Avançar para o conteúdo principal

Destaque do Universo do Ciclismo e dos Desportos de Raquetes

Portugal passeia em Santa Tecla na Taça Davis

      🖋️ António Vieira Pacheco · 📅 18 de setembro 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️ 3 min · 🌱EMM    Portugal terminou o primeiro dia em Santa Tecla com uma vantagem de 2-0 sobre El Salvador. Nuno Borges confirmou o favoritismo e Jaime Faria conseguiu finalmente a primeira vitória em singulares pela Seleção na Taça Davis. O primeiro objetivo estava definido antes da eliminatória começar: Portugal tinha de sair de Santa Tecla na frente. Saiu melhor do que isso. Nuno Borges e Jaime Faria ganharam os dois primeiros singulares, ambos em dois sets, e colocaram El Salvador numa situação delicada antes do segundo dia. O ambiente da Taça Davis esteve lá — bancadas e camarotes repletos, vuvuzelas e o apoio constante ao conjunto da casa — mas Portugal não permitiu que esse fator tivesse influência. Foram duas vitórias portuguesas. E nenhuma delas chegou ao terceiro set. Borges fez o que se esperava Diego Duran tinha o público a apoiá-lo e uma op...

José Santos entre os 10 Sócios de Mérito da FPTM

     🖋️ António Vieira Pacheco · 📅 18 de setembro 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️ 3 min · 🌱EMM

José Santos é Sócio de Mérito da FPTM.

A Assembleia Geral da Federação Portuguesa de Ténis de Mesa, reunida ontem, aprovou dez novos Sócios de Mérito. Entre os homenageados estão José Santos, pelo conjunto de bons serviços prestados à modalidade, Alda Fagundes, pelo seu longo percurso na arbitragem, e personalidades e entidades ligadas a clubes, associações e autarquias. Mas há uma pergunta que fica: e aqueles que deram décadas da vida à modalidade sem nunca receberem uma distinção?

Dez percursos

A Assembleia Geral da Federação Portuguesa de Ténis de Mesa (FPTM) aprovou a atribuição da categoria de Sócio de Mérito a 10 personalidades e entidades, numa decisão que reconhece diferentes formas de ligação, dedicação e serviço à modalidade.

A lista inclui José Santos, Alda Fagundes, Isidro Borges, Alberto Minhava, Carlos Ferreira, António Almeida e Aquilino Ribeiro, além de referências institucionais, como a Câmara Municipal de Gaia e a Associação de Évora e Viana do Castelo.

São percursos diferentes.

E essa é precisamente uma das particularidades desta distinção.

Há quem tenha servido à modalidade nas estruturas federativas ou associativas. Existem quem tenha estado ligado aos clubes. Há quem tenha desempenhado funções de arbitragem. Há quem tenha contribuído por meio das instituições e do poder local.

E há quem, durante décadas, tenha ajudado simplesmente a fazer com que o ténis de mesa existisse, crescesse e fosse reconhecido.

José Santos não é apenas a arbitragem!

No caso de José Santos, há uma distinção que importa fazer.

A arbitragem faz parte, naturalmente, do seu percurso e é uma das dimensões mais conhecidas da sua ligação ao ténis de mesa.

Mas não é por ser apenas árbitro que José Santos recebe esta distinção.

O conceito de bons serviços prestados à modalidade tem um alcance muito mais amplo.

São décadas de ligação ao ténis de mesa, de conhecimento, de presença, de colaboração e de dedicação.

É, por isso, errado reduzir a homenagem a uma função.

José Santos representa um percurso.

E é precisamente o conjunto desse percurso que deve ser colocado no centro da distinção.

A Associação de Ténis de Mesa do Porto, aliás, já o incluiu entre os distinguidos com a Medalha Joaquim Soares — Bons Serviços e Dedicação, distinção que reúne pessoas de diferentes áreas do ténis de mesa, incluindo dirigentes, técnicos, árbitros e jornalistas.

A homenagem da FPTM surge, assim, como o reconhecimento de um percurso de décadas e de uma ligação à modalidade que foi muito além das mesas.

Alda Fagundes: uma vida junto às mesas

Alda Fagundes tem uma ligação particularmente marcada pela arbitragem.

É um percurso que representa uma das áreas menos mediáticas, mas absolutamente indispensáveis, do desporto.

Os árbitros estão lá quando começa o jogo, quando surgem as decisões difíceis e quando é necessário garantir que a competição decorre de acordo com as regras.

Durante anos, passam por pavilhões, clubes, campeonatos e grandes decisões sem que o seu nome apareça nas manchetes.

Alda Fagundes faz parte dessa história.

A distinção agora aprovada reconhece precisamente uma longa ligação à arbitragem e ao funcionamento das competições.

Isidro Borges e o trabalho nos clubes

Isidro Borges representa outro dos caminhos pelos quais se constrói o ténis de mesa.

Ligado ao Clube de Ténis de Mesa de Mirandela, tem desempenhado funções de presidente de direção desde a sua fundação. Em 2025, assumiu publicamente a defesa do projeto europeu da equipa feminina de Mirandela e alertou para as dificuldades financeiras que colocavam em causa a continuidade da participação internacional.

O exemplo ajuda a perceber uma realidade muitas vezes esquecida: grande parte da história de uma modalidade é realizada diariamente nos clubes.

É aí que se formam atletas.

É aí que se organizam equipas.

É aí que se procuram apoios.

E é aí que dirigentes e colaboradores enfrentam, muitas vezes, problemas que não chegam ao conhecimento do grande público.

