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“Pode destruir todos”: Evenepoel assume favoritismo e deixa aviso
🖋️ António Vieira Pacheco · 📅 26 de setembro 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️ 4 min · 🌱EMM
Remco Evenepoel
não fugiu à pergunta. É favorito? “Diria que sim.” Mas, antes de atacar o
Mundial de Montreal, o belga deixou também um aviso claro: se Mathieu van der
Poel aparecer num dos seus dias, pode tornar-se o homem capaz de estragar os
planos de todos.
Remco Evenepoel chegou às
últimas horas antes do Campeonato do Mundo de estrada sem esconder o que pensa
das suas próprias possibilidades.
Questionado diretamente sobre
se é o principal candidato à camisola arco-íris, o belga não procurou
refugiar-se em respostas politicamente corretas.
“Com base nos resultados das
minhas últimas corridas, provavelmente sim. Em maio, a história era diferente.
Tudo bem, aceito a sua pergunta. Sou o favorito? Diria que sim.”
É uma mudança significativa do discurso em relação ao início da temporada. E Evenepoel tem consciência
disso.
Os resultados recentes
colocaram-no novamente entre os homens a considerar para uma corrida que, em
Montreal, promete ser longa, seletiva e particularmente exigente na parte
final.
Mas o campeão belga não quer
transformar o favoritismo numa obrigação de controlar a corrida desde o
primeiro quilómetro.
Montreal já foi testada
Evenepoel conhece parte
importante do que o aguarda.
No dia 13 de setembro,
participou no GP de Montreal e completou 16 voltas ao circuito, terminando na
quinta posição. Agora, no Mundial, a distância será superior e a dinâmica da
corrida será completamente diferente.
“Não estaremos com as nossas
equipas e o Campeonato do Mundo de domingo é 70 quilómetros mais longo. Isso
fará uma grande diferença em termos de potência explosiva no final.”
O belga sabe que uma corrida
desta dimensão pode alterar completamente as forças disponíveis nas últimas
dezenas de quilómetros.
E há outro detalhe que
considera fundamental: a corrida pode mudar de configuração praticamente a
qualquer momento.
“Mas haverá muitas
possibilidades. Tudo pode acontecer, e vi isso também no GP. Mesmo que um
grupo perigoso pareça estar a distanciar-se, ainda pode alcançá-los. São 13,3
quilómetros por volta e é preciso ficar alerta.”
É precisamente essa
imprevisibilidade que poderá impedir qualquer seleção de controlar
completamente a corrida.
Nem o sprint assusta
Há uma ideia que Evenepoel
também quis afastar: a de que precisa obrigatoriamente de chegar isolado para
poder conquistar o título.
O belga admite que uma chegada
num grupo reduzido também pode servir os seus interesses.
“Tenho a certeza de que também
tenho uma boa hipótese num sprint.”
E acrescentou:
“Não preciso de ter medo de
chegar ao final num grupo pequeno. Isso me lembra os meus sprints em corridas
como a Liège-Bastogne-Liège, a Amstel Gold Race e a Clásica San Sebastián, este
ano.”
É uma declaração importante.
Evenepoel não está a
apresentar apenas um plano de corrida. Está também a recordar aos adversários
que, caso a prova chegue a uma seleção reduzida, não será necessariamente ele o
corredor obrigado a atacar primeiro.
E, no meio dessa equação,
aparece um nome que o belga conhece demasiado bem.
O perigo Van der Poel
Mathieu van der Poel.
Quando Evenepoel é questionado sobre os principais adversários, o neerlandês surge naturalmente entre os primeiros nomes.
“Para mim, ele tem grandes
chances de vencer. Vimos isso também em Zurique. Nesta prova, dou-lhe mais ou
menos a mesma chance.”
A referência ao Mundial de
Zurique, em 2024, não é casual.
Van der Poel terminou em terceiro lugar, enquanto Evenepoel foi quinto. Agora, com outro percurso e
outra corrida pela frente, o belga continua a considerar o neerlandês uma
ameaça de primeira linha.
