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José Santos entre os 10 Sócios de Mérito da FPTM
🖋️ António Vieira Pacheco · 📅 18 de setembro 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️ 3 min · 🌱EMM
A Assembleia Geral da
Federação Portuguesa de Ténis de Mesa, reunida ontem, aprovou dez novos Sócios
de Mérito. Entre os homenageados estão José Santos, pelo conjunto de bons
serviços prestados à modalidade, Alda Fagundes, pelo seu longo percurso na
arbitragem, e personalidades e entidades ligadas a clubes, associações e autarquias.
Mas há uma pergunta que fica: e aqueles que deram décadas da vida à modalidade
sem nunca receberem uma distinção?
Dez percursos
A Assembleia Geral da Federação
Portuguesa de Ténis de Mesa (FPTM) aprovou a atribuição da categoria de Sócio
de Mérito a 10 personalidades e entidades, numa decisão que reconhece
diferentes formas de ligação, dedicação e serviço à modalidade.
A lista inclui José Santos, Alda Fagundes, Isidro Borges, Alberto Minhava, Carlos Ferreira, António Almeida e Aquilino Ribeiro, além de referências institucionais, como a Câmara Municipal de Gaia e a Associação de Évora e Viana do Castelo.
São percursos diferentes.
E essa é precisamente uma das
particularidades desta distinção.
Há quem tenha servido à
modalidade nas estruturas federativas ou associativas. Existem quem tenha
estado ligado aos clubes. Há quem tenha desempenhado funções de arbitragem. Há
quem tenha contribuído por meio das instituições e do poder local.
E há quem, durante décadas,
tenha ajudado simplesmente a fazer com que o ténis de mesa existisse, crescesse
e fosse reconhecido.
José Santos não é apenas a arbitragem!
No caso de José Santos, há uma
distinção que importa fazer.
A arbitragem faz parte,
naturalmente, do seu percurso e é uma das dimensões mais conhecidas da sua
ligação ao ténis de mesa.
Mas não é por ser apenas
árbitro que José Santos recebe esta distinção.
O conceito de bons serviços
prestados à modalidade tem um alcance muito mais amplo.
São décadas de ligação ao
ténis de mesa, de conhecimento, de presença, de colaboração e de dedicação.
É, por isso, errado reduzir a
homenagem a uma função.
José Santos representa um
percurso.
E é precisamente o conjunto
desse percurso que deve ser colocado no centro da distinção.
A Associação de Ténis de Mesa
do Porto, aliás, já o incluiu entre os distinguidos com a Medalha Joaquim
Soares — Bons Serviços e Dedicação, distinção que reúne pessoas de diferentes
áreas do ténis de mesa, incluindo dirigentes, técnicos, árbitros e jornalistas.
A homenagem da FPTM surge,
assim, como o reconhecimento de um percurso de décadas e de uma ligação à
modalidade que foi muito além das mesas.
Alda Fagundes: uma vida junto às mesas
Alda Fagundes tem
uma ligação particularmente marcada pela arbitragem.
É um percurso que representa
uma das áreas menos mediáticas, mas absolutamente indispensáveis, do desporto.
Os árbitros estão lá quando
começa o jogo, quando surgem as decisões difíceis e quando é necessário
garantir que a competição decorre de acordo com as regras.
Durante anos, passam por
pavilhões, clubes, campeonatos e grandes decisões sem que o seu nome apareça nas manchetes.
Alda Fagundes faz parte dessa
história.
A distinção agora aprovada
reconhece precisamente uma longa ligação à arbitragem e ao funcionamento das
competições.
Isidro Borges e o trabalho nos clubes
Isidro Borges
representa outro dos caminhos pelos quais se constrói o ténis de mesa.
Ligado ao Clube de Ténis de
Mesa de Mirandela, tem desempenhado funções de presidente de direção desde
a sua fundação. Em 2025, assumiu publicamente a defesa do projeto europeu da
equipa feminina de Mirandela e alertou para as dificuldades financeiras que
colocavam em causa a continuidade da participação internacional.
O exemplo ajuda a perceber uma
realidade muitas vezes esquecida: grande parte da história de uma modalidade é
realizada diariamente nos clubes.
É aí que se formam atletas.
É aí que se organizam equipas.
É aí que se procuram apoios.
E é aí que dirigentes e
colaboradores enfrentam, muitas vezes, problemas que não chegam ao conhecimento
do grande público.
Isidro também passou pelas seleções nacionais como treinador.
Alberto Minhava e o associativismo
Alberto Minhava é
outro dos nomes que representam a dimensão associativa.
António Alberto Minhava
Peixoto é o presidente da Associação de Ténis de Mesa de Vila Real, numa
estrutura que tem desenvolvido uma atividade significativa na promoção da
modalidade na região.
A própria história da ATM Vila
Real demonstra a importância desse trabalho associativo, com projetos e
competições destinados a dar dimensão nacional à modalidade.
