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Destaque do Universo do Ciclismo e dos Desportos de Raquetes

Del Toro recupera a liderança e Morgado dá tudo pela UAE na Alemanha

  🖋️ António Vieira Pacheco · 📅 22 agosto 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️2 min · 🌱EMM  O mexicano aproveita o trabalho do português, recupera a camisola de líder e ainda deixa a vitória da etapa para Giulio Pellizzari. Vieram as montanhas e Isaac del Toro voltou a aparecer . O mexicano da UAE Emirates recuperou a liderança da Volta à Alemanha numa etapa em que não precisou de levantar os braços para ser o grande vencedor do dia. Com António Morgado a trabalhar para a equipa, Del Toro controlou a corrida, ganhou terreno na classificação e entregou a vitória ao italiano Giulio Pellizzari (Red Bull) . O mexicano, que terminou o Tour'2026 no 3.º lugar, chega ao derradeiro dia da prova com 52 segundos de vantagem sobre Louis Barré (Visma). A história da etapa também passa por António Morgado. O português assumiu o trabalho para o líder dos UAE Emirates e auxiliou a equipa a controlar a corrida nas montanhas. Pagou naturalmente o esforço, mas não desapareceu quando chegou a h...

João Almeida: «Só dependo mesmo das minhas pernas»

🖋️ António Vieira Pacheco · 📅 22 agosto 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️5 min · 🌱EMM 

João Almeida abre o coração!

O português recuperou de um vírus, perdeu confiança, caiu na Polónia e chega à Vuelta sem saber se vai lutar pela geral. Mas João Almeida não se sente bloqueado por Pogačar, Del Toro ou pelo passado recente: «Só dependo mesmo das minhas pernas».

Há corredores que chegam a uma Grande Volta com promessas. João Almeida chega com uma espécie de aviso: não lhe solicitem certezas antes de as pernas falarem.

É já este sábado, 22 de agosto, que a Vuelta começa. Para o português, será a estreia em Grandes Voltas em 2026, após meses em que um vírus o afastou da versão a que o ciclismo se habituou.

Pelo caminho houve uma preparação longe do ideal, uma Volta à Polónia que não correu como esperava, uma queda, um joelho esquerdo ligado e uma confiança que o próprio admite ter ficado pelo caminho.

Ainda assim, Almeida está no Mónaco.

E está na Vuelta.

Não para prometer uma posição, não para garantir um pódio e nem sequer para dizer que vai discutir a classificação geral.

Está para descobrir.

E, sobretudo, para pedalar.

João Almeida não tentou esconder o que sente.

«Tive uma semana dura na semana transata, mas estamos aqui, à partida, para dar o nosso melhor. É claro que chego com pouca confiança, não só em termos de resultados, mas também porque a preparação não foi o ideal.»

A Volta à Polónia deveria ter sido um teste importante na preparação para a Vuelta. Ritmo competitivo, intensidade de corrida e, acima de tudo, uma oportunidade de testar as pernas antes da primeira Grande Volta da temporada.

Mas não aconteceu como estava previsto.

«Não conseguir fazer a Volta à Polónia como queria teria sido muito importante para ganhar ritmo de competição e ter um estímulo diferente do treino, além de testar as pernas.»

É aqui que aparece o verdadeiro problema.

Não é apenas uma questão de resultados.

É a dúvida.

Após meses difíceis, o português chega à Vuelta sem saber exatamente onde está. Pode treinar, pode sentir-se bem, pode acreditar no trabalho feito — mas uma corrida de bicicleta tem uma maneira particularmente cruel de responder a todas as perguntas.

Ainda assim, Almeida recusa-se a entregar-se à incerteza.

«Mas podemos sempre estar confiantes no nosso talento.»

E talvez seja essa a frase mais importante de todas.

Porque a confiança pode ter desaparecido temporariamente.

O talento, esse, João Almeida sabe que continua lá.

