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João Almeida: «Chego bem, mas com pouca confiança»

  🖋️ António Vieira Pacheco · 📅 21 agosto 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️3 min · 🌱EMM 

João Almeida com falta de confiança.

Um ano difícil

João Almeida chega à Vuelta com uma frase que dificilmente passaria despercebida, mesmo que estivesse sentado sozinho numa sala. Mas não estava. Ao seu lado encontrava-se Tadej Pogačar e, inevitavelmente, quase todos os holofotes apontavam para o esloveno.

O português, de 28 anos, prepara-se para disputar a primeira Grande Volta da temporada após um 2026 profundamente condicionado por um vírus que afetou os seus resultados e roubou-lhe algo que, para um ciclista, pode ser tão importante como as pernas: a confiança.

«Tem sido um ano complicado. Chego aqui bem, mas com pouca confiança», admitiu João Almeida, sem rodeios.

Não é uma frase pequena. Nem é uma frase que se espere ouvir de um corredor com a qualidade e a consistência que o português demonstrou nas últimas temporadas.

Mas Almeida não tentou esconder-se atrás de desculpas.

«Espero estar no meu melhor e vou dar o máximo, porque temos uma corrida para ganhar.»

E, nessa altura, está a chave para perceber o papel do português nesta Vuelta. João Almeida chega com dúvidas sobre a própria condição, mas com uma certeza: está ali para ajudar a UAE Emirates a ganhar.

E o homem que a equipa quer levar ao topo de Madrid chama-se Tadej Pogačar.

Uma missão chamada Pogačar

Almeida foi ainda mais direto na explicação da sua missão na corrida.

«Estou aqui para auxiliar o Tadej a ganhar o que lhe falta. Se, depois, eu conseguir um bom resultado… melhor.»

O que falta a Pogačar é uma vitória na Vuelta. Após conquistar o Tour de France pela quinta vez, o esloveno tem agora a oportunidade de completar a trilogia das Grandes Voltas e tornar-se o nono ciclista da história a vencer o Giro, o Tour de France e a Vuelta ao longo da carreira.

É uma história suficientemente grande para engolir quase tudo o resto.

Talvez por isso, Almeida tenha respondido apenas a duas perguntas durante os 15 minutos de conferência de imprensa. Sentado ao lado de Pogačar, não era difícil perceber quem atraía os holofotes.

Mas o português parece aceitar perfeitamente o papel.

«Gosto muito desta corrida; já fiz algumas [quatro]. Chego com motivação e ‘ganas’; espero estar bem, desfrutar e passar um bom bocado com os companheiros de equipa, que são uma segunda família.»

É uma declaração que mostra um Almeida aparentemente tranquilo, apesar da falta de confiança que reconhece. E talvez seja precisamente essa mistura que torna a sua presença na Vuelta particularmente interessante.

Porque João Almeida chega sem a pressão de ser o homem da classificação geral da UAE Emirates. Mas continua a ser João Almeida.

E, quando as pernas aparecem, nunca convém esquecê-lo.

Do outro lado da mesa estava Pogačar, sete anos depois da sua estreia na Vuelta.

Em 2019, o esloveno terminou em terceiro lugar na classificação geral e venceu três etapas. Agora regressa como bicampeão do Mundo, pentacampeão do Tour e uma das maiores figuras que o ciclismo já produziu.

A ambição não podia ser escondida.

«É um sonho que tenho! Já queria correr a Volta a Espanha há algum tempo e este ano, a partir do Mónaco, onde eu vivo, tinha mesmo de ser.»

A Vuelta começa no Mónaco. Pogačar vive no Mónaco. E a coincidência acabou por dar-lhe o argumento perfeito para regressar a uma corrida que há muito queria disputar.

Mas quem espera encontrar um Pogačar a passear durante três semanas pode esquecer.

«Temos muito talento aqui e, como sempre, vai ser uma corrida dura. Nunca é fácil!»

O problema é que, desta vez, a Vuelta não é o fim da temporada do esloveno. É apenas mais uma paragem.

E isso muda tudo.

O português chega depois de um ano complicado, admite estar com pouca confiança e sabe que o seu primeiro objetivo será ajudar Pogačar. Mas uma Vuelta tem três semanas, montanhas, quedas, dias maus e imprevistos suficientes para destruir qualquer guião preparado no Mónaco.

A UAE Emirates parte com dois corredores capazes de lutar muito alto. Um chega à procura da única Grande Volta que ainda lhe falta. O outro chega depois de um vírus que lhe roubou os resultados e a confiança.

Pogačar terá os holofotes.

João Almeida terá trabalho.

Mas, no ciclismo, há uma diferença enorme entre começar uma Grande Volta como ajudante e terminar uma Grande Volta como figurante.

Se o português conseguir recuperar a confiança que diz não ter ainda, a Vuelta poderá rapidamente obrigar toda a gente a fazer-lhe mais do que duas perguntas.



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