O reconhecimento de um
dirigente associativo é reconhecer o trabalho
desenvolvido longe dos grandes centros e a capacidade de manter uma modalidade
ativa ao nível regional.
Instituições que fazem parte da história
A presença de entidades como a
Câmara Municipal de Gaia, a Associação de Évora e Viana do Castelo introduz
uma outra dimensão nesta lista.
O ténis de mesa não vive
apenas de pessoas.
Também depende das
instituições que disponibilizam espaços, apoiam projetos, acolhem competições e
criam condições para que clubes e associações desenvolvam a sua
atividade.
É uma relação que nem sempre
aparece quando se contam as histórias dos grandes resultados.
Mas sem ela, muitas dessas
histórias dificilmente teriam acontecido.
A distinção a entidades é,
nesse sentido, também uma forma de reconhecer o papel que as estruturas locais
podem desempenhar no desenvolvimento de uma modalidade.
Na mesma lista surgem ainda Carlos
Ferreira, António Almeida e Aquilino Ribeiro, integrando um conjunto de
homenageados cujos percursos se cruzaram com diferentes dimensões da vida do
ténis de mesa.
É precisamente essa
diversidade que dá significado à decisão da Assembleia Geral.
Não existe apenas uma forma de
servir uma modalidade.
Há quem o faça nos clubes.
Existem quem o faça nas
associações.
Há quem arbitre.
Existem quem dirija.
Há quem assegure apoio
institucional.
Há quem trabalhe nos
bastidores.
E há também quem conte a
história.
Há quem continue esquecido
É aqui que a atribuição de 10
Sócios de Mérito pode suscitar uma reflexão que ultrapassa os nomes agora
aprovados.
E os outros?
A pergunta não pretende
retirar qualquer mérito aos homenageados.
Pelo contrário.
Uma distinção deve ser
celebrada por quem a recebe.
Mas uma modalidade com tantas
décadas de história tem necessariamente muitos mais protagonistas do que cabem numa lista de dez.
E alguns desses protagonistas
podem nunca ter recebido uma homenagem formal.
Entre eles estão pessoas que
dedicaram uma parte enorme da sua vida à comunicação social e ao ténis de mesa,
ajudando a construir a memória da modalidade e a garantir-lhe um espaço
mediático ao longo de décadas.
Quem conta a história faz parte dela
Durante várias décadas,
jornalistas, fotógrafos e colaboradores mantiveram a modalidade sob o olhar
público, mesmo quando o espaço mediático que lhe era concedido ficava muito
aquém do que era reservado a outras modalidades.
Estiveram nos pavilhões quando os espectadores eram escassos na bancada.
Fizeram entrevistas.
Publicaram resultados.
Acompanharam campeonatos.
Deram voz aos atletas.
Dê espaço aos clubes.
Registraram vitórias e
derrotas.
E, sobretudo, a memória escrita da modalidade ficou para sempre.
Sem esse trabalho, muitos dos
grandes momentos do ténis de mesa português poderiam hoje estar simplesmente
perdidos.
É um papel que, muitas vezes,
só se percebe verdadeiramente quando os anos passam.
Um resultado desaparece da
memória.
Uma competição termina.
Um atleta abandona.
Um dirigente deixa funções.
Mas uma notícia publicada
permanece.
Uma fotografia permanece.
Uma entrevista permanece.
Um arquivo permanece.
E é dessa matéria que se
constrói a história de uma modalidade.
A FPTM aprovou mais 10 novos
Sócios de Mérito, mas esqueceu de algo.
São dez histórias, dez
percursos e diferentes formas de serviço ao ténis de mesa português.
José Santos
representa um percurso global de bons serviços prestados à modalidade, muito para além da
arbitragem.
Alda Fagundes
representa uma longa caminhada na arbitragem.
Isidro Borges e Alberto
Minhava remetem-nos à importância do trabalho desenvolvido nos clubes
e no associativismo.
A Câmara Municipal de Gaia, a Associação de Évora e a de Viana do Castelo recordam o papel que as
instituições podem desempenhar no desenvolvimento da modalidade.
Carlos Ferreira, António
Almeida e Aquilino Ribeiro completam o lote.
Mas a história não termina
aqui.
Porque por cada nome que
entra numa lista de homenageados, podem existir outros que continuam à espera
de reconhecimento.
E talvez seja essa a
consequência mais interessante desta decisão da Assembleia Geral:
- celebrar os dez que foram distinguidos, mas
não esquecer todos os outros que também ajudaram a construir o ténis de mesa
português.
Entre eles, aqueles que
passaram décadas a escrever sobre a modalidade.
Aqueles que lhe deram voz.
Aqueles que fizeram chegar os
seus protagonistas ao público.
Aqueles que, muitas vezes sem
medalhas nem cargos, deram uma parte da própria vida para que a história do
ténis de mesa pudesse ser contada.
Porque uma modalidade não é
feita apenas por quem ganha.
Nem apenas por quem dirige.
Nem apenas por quem arbitra.
É feita por quem também esteve
lá para contar.
José Santos — arquivo EMM
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