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Van der Poel fez do Luxemburgo o treino que ninguém consegue fazer
🖋️ António Vieira Pacheco · 📅 20 de setembro 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️ 2 min · 🌱EMM
Mathieu van der Poel decidiu cedo que não queria esperar por ninguém. Atacou
praticamente de saída, ficou sozinho durante 174 quilómetros e transformou a
última etapa do Tour de Luxemburgo numa demonstração pouco habitual de força,
uma semana antes do Mundial de Montreal.
Não foi uma fuga que ganhou
forma aos poucos. Nem foi um ataque nos últimos quilómetros. Van der Poel saiu
praticamente desde o início e passou mais de quatro horas pedalando sozinho na
frente.
A etapa tinha 177 quilómetros
e mais de 3000 metros de acumulado. O neerlandês fez 174 deles isolado,
resistiu à perseguição e chegou à meta com 1,04 minutos de vantagem sobre
Mikkel Honoré.
E havia uma razão para estar
ali.
Van der Poel não escolheu o
Luxemburgo por acaso. Enquanto vários dos principais candidatos ao Mundial
optaram pelos Grandes Prémios do Canadá, o campeão mundial de 2023 preferiu uma
corrida de cinco dias para recuperar ritmo de estrada e preparar a corrida de
fundo de Montreal.
O plano, contudo, não passava
por passar quase toda a etapa sozinho.
“Não era o plano antes da
partida”, explicou depois. Encontrou-se isolado logo no início e decidiu
continuar ao seu ritmo. Quando percebeu que os perseguidores não conseguiam
aproximar-se, mudou de ideia: em vez de esperar, foi até ao fim.
Uma loucura com alguma lógica
Há uma diferença entre atacar
cedo e estar 174 quilómetros sozinho.
A primeira pode ser uma
aposta. A segunda exige que as pernas respondam durante horas, num percurso
ondulado e com mais de 3000 metros de desnível.
Van der Poel teve-as.
“Hoje tive pernas incríveis”,
admitiu o neerlandês, após reconhecer que os dias anteriores não haviam
correspondido exatamente ao que pretendia.
O detalhe é importante porque
o Mundial está já à porta.
No Luxemburgo, Van der Poel
não enfrentou a concorrência que encontrará em Montreal e a corrida de domingo
será cerca de 100 quilómetros mais longa. Assim, transformar esta vitória numa
garantia de sucesso seria exagerado.
Mas ignorá-la também seria
difícil.
O Mundial já estava na cabeça
O neerlandês chega ao Canadá
por um caminho diferente do de grande parte dos favoritos.
Remco Evenepoel, Isaac del
Toro e Paul Seixas, entre outros, estiveram envolvidos nas corridas canadianas.
Van der Poel preferiu construir a preparação à sua maneira.
E há ainda outra
particularidade.
O próprio Van der Poel admitiu
recentemente que o percurso de Montreal pode ser demasiado difícil para as suas
características. Os resultados do Grande Prémio de Montreal, com vários
trepadores entre os primeiros, reforçaram essa dúvida.
Só que Van der Poel também
sabe uma coisa: um Mundial não é uma corrida normal.
Sem equipas a controlar tudo
da mesma forma, com comunicação diferente e uma corrida que pode fugir ao
guião, o neerlandês continua a ter espaço para tentar uma corrida à sua
maneira.
Domingo saber-se-á se os 174
quilómetros do Luxemburgo foram apenas uma enorme sessão de preparação ou o
primeiro aviso.
Por enquanto, uma coisa ficou
clara: Van der Poel chegou ao Mundial depois de transformar uma corrida de 177
quilómetros num exercício que quase ninguém se atreveria a tentar.
E conseguiu chegar ao fim
sozinho.
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