Avançar para o conteúdo principal

Ténis de Mesa

 Por António Vieira Pacheco 

Em Portugal, onde as ondas do Atlântico encontram a terra firme e as ruas de paralelepípedos guardam segredos de séculos, há uma modalidade que luta para ser ouvida e escrita. O ténis de mesa, com a sua dança rápida e precisa, parece não encontrar eco nas bancadas vazias e nas páginas dos jornais.

As mesas, que deveriam ser palcos de batalhas épicas, muitas vezes são testemunhas silenciosas de jogos que mereciam mais aplausos. 

A culpa, dizem alguns, recai sobre os dirigentes, que talvez não tenham conseguido transformar a paixão em espetáculo, em algo que cative e atraia multidões. 

Outros apontam para a comunicação social, que, na sua busca incessante por histórias de maior audiência, esquece-se de dar o devido espaço a este desporto de reflexos e estratégia.

 Os jornais, quando mencionam o ténis de mesa, limitam-se a breves notícias de algumas provas, sem a profundidade que a modalidade merece.

Mas será justo culpar apenas uns ou outros? Talvez a verdade resida num emaranhado de responsabilidades compartilhadas.

Os dirigentes, sim, poderiam ser mais ousados, mais inovadores, mais disponíveis, mais próximos do povo. A comunicação social, por sua vez, poderia redescobrir a beleza das histórias que se desenrolam nas mesas, dando voz aos heróis anónimos que ali batalham. 

E os espetadores não seríamos também parte dessa equação? Talvez tenham deixado levar pela maré de distrações modernas, esquecendo-nos do prazer simples de uma tarde a assistir a um jogo, do som da bola a saltar, do olhar concentrado dos jogadores.

Os jornalistas trabalham para o momento ou para o dia seguinte, e os intervenientes, se não estão disponíveis para dialogar, como pretendem que a modalidade seja divulgada? Contratem assessores, que sejam a ponte entre dirigentes e atletas com as suas declarações para o público.

Em última análise, a solução talvez esteja num esforço conjunto, onde cada um, dirigentes, jornalistas e adeptos, redescubra o amor pelo ténis de mesa e trabalhe para devolver-lhe a visibilidade. 

Afinal, o ténis de mesa é mais do que um jogo; é uma celebração da precisão e da rapidez, uma dança de emoções que merece ser vivida plenamente.

O Passado Vivo: Quando o Ténis de Mesa Era Para Todos

Hoje em dia, muitos podem preferir o ténis de mesa evoluído, com equipamentos modernos e um nível de competição mais alto, mas há quem sinta saudades da simplicidade das partidas de antigamente. 

Quando os carolas eram os grandes responsáveis, jogando por paixão e sem as pressões do espetáculo. 

Era um tempo em que o ténis de mesa estava nas ruas, nas praças e nas casas, mais ligado ao povo, mais genuíno. 

Talvez a evolução tenha trazido maiores desafios, mas também mais oportunidades. 

O equilíbrio entre inovação e tradição pode ser o caminho ideal para o desporto ganhar o lugar que merece no coração dos portugueses.

A questão, então, coloca-se: preferimos o brilho da modernidade, com as suas luzes artificiais e ritmos acelerados, ou a pureza dos dias passados, onde o jogo era mais do que uma competição, era um reencontro consigo mesmo e com os outros? 

Entre a precisão das raquetes tecnológicas e a alma dos jogos nas praças, qual é o verdadeiro espírito do ténis de mesa? 

Na encruzilhada entre o antigo e o novo, talvez a resposta ressoe no silêncio das mesas vazias, aguardando, como sempre, o toque das mãos e o som da bola a saltar, seja no palco de uma grande competição ou no recanto de uma velha casa.

Entre o Passado e o Futuro, o Coração da Modalidade

O ténis de mesa, na sua essência, é mais do que um simples jogo. Ele é uma celebração de precisão, agilidade e estratégia, onde cada movimento conta e cada ponto conquistado é uma emoção única. 

