Piganzoli vence em San Luca e Nairo Quintana despede-se!
Bolonha faz negócio com as
deslocações até ao Santuário de San Luca. Entre as redondezas da Piazza
Maggiore, território de tortellini, pasta al ragù, mortadela e vinagre
balsâmico, e o icónico templo religioso, existe uma subida que justifica os transportes para turistas e, sobretudo, uma corrida de dureza extrema.
A cidade italiana é conhecida
como La Grassa (A Gorda), alcunha que mistura o peso da gastronomia com
o orgulho pela mesa. É também La Dotta (A Erudita), pela tradição
académica, e La Rossa (A Vermelha), pela cor dos edifícios. Pode ainda
receber outro nome: chapéu de chuva natural. São 62 quilómetros de arcadas que
acompanham as ruas e protegem quem por elas passa.
É neste cenário que o Giro
dell'Emilia ganha uma das suas imagens de marca. A corrida termina com cinco
passagens pelo Santuário de San Luca, numa subida que os visitantes enfrentam
muitas vezes de comboio para evitar o sofrimento. Aos ciclistas não resta essa
alternativa. A eles cabe vencer o desnível, pedalada após pedalada, sob as
arcadas que acompanham a estrada.
Um campeão diferente
Brandon McNulty estreou na prova a camisola arco-íris conquistada recentemente. O norte-americano, habitual trabalhador de luxo da UAE Team Emirates-XRG, surgiu em Bolonha sem os principais líderes da equipa, nomeadamente Tadej Pogačar, e teve finalmente espaço para assumir protagonismo.
No circuito final, a Visma | Lease a Bike tentou desorganizar o grupo e expôs vários factos. Matteo Jorgenson parecia ser a opção mais credível para discutir a vitória, mas
o ciclismo voltou a contrariar os prognósticos.
Davide Piganzoli aproveitou a
oportunidade e conquistou a vitória mais importante da carreira.
Depois de McNulty lançar o
ataque, o norte-americano acabou por perder força. Piganzoli assumiu então o
comando de um grupo que se destacava: Thomas Pidcock, Oscar Onley, Ben Tulett,
Matteo Jorgenson e Ben Healy.
O italiano, de 24 anos,
resistiu à reação adversária e confirmou um triunfo de enorme significado.
Pidcock ainda reduziu a diferença nos metros finais, mas terminou apenas três
segundos, no segundo lugar. Oscar Onley fechou o pódio.
Piganzoli sucede a Isaac Del
Toro, vencedor da edição de 2025, e acrescenta o seu nome a uma corrida com uma
ligação especial à cidade de Bolonha e à exigente subida de San Luca.
A última de Quintana
O Giro dell'Emilia teve ainda
um momento de despedida.
Nairo Quintana disputou em
Bolonha a última corrida da carreira. Aos 36 anos, o colombiano encerra um
percurso que o colocou entre os grandes nomes da sua geração.
Vencedor do Giro d'Italia de
2014 e da Vuelta a España de 2016, Quintana foi ainda segundo classificado no
Tour de France em 2013 e 2015.
A carreira termina longe dos
pódios que tantas vezes o tiveram como protagonista, mas a história fica.
Quintana deixa o ciclismo profissional como um dos grandes escaladores da sua
geração e um dos ciclistas que marcaram a década de 2010.
Em San Luca, entre cinco
subidas e uma das paisagens mais características do ciclismo italiano, terminou
uma carreira que começou na Colômbia e passou pelos maiores palcos do mundo.
Um campeão despediu-se. Outro,
Piganzoli, conquistou a maior vitória da carreira. E Bolonha voltou a provar que
sabe transformar uma subida num espetáculo.
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