Aos 70 anos, Isidro Borges ainda sonha em formar o próximo 'João Geraldo'!
🖋️ António Vieira Pacheco · 📅 22 de setembro 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️ 2 min · 🌱EMM
Aos 70 anos, quase 71, Isidro Borges não parece interessado no ponto
final. Quer outra coisa: que Mirandela volte a formar um jogador capaz de
chegar ao circuito mundial. João Geraldo já mostrou que a viagem pode começar
ali.
Há quem conte títulos. Há quem
enumere décadas. E há quem continue a olhar para a mesa seguinte.
Isidro Borges está neste
último grupo.
O presidente do Clube Ténis de
Mesa de Mirandela mantém uma ambição que não cabe num simples balanço de
carreira.
Disse-o ao EMM, em
declarações exclusivas:
“Queremos ter atletas naturais
de Mirandela a participar nas provas do circuito mundial, tal como João
Geraldo, formado em Mirandela.”
A escolha do exemplo diz tudo.
Antes do mundo, houve Mirandela!
Geraldo começou no CTM Mirandela aos 6 anos.
Foi ali que aprendeu, competiu
e cresceu como jogador. A formação fez-se numa cidade que, apesar da distância
dos grandes centros, conseguiu colocar um dos seus atletas numa rota que
levaria muito além de Trás-os-Montes.
Aos 18 anos, chegou a hora de sair de casa.
A Alemanha oferecia melhores
condições de treino e um contexto mais adequado às exigências do alto rendimento.
Geraldo partiu e continuou a construir a carreira.
Chegou aos Jogos Olímpicos.
Entrou no circuito mundial.
Este ano, alcançou o 31.º
lugar do ranking mundial, o seu melhor.
E assinou pelo Borussia
Dortmund.
Mas há uma ironia interessante
nesta história: quanto mais longe chegou, mais evidente se fez a importância do
ponto de partida.
Geraldo continua a regressar a
Mirandela para treinar.
A cidade não foi apenas o
lugar onde começou.
Continua a ser parte do
percurso.
Agora falta repetir a história — sem a copiar
É aqui que Isidro coloca a
fasquia.
O objetivo não é fabricar um
segundo João Geraldo. Isso seria reduzir a formação a uma fotocópia.
A questão é outra: quantos
talentos de Mirandela podem existir sem ainda terem tido a oportunidade de
mostrar até onde conseguem chegar?
É aí que entra o trabalho de
formação.
Encontrar os jogadores.
Dar-lhes tempo.
Criar condições.
Competir.
E perceber, antes que seja tarde, quem tem capacidade para dar o salto.
No ténis de mesa, como noutras
modalidades, o talento sozinho não basta. Sem treino, competição e
acompanhamento, muitas carreiras ficam pelo caminho antes mesmo de começarem.
O mundo já vai a Mirandela
Entretanto, o CTM conseguiu
algo que não é pequeno.
Em vez de esperar que o mundo
reconhecesse Mirandela, começou a trazer o mundo para dentro da própria
cidade.
O Centro Internacional de
Treino recebe atletas estrangeiros e acolhe sessões de preparação com jogadores
de diferentes países.
Em agosto, uma iniciativa
do clube reuniu 85 jogadores de 14 países.
‘Já se treina em Mirandela com
muita qualidade e não é preciso que os
jovens da terra procurem no estrangeiro condições de treino.’
É um número que ajuda a medir
a dimensão que a estrutura alcançou.
Mas também levanta uma
questão.
De que serve uma cidade
receber jogadores internacionais se os seus próprios jovens não aproveitam esse ambiente?
A resposta de Isidro está na formação.
O centro não pode ser apenas
uma estação de passagem para quem chega de fora. Tem de ser também uma
plataforma de saída para quem nasceu ali.
Trazer atletas é uma coisa.
Formá-los é outra.
Esta é a parte mais exigente
do projeto.
Receber jogadores estrangeiros traz visibilidade e experiência.
Formar um atleta para o
circuito mundial é outra conversa.
São anos de trabalho, milhares
de horas dedicadas ao treino, à competição e ao acompanhamento, além da
resiliência para percorrer um caminho exigente que raramente oferece garantias,
mas que recompensa a persistência e a excelência.
É por isso que a referência a
Geraldo tem peso.
Ele não é uma promessa.
É um caso concreto.
Começou em Mirandela e chegou
ao palco internacional.
A partir daqui, o desafio é
perceber se a estrutura consegue produzir novas histórias — e não apenas
recordar a primeira.
Isidro tem 70 anos e está
prestes a completar 71.
Seria legítimo que a conversa
se concentrasse no passado.
Não acontece.
Quando fala do CTM, fala de
jovens, de formação e daquilo que ainda pretende ver acontecer.
“Temos projetos e ainda quero
sonhar.”
É uma declaração simples. Mas,
neste contexto, tem algum peso.
Porque sonhar aos 20, aos 30, aos
40 é natural.
Aos 70, depois de décadas de
trabalho numa modalidade que conhece por dentro, a palavra ganha outra
dimensão: significa que ainda há objetivos por cumprir.
E Isidro não esconde qual é um
deles.
Quer voltar a ver um atleta de
Mirandela chegar ao circuito mundial.
O próximo nome ainda não tem rosto
Talvez essa seja a parte mais
interessante da história.
O próximo atleta não tem de
ser uma réplica de Geraldo. Pode ter outro estilo, outra personalidade,
outro percurso.
Mas terá de começar por algum
lado.
E, para Isidro, esse começo
pode continuar a ser Mirandela.
O centro de treino já recebe
atletas de vários países.
A estrutura já conhece as
exigências do alto rendimento.
A cidade já produziu um
jogador que chegou aos palcos mais importantes.
Agora falta transformar tudo
isso numa cadeia de formação capaz de produzir mais um nome.
Depois outro.
E, quem sabe, outro.
O verdadeiro teste começa agora
Mirandela já provou que
consegue formar.
Já provou que consegue
receber.
Já provou que consegue criar
uma estrutura de dimensão internacional.
O próximo teste é mais
difícil: transformar essa experiência numa geração capaz de chegar lá fora sem
que a cidade seja apenas o lugar onde tudo começou.
Geraldo abriu a porta.
Outros terão de atravessá-la.
E, aos 70 anos, Isidro continua do lado de cá, a trabalhar para que alguém o faça.
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