Quando lhe recordaram que Van
der Poel tinha sido terceiro em Zurique, Evenepoel sorriu antes de responder.
“Mathieu é um dos
supertalentos do desporto. Num dia inspirado, com as pernas em forma, pode
destruir todos aqui.”
É provavelmente uma das frases
mais fortes deixadas por Evenepoel antes da corrida.
Não é apenas elogio. É também
um aviso.
Bélgica não quer carregar a corrida
Se há algo que Evenepoel
parece não querer fazer em Montreal, é assumir sozinho o peso da corrida.
A Bélgica dispõe de vários
corredores importantes e, além de Evenepoel, Wout van Aert será uma das peças
fundamentais da seleção.
Por isso, quando questionado
sobre se a Bélgica deveria assumir o controlo da prova, Evenepoel foi claro:
“Penso que não. Tanto eu como o
Wout precisamos de chegar à linha de chegada em pequeno grupo. No caso do
Wout, poderia até ser um grupo um pouco maior.”
A estratégia passa, portanto,
por evitar um cenário em que os belgas tenham de trabalhar durante quilómetros
para depois oferecerem a corrida aos adversários.
E Evenepoel já identificou
quem, na sua opinião, poderá ter maior necessidade de tornar a corrida mais dura.
A pressão está na França
Na análise do belga, a França
poderá assumir uma responsabilidade distinta.
O motivo tem nome: Paul
Seixas.
“Se pensar em quem
realmente precisa de chegar sozinho, chego à conclusão de que é a França. Paul
Seixas provavelmente terá de fazer isso. Então, a pressão recai sobre a França.”
E Evenepoel não pretende
esconder que essa situação poderá ser aproveitada pela Bélgica.
“Podemos usar isso
taticamente. Definitivamente, não precisamos trabalhar o tempo todo.”
A mensagem é bastante clara:
se outras seleções precisam atacar, a Bélgica não necessita necessariamente assumir a iniciativa.
É uma corrida de desgaste e,
numa prova tão longa, cada esforço pode ser cobrado muito mais tarde.
“Espero que a França exploda a corrida”
Evenepoel até parece desejar
que os franceses façam o que, em princípio, beneficiará a Bélgica.
“Os franceses costumam dizer, nos campeonatos, que as outras equipas têm de dificultar a corrida. Depois, de
repente, aceleram tudo na segunda volta e a corrida explode. Espero algo
parecido agora.”
É uma provocação ligeira, mas
também uma leitura tática.
Quanto mais cedo a corrida
ficar descontrolada, maior será a possibilidade de os favoritos chegarem à fase
decisiva já desgastados.
E isso pode abrir espaço para
ataques de corredores dispostos a arriscar de longe.
Seixas e Del Toro no mesmo problema
Paul Seixas não é, contudo, o
único corredor que Evenepoel coloca numa posição semelhante.
Isaac Del Toro também aparece
na equação.
O belga considera que tanto o
francês como o mexicano terão razões para evitar uma chegada que favoreça
determinados adversários.
“O Paul é um ótimo corredor e
tem um bom sprint. Mas a França precisa dificultar a corrida para melhorar
as hipóteses dele.”
E depois chegou ao ponto
central da sua estratégia:
“O Paul e o Isaac Del Toro não
vão querer levar-me para o sprint, tal como eu não quero levar o Van der Poel
à linha de chegada.”
Está explicado.
Em Montreal, ninguém parece
disposto a oferecer facilidades.
Evenepoel admite o
favoritismo, mas não quer assumir sozinho o comando da corrida. Van der Poel
surge como uma ameaça capaz de mudar tudo num único momento. Seixas e Del Toro
poderão buscar uma corrida mais dura. E a Bélgica pretende guardar forças para
o momento em que realmente for necessário utilizá-las.
No papel, é uma corrida de
estratégias.
Na estrada, serão as pernas a
decidir.
E Evenepoel já deixou o aviso:
se Van der Poel estiver num daqueles dias em que tudo encaixa, pode não haver
plano que chegue.
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