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Destaque do Universo do Ciclismo e dos Desportos de Raquetes

McNulty campeão do Mundo: os Estados Unidos ganharam onde os favoritos falharam

🖋️ António Vieira Pacheco · 📅 28 de setembro 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️ 4 min · 🌱EMM Brandon McNulty é o novo campeão do mundo de estrada. O norte-americano atacou a 33 quilómetros da meta, abriu espaço aos perseguidores e resistiu até ao fim em Montreal, conquistando uma camisola arco-íris que há décadas escapava ao ciclismo dos Estados Unidos. Mas reduzir a vitória de McNulty ao ataque final seria contar apenas metade da história. O título mundial começou a ser construído muito antes do corredor da UAE Team Emirates-XRG aparecer sozinho na frente. Foi construído por uma seleção norte-americana que percebeu algo essencial numa corrida de 273 quilómetros: quando a força individual não chega para controlar todos os movimentos, o número e a inteligência podem fazer a diferença. E foi precisamente isso que aconteceu. A estratégia norte-americana havia sido definida pelo selecionador Michael Creed antes da partida. A ideia era simples: a equipa deveria ter representantes no g...

“Pode destruir todos”: Evenepoel assume favoritismo e deixa aviso

      🖋️ António Vieira Pacheco · 📅 26 de setembro 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️ 4 min · 🌱EMM 

Remco Evenepoel assume favoritismo.

Remco Evenepoel não fugiu à pergunta. É favorito? “Diria que sim.” Mas, antes de atacar o Mundial de Montreal, o belga deixou também um aviso claro: se Mathieu van der Poel aparecer num dos seus dias, pode tornar-se o homem capaz de estragar os planos de todos.

Remco Evenepoel chegou às últimas horas antes do Campeonato do Mundo de estrada sem esconder o que pensa das suas próprias possibilidades.

Questionado diretamente sobre se é o principal candidato à camisola arco-íris, o belga não procurou refugiar-se em respostas politicamente corretas.

“Com base nos resultados das minhas últimas corridas, provavelmente sim. Em maio, a história era diferente. Tudo bem, aceito a sua pergunta. Sou o favorito? Diria que sim.”

É uma mudança significativa do discurso em relação ao início da temporada. E Evenepoel tem consciência disso.

Os resultados recentes colocaram-no novamente entre os homens a considerar para uma corrida que, em Montreal, promete ser longa, seletiva e particularmente exigente na parte final.

Mas o campeão belga não quer transformar o favoritismo numa obrigação de controlar a corrida desde o primeiro quilómetro.

Montreal já foi testada

Evenepoel conhece parte importante do que o aguarda.

No dia 13 de setembro, participou no GP de Montreal e completou 16 voltas ao circuito, terminando na quinta posição. Agora, no Mundial, a distância será superior e a dinâmica da corrida será completamente diferente.

“Não estaremos com as nossas equipas e o Campeonato do Mundo de domingo é 70 quilómetros mais longo. Isso fará uma grande diferença em termos de potência explosiva no final.”

O belga sabe que uma corrida desta dimensão pode alterar completamente as forças disponíveis nas últimas dezenas de quilómetros.

E há outro detalhe que considera fundamental: a corrida pode mudar de configuração praticamente a qualquer momento.

“Mas haverá muitas possibilidades. Tudo pode acontecer, e vi isso também no GP. Mesmo que um grupo perigoso pareça estar a distanciar-se, ainda pode alcançá-los. São 13,3 quilómetros por volta e é preciso ficar alerta.”

É precisamente essa imprevisibilidade que poderá impedir qualquer seleção de controlar completamente a corrida.

Nem o sprint assusta

Há uma ideia que Evenepoel também quis afastar: a de que precisa obrigatoriamente de chegar isolado para poder conquistar o título.

O belga admite que uma chegada num grupo reduzido também pode servir os seus interesses.

“Tenho a certeza de que também tenho uma boa hipótese num sprint.”

E acrescentou:

“Não preciso de ter medo de chegar ao final num grupo pequeno. Isso me lembra os meus sprints em corridas como a Liège-Bastogne-Liège, a Amstel Gold Race e a Clásica San Sebastián, este ano.”

É uma declaração importante.

Evenepoel não está a apresentar apenas um plano de corrida. Está também a recordar aos adversários que, caso a prova chegue a uma seleção reduzida, não será necessariamente ele o corredor obrigado a atacar primeiro.

E, no meio dessa equação, aparece um nome que o belga conhece demasiado bem.