Começar mal não significa acabar mal

Há, porém, uma característica que joga a favor do português: Almeida é um corredor de três semanas.

E ele próprio acredita que isso pode fazer a diferença.

«Sendo um voltista, espero ir melhorando de dia para dia. Mesmo que comece mal, espero continuar todos os dias e chegar à última semana melhor do que comecei.»

É uma declaração que merece atenção.

Porque João Almeida não está a pensar apenas na primeira etapa, nos primeiros ataques ou nos primeiros dias de montanha.

Está a pensar na última semana.

E quem conhece o português sabe que isso não é um pormenor.

Em 2025, terminou a Vuelta no segundo lugar da classificação geral e ainda conquistou uma etapa. Agora chega com menos certezas, menos ritmo competitivo e uma missão diferente no interior da UAE Emirates.

Mas três semanas são três semanas.

E o português parece disposto a esperar até ao fim para descobrir o que ainda consegue fazer.

«Ele é quase uma garantia»

O grande líder da UAE Emirates será Tadej Pogačar.

E, curiosamente, João Almeida vê nisso uma enorme vantagem.

«Sim, sem dúvida. Ele é quase uma garantia. As perguntas para ele já nem são se vai ganhar, mas se vai ganhar por muito, ou por pouco, ou onde vai atacar...»

É uma forma bastante clara de explicar o fenómeno Pogačar.

Quando o esloveno aparece numa corrida, a discussão muda. Já não é simplesmente saber se vai ganhar. A questão passa a ser como vai ganhar.

E para Almeida, ter Pogačar na equipa significa uma situação fundamental: tranquilidade.

«Ter o Tadej dá uma tranquilidade enorme a toda a equipa e tira a pressão de cima de tudo.»

O português não terá de carregar sozinho uma equipa às costas.

Não terá de se sentir obrigado a defender a liderança desde o primeiro dia.

Pode ajudar a observar-se e perceber o que as pernas permitem.

Mas isso não significa que esteja condenado a ser apenas um gregário de luxo.

A pergunta sobre um eventual pódio surgiu dos jornalistas.

E o nativo das Caldas da Rainha respondeu à sua maneira.

«Só dependo mesmo das minhas pernas!»

Curto.

Direto.

E com uma mensagem clara.

Pogačar não o bloqueia. A UAE Emirates não o bloqueia. Isaac del Toro não o bloqueia.

No final, será o corpo a decidir.

Almeida elogiou ainda o líder esloveno de forma particularmente forte.

«Ele é um corredor muito simpático em todos os aspetos e extremamente generoso. Gosta de recompensar qualquer colega de equipa pelo trabalho que fazemos por ele.»

E foi ainda mais longe.

«Penso que nunca vimos, no passado, campeões como ele a fazer pelos colegas o que ele faz. É mesmo muito raro ver isso no ciclismo.»

Pogačar, garante Almeida, não é apenas o corredor que ganha quase tudo.

É também um líder que recompensa.

E isso, para quem vai passar três semanas a trabalhar numa equipa que quer colocar o esloveno no topo do pódio em Madrid, não é um detalhe.

Geral? Etapas? «Vou dia a dia»

Então, afinal, o que quer o português desta Vuelta?

A classificação geral?

Uma vitória de etapa?

Um novo pódio?

A resposta é: ainda ninguém sabe. Nem o próprio.

«Vou dia a dia ver como me sinto. Obviamente vou tentar ajudar o Tadej ao máximo que conseguir. As questões relativas aos resultados individuais vão ficar pendentes.»

A estratégia é simples.

Primeiro, quer perceber como o corpo responde.

Depois, decidir.

«Vou dar o meu máximo nestes primeiros dias para ver onde estou e como me sinto. Se vir que não estou bem para discutir uma classificação geral, focar-me-ei noutra coisa.»

É talvez a declaração mais honesta que João Almeida poderia fazer antes da Vuelta.

Não há promessas artificiais.

Não há frases feitas sobre pódios.

Há apenas uma condição: as pernas têm de aparecer.

