equipa é outra coisa: significa que Pogačar quer participar mais
diretamente na construção da estrutura à sua volta.
Não basta saber quem vai
trabalhar para ele.
Pode querer ajudar a
decidir onde, quando e como esses ciclistas se preparam para o fazer.
E isto muda bastante a
conversa.
Quando o chefe também é o corredor
Durante anos, o ciclismo viveu
com uma hierarquia relativamente simples.
A equipa decide.
O director manda.
O ciclista pedala.
Pogačar, aparentemente, pode
estar a preparar um pequeno ajuste ao modelo.
Porque há uma diferença entre
ser a estrela de uma equipa e ser a razão pela qual uma parte significativa da
equipa existe.
A UAE tem João Almeida,
António Morgado, os irmãos Rui e Ivo Oliveira e uma colecção quase absurda de
talento. Contudo, há uma realidade impossível de ignorar: quando Pogačar
está numa corrida, tudo se organiza ao seu redor.
E talvez o esloveno queira que
isso seja ainda mais claro fora da estrada.
Não estamos a falar apenas de
dinheiro. Aliás, os valores que circulam — cerca de oito milhões de euros por
época — dificilmente serão por falta de uma boa conta bancária; Pogačar
estará a discutir o contrato.
O dinheiro compra muita coisa.
Mas, aparentemente, não
compra automaticamente poder de decisão.
Até 2031? Primeiro, convém querer continuar
Há ainda outra questão.
Durante algum tempo, falou-se
na possibilidade de Pogačar terminar a carreira relativamente cedo, depois dos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028.
Se renovar até 2031, a
história muda.
Ou, pelo menos, fica adiada.
Porque um contrato até 2031
seria uma declaração importante: Pogačar não estaria apenas a prolongar uma
relação com a UAE. Estaria a dizer que ainda vê estrada suficiente à frente
para continuar.
Embora, convenhamos, no
ciclismo moderno um contrato longo tenha a duração aproximada de uma boa
intenção. Tudo depende de quem ganha, quem paga e quem deixa de estar
satisfeito.
Mas Pogačar tem uma vantagem
que poucos ciclistas possuem.
Não precisa de
procurar alguém que lhe faça um favor.
A UAE precisa dele tanto
quanto ele precisa da UAE.
E talvez seja precisamente por
isso que estas negociações não sejam apenas uma formalidade.
A reunião antes da Vuelta
Segundo as informações
divulgadas, haverá uma reunião entre as partes, envolvendo o director Mauro
Gianetti e o presidente da equipa, Matar Suhail Al Yabhouni Al Dhaheri.
E o momento não podia ser mais
interessante.
A notícia surge poucos dias
antes da Vuelta a Espanha, onde Pogačar regressa sete temporadas depois.
Chega como favorito.
Com João Almeida e Ivo
Oliveira ao seu lado.
E, aparentemente, com mais uma
corrida para gerir.
Não na estrada.
À mesa das negociações.
Pogačar pode entrar na Vuelta
para atacar as montanhas, esmagar os adversários e procurar acrescentar mais uma
Grande Volta no currículo.
Mas antes disso, há cláusulas
para serem discutidas,
Três ou quatro.
E talvez seja essa a parte
mais reveladora desta história.
Porque durante anos, o ciclismo
perguntou quanto valia Pogačar.
Agora, a pergunta parece ser
outra:
- Quanto poder a UAE está disposta a entregar-lhe?
Porque salário, ao que tudo
indica, já não chega.
Pogačar quer continuar.
Mas, pelos vistos, quer
continuar à sua maneira.
E quando se é o homem que
vence quase tudo, talvez a negociação comece precisamente aí.
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