Seja nas grandes competições ou nas partidas informais, o que torna este desporto especial é a conexão genuína entre os jogadores, o movimento e a mente, criando momentos intensos e inesquecíveis.

O futuro da modalidade não precisa escolher entre a modernidade e a nostalgia, mas sim integrar o melhor de ambos. 

A inovação deve ser bem-vinda, mas sem perder a alma do jogo, a simplicidade que cativa os corações e cria cumplicidade entre as pessoas. 

O verdadeiro espírito do ténis de mesa está no equilíbrio entre a precisão técnica e a paixão autêntica que ele desperta.

É esse equilíbrio que permitirá que o ténis de mesa recupere o seu lugar no coração dos portugueses, tanto no palco das grandes competições como nas praças e nas casas, onde o desporto continua a unir e a emocionar.


Comentários

Mensagens populares deste blogue

André Carreiras: precisão e disciplina nas mesas e na vida

🖋️ Por:   António Vieira Pacheco 📸   Créditos:  Direitos Reservados ⏱️  Tempo de leitura: 5  minutos André tem percurso exemplar nos estudos, conciliando com o desporto. Influência de Viana do Castelo e do mar André Carreiras, 20 anos, natural de Viana do Castelo, atleta de ténis de mesa, carrega consigo a harmonia que se encontra entre o mar e o vento da sua cidade natal. Desde cedo, a ligação com o oceano moldou o seu carácter e a sua forma de encarar desafios. O contacto diário com o mar transmitiu-lhe paciência, constância e resiliência. Essas qualidades mostraram-se essenciais tanto no desporto quanto nos estudos. “Viana do Castelo deu-me um certo equilíbrio entre humildade e ambição. É uma cidade calma, onde o trabalho conta mais do que o barulho. No ténis de mesa e nos estudos isso traduziu-se em disciplina e foco desde cedo”, sublinha.  Crescer junto ao oceano ajudou-o a compreender a importância da persistência. “O oceano ensina paciência, r...

Diogo Glória: “Não devemos tentar vencer o medo, mas usá-lo como alavanca”

  🖋️ Por:   António Vieira Pacheco 📸   Créditos:  Direitos Reservados/Federação Portuguesa de Badminton ⏱️  Tempo de leitura:  6   minutos Diogo Glória adora estar no recinto de jogo. O percurso até ao recinto Na véspera do Campeonato Nacional de Badminton absoluto, onde é um dos principais candidatos ao título,  Diogo Glória  recebeu o   Entrar no Mundo das Modalidades  para uma conversa sobre o jogo, a mente e os sonhos que o movem. Com somente 23 anos, o atleta natural de Peniche representa a equipa algarvia CHE Lagoense e concilia o desporto de alta competição com o curso de medicina. Entre raquetes, volantes e horas de treino — visíveis e invisíveis —, o jovem atleta partilha a sua visão sobre o jogo, a mente e os sonhos que o movem. Entrar no Mundo das Modalidades (EMM)   — Como o badminton entrou na sua vida — foi amor à primeira raquete ou uma paixão que cresceu com o tempo? Diogo ...

FPT continua em festa

Por Manuel Pérez Créditos: FPT. Futuro da Federação de sorriso dourado. A Federação Portuguesa de Ténis viu ser ontem saciada por maioria e talvez com um louvor à confiança, a AG virada para a apresentação, discussão e votação do Relatório e Contas de 2024. Juntaram-se todos os membros dos órgãos sociais, os vários delegados das 13 associações regionais, mais os dos treinadores e dos jogadores. Quiçá renascida das cinzas a dos árbitros, também, segundo informação local. Tudo indica que o novo CEO/secretário-geral tenha assistido ao concílio. Uma honraria histórica, tratando-se de um vice-recém-eleito-presidente do Comité Olímpico Português e logo na primeira AG em Ponta Delgada. Sem a habitual presença de jornalistas nas reuniões magnas, presumo que a parte que interessava a todos(as) era confirmar a subida de cotação dos ovos de ouro, depois de há ano o RC'2023 ser aprovado, graças a 1,6 milhões de euros de resultado líquido e 8,8 milhões de euros de situação líquida. Também a...