«O principal objetivo é ajudar o Tadej. Somos uma equipa forte e temos de estar bem para ajudá-lo no que precisar.»

A ideia é manter-se na frente, sobreviver aos primeiros testes e estar no grupo dos melhores.

Depois?

«Ver dia a dia.»

O joelho, Del Toro e o vírus que ninguém consegue explicar em duas frases

A queda na Volta à Polónia deixou marcas visíveis. O joelho esquerdo continua protegido, embora Almeida desvalorize o problema.

«Foi uma ferida um pouco mais funda e uma pancada forte, com edema ósseo, mas nada de especial. É só para não apanhar sol. Mais uns dias e tiro o penso. Está tudo tranquilo.»

Muito mais complicado foi o vírus que condicionou boa parte da temporada.

E Almeida não quis transformar o assunto numa consulta médica pública.

«Não é assim tão simples perceber isso, principalmente pós-doença. É um tema complexo e não quero estar aqui a detalhar tudo o que aconteceu.»

O português lembrou que situações semelhantes já afetaram outros ciclistas ao longo de meses.

«O corpo, por vezes, reage assim.»

E talvez essa seja a explicação mais simples para um problema que, como o próprio reconhece, não é simples.

«Não interessa muito saber o que é ou o que não é. O que interessa é que, às vezes, as coisas não correm tão bem, mas estamos sempre aqui a tentar dar o nosso melhor.»

Del Toro? «Há espaço para todos»

E Isaac del Toro?

O mexicano tornou-se uma das grandes figuras da UAE Emirates e a sua ascensão poderia, à primeira vista, parecer uma ameaça ao espaço de Almeida na equipa.

O português não vê as coisas assim.

«Sinto-me igual. Acho que há espaço para todos.»

Sem dramas.

«É um bom companheiro de equipa, dou-me muito bem com ele e fico super feliz pelos resultados que tem tido e por ver o esforço dele ser recompensado.»

Para Almeida, a questão não é quem tem mais protagonismo.

«O que interessa é a nossa capacidade e os nossos objetivos.»

E a frase encaixa perfeitamente na forma como encara esta Vuelta.

Pogačar pode ser o líder.

Del Toro pode continuar a crescer.

Mas ninguém está «bloqueado».

«É tudo uma questão de força e capacidade física.»

No fundo, voltamos ao princípio.

Só depende das pernas.

A cabeça também pedala

Mas uma grande volta não se corre apenas com as pernas.

Almeida sabe isso melhor do que ninguém depois dos últimos meses.

«É muito frustrante trabalhar tanto e depois não estar ao nível desejado.»

A frustração existe.

Seria estranho se não existisse.

Mas o português recusa-se a transformar um período difícil numa tragédia.

«As coisas nem sempre correm como queremos. Faz parte da vida ter percalços; se esse fosse o maior problema das nossas vidas, acho que o mundo estaria muito melhor do que está.»

É uma das declarações mais reveladoras de Almeida.

Porque, apesar da confiança reduzida e de uma preparação que reconhece não ter sido ideal, não parece haver qualquer sinal de desistência.

Muito pelo contrário.

«O ciclismo é a minha grande paixão e o meu objetivo de vida. Tudo o que faço é com o objetivo de ser um ciclista melhor.»

A Vuelta começa este sábado.

João Almeida chega com dúvidas.

Com pouca confiança.

Com um vírus que lhe roubou meses, uma queda recente e uma preparação incompleta.

Mas também chega com talento, experiência e três semanas para recuperar o que sente ter perdido.

E talvez a melhor definição da sua Vuelta esteja numa frase que o próprio deixou pelo caminho:

«Mesmo que comece mal, espero chegar à última semana melhor do que comecei.»

 Almeida não promete o pódio.

Não promete uma vitória.

Nem promete lutar pela geral.

No entanto, há uma situação que parece garantida: antes de Madrid, ninguém deve dar a resposta por ele.

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