O perigo Van der Poel

Mathieu van der Poel.

Quando Evenepoel é questionado sobre os principais adversários, o neerlandês surge naturalmente entre os primeiros nomes.

“Para mim, ele tem grandes chances de vencer. Vimos isso também em Zurique. Nesta prova, dou-lhe mais ou menos a mesma chance.”

A referência ao Mundial de Zurique, em 2024, não é casual.

Van der Poel terminou em terceiro lugar, enquanto Evenepoel foi quinto. Agora, com outro percurso e outra corrida pela frente, o belga continua a considerar o neerlandês uma ameaça de primeira linha.

Quando lhe recordaram que Van der Poel tinha sido terceiro em Zurique, Evenepoel sorriu antes de responder.

“Mathieu é um dos supertalentos do desporto. Num dia inspirado, com as pernas em forma, pode destruir todos aqui.”

É provavelmente uma das frases mais fortes deixadas por Evenepoel antes da corrida.

Não é apenas elogio. É também um aviso.

Bélgica não quer carregar a corrida

Se há algo que Evenepoel parece não querer fazer em Montreal, é assumir sozinho o peso da corrida.

A Bélgica dispõe de vários corredores importantes e, além de Evenepoel, Wout van Aert será uma das peças fundamentais da seleção.

Por isso, quando questionado sobre se a Bélgica deveria assumir o controlo da prova, Evenepoel foi claro:

“Penso que não. Tanto eu como o Wout precisamos de chegar à linha de chegada em pequeno grupo. No caso do Wout, poderia até ser um grupo um pouco maior.”

A estratégia passa, portanto, por evitar um cenário em que os belgas tenham de trabalhar durante quilómetros para depois oferecerem a corrida aos adversários.

E Evenepoel já identificou quem, na sua opinião, poderá ter maior necessidade de tornar a corrida mais dura.

A pressão está na França

Na análise do belga, a França poderá assumir uma responsabilidade distinta.

O motivo tem nome: Paul Seixas.

“Se pensar em quem realmente precisa de chegar sozinho, chego à conclusão de que é a França. Paul Seixas provavelmente terá de fazer isso. Então, a pressão recai sobre a França.”

E Evenepoel não pretende esconder que essa situação poderá ser aproveitada pela Bélgica.

“Podemos usar isso taticamente. Definitivamente, não precisamos trabalhar o tempo todo.”

A mensagem é bastante clara: se outras seleções precisam atacar, a Bélgica não necessita necessariamente assumir a iniciativa.

É uma corrida de desgaste e, numa prova tão longa, cada esforço pode ser cobrado muito mais tarde.

“Espero que a França exploda a corrida”

Evenepoel até parece desejar que os franceses façam o que, em princípio, beneficiará a Bélgica.

“Os franceses costumam dizer, nos campeonatos, que as outras equipas têm de dificultar a corrida. Depois, de repente, aceleram tudo na segunda volta e a corrida explode. Espero algo parecido agora.”

É uma provocação ligeira, mas também uma leitura tática.

Quanto mais cedo a corrida ficar descontrolada, maior será a possibilidade de os favoritos chegarem à fase decisiva já desgastados.

E isso pode abrir espaço para ataques de corredores dispostos a arriscar de longe.

Seixas e Del Toro no mesmo problema

Paul Seixas não é, contudo, o único corredor que Evenepoel coloca numa posição semelhante.

Isaac Del Toro também aparece na equação.

O belga considera que tanto o francês como o mexicano terão razões para evitar uma chegada que favoreça determinados adversários.

“O Paul é um ótimo corredor e tem um bom sprint. Mas a França precisa  dificultar a corrida para melhorar as hipóteses dele.”

E depois chegou ao ponto central da sua estratégia:

“O Paul e o Isaac Del Toro não vão querer levar-me para o sprint, tal como eu não quero levar o Van der Poel à linha de chegada.”

Está explicado.

Em Montreal, ninguém parece disposto a oferecer facilidades.

Evenepoel admite o favoritismo, mas não quer assumir sozinho o comando da corrida. Van der Poel surge como uma ameaça capaz de mudar tudo num único momento. Seixas e Del Toro poderão buscar uma corrida mais dura. E a Bélgica pretende guardar forças para o momento em que realmente for necessário utilizá-las.

No papel, é uma corrida de estratégias.

Na estrada, serão as pernas a decidir.

E Evenepoel já deixou o aviso: se Van der Poel estiver num daqueles dias em que tudo encaixa, pode não haver plano que chegue.

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