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João Almeida cala as dúvidas na Vuelta, mas deixa um aviso: “Ainda estou longe da minha melhor forma”

 🖋️ António Vieira Pacheco · 📅 11 de setembro 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️ 3 min ·🌱EMM

João Almeida faz pódio no CRI, mas ainda não está a cem por cento.

João Almeida voltou a deixar a sua marca na Vuelta a Espanha. No contrarrelógio da 18.ª etapa, disputado esta quinta-feira, o português da UAE Emirates terminou em terceiro lugar, a apenas oito segundos do vencedor, Stefan Küng (Tudor).

Foi a melhor classificação de Almeida nesta edição da corrida espanhola e uma resposta competitiva importante após uma temporada marcada por quedas, problemas físicos e doenças.

Mas o próprio corredor tratou de colocar o resultado no devido lugar.

O terceiro lugar confirma que a força está lá. As palavras de Almeida, porém, revelam que a recuperação ainda está longe.

O pódio não muda o diagnóstico!

Em declarações ao canal AS, João Almeida não deixou dúvidas sobre o momento que atravessa: a Vuelta tem sido dura e recuperar plenamente as sensações na bicicleta continua a ser um processo.

Foi muito difícil para mim me sentir bem novamente na bicicleta, e continuo longe da minha melhor forma. Agora, encontrar o meu ritmo será mais importante do que obter resultados até o final da temporada”, explicou.

É uma declaração particularmente reveladora após uma prestação como a desta quinta-feira.

Perante um dos grandes especialistas mundiais da disciplina, Almeida conquistou o terceiro lugar, a apenas oito segundos de Küng.  Ainda assim, o português não está interessado em transformar esse resultado numa conclusão precipitada sobre a sua condição.

A prioridade é outra: recuperar, estabilizar as sensações e reencontrar o ritmo competitivo.

Uma UAE Emirates reduzida ao limite

A situação da UAE Emirates ajuda a explicar o contexto em que Almeida disputa esta Vuelta.

A equipa perdeu Tadej Pogačar, Pablo Torres, Jay Vine e Pavel Sivakov, ficando reduzida a apenas quatro corredores na corrida: João Almeida, Ivo Oliveira, Domen Novak e Kevin Vermaerke.

Estamos todos um pouco sobrecarregados, e o calor torna tudo ainda mais difícil. Tem sido uma Vuelta complicada, com quedas, lesões, doenças… não é o nosso melhor momento, mas sempre damos tudo de nós. Todos os dias”, afirmou Almeida.

Não é apenas um problema da equipa principal.

Segundo o diretor da UAE Emirates, Joxean Matxin, a estrutura sofreu 17 fraturas na sequência de quedas envolvendo 16 ciclistas diferentes em 2026.

Na formação de desenvolvimento, UAE Emirates Gen Z, a dimensão do problema também foi significativa: cinco dos 11 corredores tiveram fraturas.

É neste cenário que Almeida continua a competir.

E é precisamente por isso que o terceiro lugar no contrarrelógio ganha outra dimensão. Não porque signifique que o português esteja novamente no seu melhor — ele próprio rejeita essa leitura — mas porque demonstra que, mesmo longe da condição ideal, continua capaz de lutar pelos lugares cimeiros.

Um sinal de recuperação, não uma garantia

O contrarrelógio de quinta-feira pode, assim, ser visto como um sinal de recuperação, e não como o ponto final desse processo.

Almeida mostrou velocidade, capacidade de esforço e competitividade. Mas também deixou uma mensagem clara: não está disposto a confundir um bom resultado com uma recuperação completa.

Depois de uma época particularmente difícil, o português parece ter reencontrado algumas das sensações que procurava. O terceiro lugar confirma-o.

Mas Almeida sabe que ainda não chega.

A próxima etapa será perceber se este pódio representa apenas um momento isolado ou o início de uma recuperação sustentada.

Por enquanto, João Almeida prefere não fazer promessas.

Prefere voltar a sentir-se bem.

E, depois de tudo o que aconteceu, talvez seja precisamente essa a medida mais importante do seu momento atual.

Porque um terceiro lugar pode ser um resultado. Recuperar a confiança e as pernas é outra corrida.

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