João Almeida: «Tive um momento mais difícil recentemente»
Primeiro
sobreviver e depois fazer contas.
Na véspera de arrancar para
três semanas de Vuelta, João Almeida continua sem vender ilusões. Após ter
admitido que chega à corrida com «pouca confiança», o português voltou esta
sexta-feira a recordar que os últimos tempos não foram propriamente um passeio
de bicicleta.
«Espero chegar bem. Tive um
momento mais difícil recentemente, mas estou aqui com vontade e vou dar tudo.»
A frase parece simples. Mas
diz bastante.
O Bota Lume não chega à
Vuelta proclamando que está na melhor forma da vida, nem a prometer um lugar no
pódio ou a garantir que vai andar a discutir a classificação geral. Após um
período complicado em termos físicos, prefere esperar, pedalar e perceber o que as
pernas têm para dizer.
«Espero estar bem fisicamente,
mas vamos observando no dia a dia. O importante é dar o meu melhor.»
Prudência? Sim. Falta de
confiança? Talvez ainda alguma. Mas, sobretudo, é uma realidade que o português
não parece disposto a maquilhar.
E qual seria um bom resultado?
A pergunta era inevitável.
Qual seria o resultado ideal
para João Almeida nesta Vuelta?
A resposta foi curta, quase
impossível de transformar numa previsão — e talvez essa tenha sido precisamente
a ideia.
«Na verdade, não sei. Respondo
quando terminar…»
Está dito.
Num ciclismo cada vez mais
cheio de previsões, objetivos anunciados e contas feitas antes da corrida
começar, Almeida decidiu fazer o contrário: primeiro corre-se a Vuelta.
Depois, logo se vê.
E, convenhamos, após um ano
marcado por problemas físicos, talvez seja mesmo a resposta mais sensata.
Porque três semanas podem
transformar um corredor sem confiança num dos homens mais importantes da
corrida. Ou podem confirmar se ainda falta qualquer coisa.
Almeida não quer antecipar o
veredicto.
Vai esperar por Madrid.
A Vuelta não é o fim da temporada
Mas há uma coisa que Almeida
confirmou sem a mínima hesitação: a temporada não acaba em Espanha.
O português quer estar no
Mundial, em setembro, e no Europeu, em outubro. E a lista não fica por aí.
«Quero estar no Mundial, no
Europeu, no Il Lombardia, e depois veremos se há mais alguma corrida.»
Ou seja, se a Vuelta servir
para recuperar confiança e voltar a encontrar o nível que já demonstrou, o
calendário continua carregado.
Mundial. Europeu. Lombardia.
Nada mau para alguém que ainda
está a tentar perceber, dia após dia, como chegam as pernas à primeira Grande
Volta da temporada.
«É um prazer trabalhar com Pogačar»
E, naturalmente, era
impossível falar da UAE Emirates e da Vuelta sem referir o nome do esloveno Tadej Pogačar.
Almeida já tinha deixado claro
que chega à corrida disposto a ajudar o esloveno a conquistar a única Grande
Volta que ainda lhe falta. Esta sexta-feira voltou a mostrar o entusiasmo por
fazer parte dessa missão.
«É um prazer trabalhar com
Pogačar. Encanta-me fazer parte desta história dele; é algo que me entusiasma.»
A frase explica muito sobre o
papel que Almeida terá nesta Vuelta.
Pogačar chega para tentar
completar a trilogia das Grandes Voltas. Almeida chega depois de um período
físico complicado, sem fazer promessas e sem sequer querer definir o que seria
um bom resultado.
Mas isso não significa que
tenha vindo à corrida para ser um mero espetador.
Porque uma Grande Volta não se
decide numa conferência de imprensa. Nem pelas previsões feitas antes da
primeira pedalada.
O ciclista natural das Caldas
da Rainha resumiu tudo numa frase: «Respondo quando terminar...»
Agora falta descobrir qual
será a resposta.
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