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João Almeida: «Tive um momento mais difícil recentemente»

  🖋️ António Vieira Pacheco · 📅 21 agosto 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️3 min · 🌱EMM 

João Almeida muda um pouco o discurso na véspera da Volta a Espanha.

 

Primeiro sobreviver e depois fazer contas.

Na véspera de arrancar para três semanas de Vuelta, João Almeida continua sem vender ilusões. Após ter admitido que chega à corrida com «pouca confiança», o português voltou esta sexta-feira a recordar que os últimos tempos não foram propriamente um passeio de bicicleta.

«Espero chegar bem. Tive um momento mais difícil recentemente, mas estou aqui com vontade e vou dar tudo.»

A frase parece simples. Mas diz bastante.

O Bota Lume não chega à Vuelta proclamando que está na melhor forma da vida, nem a prometer um lugar no pódio ou a garantir que vai andar a discutir a classificação geral. Após um período complicado em termos físicos, prefere esperar, pedalar e perceber o que as pernas têm para dizer.

«Espero estar bem fisicamente, mas vamos observando no dia a dia. O importante é dar o meu melhor.»

Prudência? Sim. Falta de confiança? Talvez ainda alguma. Mas, sobretudo, é uma realidade que o português não parece disposto a maquilhar.

E qual seria um bom resultado?

A pergunta era inevitável.

Qual seria o resultado ideal para João Almeida nesta Vuelta?

A resposta foi curta, quase impossível de transformar numa previsão — e talvez essa tenha sido precisamente a ideia.

«Na verdade, não sei. Respondo quando terminar…»

Está dito.

Num ciclismo cada vez mais cheio de previsões, objetivos anunciados e contas feitas antes da corrida começar, Almeida decidiu fazer o contrário: primeiro corre-se a Vuelta. Depois, logo se vê.

E, convenhamos, após um ano marcado por problemas físicos, talvez seja mesmo a resposta mais sensata.

Porque três semanas podem transformar um corredor sem confiança num dos homens mais importantes da corrida. Ou podem confirmar se ainda falta qualquer coisa.

Almeida não quer antecipar o veredicto.

Vai esperar por Madrid.

A Vuelta não é o fim da temporada

Mas há uma coisa que Almeida confirmou sem a mínima hesitação: a temporada não acaba em Espanha.

O português quer estar no Mundial, em setembro, e no Europeu, em outubro. E a lista não fica por aí.

«Quero estar no Mundial, no Europeu, no Il Lombardia, e depois veremos se há mais alguma corrida.»

Ou seja, se a Vuelta servir para recuperar confiança e voltar a encontrar o nível que já demonstrou, o calendário continua carregado.

Mundial. Europeu. Lombardia.

Nada mau para alguém que ainda está a tentar perceber, dia após dia, como chegam as pernas à primeira Grande Volta da temporada.

«É um prazer trabalhar com Pogačar»

E, naturalmente, era impossível falar da UAE Emirates e da Vuelta sem referir o nome do esloveno Tadej Pogačar.

Almeida já tinha deixado claro que chega à corrida disposto a ajudar o esloveno a conquistar a única Grande Volta que ainda lhe falta. Esta sexta-feira voltou a mostrar o entusiasmo por fazer parte dessa missão.

«É um prazer trabalhar com Pogačar. Encanta-me fazer parte desta história dele; é algo que me entusiasma.»

A frase explica muito sobre o papel que Almeida terá nesta Vuelta.

Pogačar chega para tentar completar a trilogia das Grandes Voltas. Almeida chega depois de um período físico complicado, sem fazer promessas e sem sequer querer definir o que seria um bom resultado.

Mas isso não significa que tenha vindo à corrida para ser um mero espetador.

Porque uma Grande Volta não se decide numa conferência de imprensa. Nem pelas previsões feitas antes da primeira pedalada.

O ciclista natural das Caldas da Rainha resumiu tudo numa frase: «Respondo quando terminar...»

Agora falta descobrir qual será a resposta.

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