Isidro também passou pelas seleções nacionais como treinador.

Alberto Minhava e o associativismo

Alberto Minhava é outro dos nomes que representam a dimensão associativa.

António Alberto Minhava Peixoto é o presidente da Associação de Ténis de Mesa de Vila Real, numa estrutura que tem desenvolvido uma atividade significativa na promoção da modalidade na região.

A própria história da ATM Vila Real demonstra a importância desse trabalho associativo, com projetos e competições destinados a dar dimensão nacional à modalidade.

O reconhecimento de um dirigente associativo é reconhecer o trabalho desenvolvido longe dos grandes centros e a capacidade de manter uma modalidade ativa ao nível regional.

Instituições que fazem parte da história

A presença de entidades como a Câmara Municipal de Gaia, a Associação de Évora e Viana do Castelo introduz uma outra dimensão nesta lista.

O ténis de mesa não vive apenas de pessoas.

Também depende das instituições que disponibilizam espaços, apoiam projetos, acolhem competições e criam condições para que clubes e associações desenvolvam a sua atividade.

É uma relação que nem sempre aparece quando se contam as histórias dos grandes resultados.

Mas sem ela, muitas dessas histórias dificilmente teriam acontecido.

A distinção a entidades é, nesse sentido, também uma forma de reconhecer o papel que as estruturas locais podem desempenhar no desenvolvimento de uma modalidade.

Na mesma lista surgem ainda Carlos Ferreira, António Almeida e Aquilino Ribeiro, integrando um conjunto de homenageados cujos percursos se cruzaram com diferentes dimensões da vida do ténis de mesa.

É precisamente essa diversidade que dá significado à decisão da Assembleia Geral.

Não existe apenas uma forma de servir uma modalidade.

Há quem o faça nos clubes.

Existem quem o faça nas associações.

Há quem arbitre.

Existem quem dirija.

Há quem assegure apoio institucional.

Há quem trabalhe nos bastidores.

E há também quem conte a história.

Há quem continue esquecido

É aqui que a atribuição de 10 Sócios de Mérito pode suscitar uma reflexão que ultrapassa os nomes agora aprovados.

E os outros?

A pergunta não pretende retirar qualquer mérito aos homenageados.

Pelo contrário.

Uma distinção deve ser celebrada por quem a recebe.

Mas uma modalidade com tantas décadas de história tem necessariamente muitos mais protagonistas do que cabem numa lista de dez.

E alguns desses protagonistas podem nunca ter recebido uma homenagem formal.

Entre eles estão pessoas que dedicaram uma parte enorme da sua vida à comunicação social e ao ténis de mesa, ajudando a construir a memória da modalidade e a garantir-lhe um espaço mediático ao longo de décadas.

Quem conta a história faz parte dela

Durante várias décadas, jornalistas, fotógrafos e colaboradores mantiveram a modalidade sob o olhar público, mesmo quando o espaço mediático que lhe era concedido ficava muito aquém do que era reservado a outras modalidades.

Estiveram nos pavilhões quando os espectadores eram escassos na bancada.

Fizeram entrevistas.

Publicaram resultados.

Acompanharam campeonatos.

Deram voz aos atletas.

Dê espaço aos clubes.

Registraram vitórias e derrotas.

E, sobretudo, a memória escrita da modalidade ficou para sempre.

Sem esse trabalho, muitos dos grandes momentos do ténis de mesa português poderiam hoje estar simplesmente perdidos.

É um papel que, muitas vezes, só se percebe verdadeiramente quando os anos passam.

Um resultado desaparece da memória.

Uma competição termina.

Um atleta abandona.

Um dirigente deixa funções.

Mas uma notícia publicada permanece.

Uma fotografia permanece.

Uma entrevista permanece.

Um arquivo permanece.

E é dessa matéria que se constrói a história de uma modalidade.

A FPTM aprovou mais 10 novos Sócios de Mérito, mas esqueceu de algo.

São dez histórias, dez percursos e diferentes formas de serviço ao ténis de mesa português.

José Santos representa um percurso global de bons serviços prestados à modalidade, muito para além da arbitragem.

Alda Fagundes representa uma longa caminhada na arbitragem.

Isidro Borges e Alberto Minhava remetem-nos à importância do trabalho desenvolvido nos clubes e no associativismo.

A Câmara Municipal de Gaia, a Associação de Évora e a de Viana do Castelo recordam o papel que as instituições podem desempenhar no desenvolvimento da modalidade.

Carlos Ferreira, António Almeida e Aquilino Ribeiro completam o lote.

Mas a história não termina aqui.

Porque por cada nome que entra numa lista de homenageados, podem existir outros que continuam à espera de reconhecimento.

E talvez seja essa a consequência mais interessante desta decisão da Assembleia Geral:

 - celebrar os dez que foram distinguidos, mas não esquecer todos os outros que também ajudaram a construir o ténis de mesa português.

Entre eles, aqueles que passaram décadas a escrever sobre a modalidade.

Aqueles que lhe deram voz.

Aqueles que fizeram chegar os seus protagonistas ao público.

Aqueles que, muitas vezes sem medalhas nem cargos, deram uma parte da própria vida para que a história do ténis de mesa pudesse ser contada.

Porque uma modalidade não é feita apenas por quem ganha.

Nem apenas por quem dirige.

Nem apenas por quem arbitra.

É feita por quem também esteve lá para contar.

José Santos — arquivo EMM

A procurar artigos...

Comentários