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Paul Seixas arrasa a própria atuação no Mundial: “É vergonhoso o que fiz hoje”

🖋️ António Vieira Pacheco · 📅 28 de setembro 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️ 4 min · 🌱EMM

Paul Seixas desilude no Mundial.

Paul Seixas terminou o Mundial de Montreal em 15.º e não escondeu a frustração após sofrer cãibras na última volta.

Paul Seixas chegou ao Campeonato do Mundo de Montreal com estatuto, ambição e argumentos para discutir os lugares da frente. Saiu do Canadá com uma medalha de bronze no contrarrelógio, mas também com uma enorme frustração após terminar apenas no 15.º lugar na prova de fundo.

A classificação, por si só, não conta toda a história. O francês esteve, largos quilómetros, numa posição que lhe permitia sonhar com algo muito maior. A França assumiu responsabilidades, endureceu a corrida e colocou o seu líder numa situação privilegiada. Mas quando a decisão chegou, Seixas perdeu rendimento.

As cãibras apareceram na última volta e acabaram por comprometer definitivamente as suas possibilidades.

O resultado foi ainda mais difícil de aceitar para um corredor que completou apenas 20 anos na sexta-feira e vinha de uma temporada extraordinária. Seixas já tinha terminado o Tour de France na quarta posição da geral, vencido a Flèche Wallonne e a Itzulia Basque Country, além de ter conquistado o bronze no contrarrelógio dos Mundiais.

Mas, para o francês, nada disso serviu de consolo no preciso momento de analisar o que aconteceu em Montreal.

“É uma enorme deceção”

A seleção francesa havia assumido uma estratégia clara desde cedo.

Bruno Armirail pôs um ritmo extremamente elevado nas primeiras quatro voltas do circuito final, contribuindo para reduzir o grupo e tornar a corrida cada vez mais seletiva.

Era precisamente o que a França pretendia: tornar a prova suficientemente dura para colocar Seixas numa posição favorável quando chegasse o momento das decisões.

A estratégia funcionou por muito tempo.

Quando a fuga que incluía Mathieu van der Poel foi anulada, a três voltas do final, Seixas continuava entre os corredores com capacidade para lutar pelo título mundial.

Depois surgiu Brandon McNulty.

O norte-americano lançou um ataque de enorme alcance e conseguiu construir uma vantagem que acabaria por entregar-lhe a camisola arco-íris. Atrás, o grupo dos favoritos começou a buscar respostas.

Foi aí que Seixas começou a perder terreno.

As cãibras limitaram-no na última volta e transformaram uma possível luta pelo pódio numa batalha para chegar à meta.

“É uma enorme deceção”, admitiu o francês.

E não ficou por aí.

“É vergonhoso”

Seixas foi particularmente duro consigo próprio.

O jovem francês considerou que tinha cometido um erro que não esperava cometer precisamente numa prova desta dimensão.

“É vergonhoso o que eu fiz hoje, ter esta cãibra. É um erro de principiante.”

A frase diz muito sobre o estado de espírito do corredor após a corrida.

Seixas revelou ainda que nunca tinha sentido uma situação semelhante numa bicicleta.

“Nunca tive cãibra em cima de uma bicicleta na minha vida.”

A explicação não estava clara para o próprio corredor. A hidratação surgiu como uma possibilidade, mas Seixas não quis desculpas.

“Deve ser a minha hidratação – não sei – realmente não quero falar sobre isso.”

A sua frustração também se explica pelo trabalho realizado pelos colegas de equipa.

A França não escondeu as suas intenções e colocou a corrida num nível de intensidade brutal. Seixas recebeu o apoio dos companheiros e, durante grande parte da prova, parecia beneficiar dessa estratégia.

No final, sentiu que não conseguiu corresponder.

É talvez uma das declarações mais duras de Seixas.

“Os meus companheiros de equipa fizeram um trabalho incrível. Eles mereciam mais do que um líder como eu.”

Não há aqui uma tentativa de transferir responsabilidades.

Pelo contrário.

O francês assumiu integralmente aquilo que considera ter sido uma falha pessoal.

Quando começou a sentir as cãibras, percebeu que a situação se complicaria, mas tentou continuar.

“Quando comecei a ter cãibras, sabia que ia ser difícil, mas pensei nos meus colegas de equipa, em tudo o que eles tinham feito, e agarrei-me com todas as minhas forças.”

Ainda assim, já não havia margem para recuperar.

Seixas terminou a 2 minutos e 45 segundos de McNulty e ficou no 15.º lugar.

Um resultado que, olhando apenas para a classificação, poderia parecer dececionante. Mas ganha outra dimensão quando se percebe que o francês esteve durante muito tempo inserido na luta pela frente da corrida.

A corrida saiu do controlo

Thomas Voeckler, selecionador francês, não escondeu que a estratégia da equipa passava por tornar a corrida extremamente difícil.

E defendeu a decisão.

“Fizemos o que tínhamos de fazer com o Bruno, mas sem excesso de zelo. Tínhamos de tornar a corrida difícil.”

O problema, reconheceu Voeckler, é que a intensidade acabou por atingir níveis que nem a própria seleção francesa conseguiu controlar totalmente.

“É verdade que ela saiu um pouco do nosso controlo porque a intensidade da prova foi insana.”

A declaração ajuda a perceber a dimensão da corrida disputada em Montreal.

A França tentou selecionar o grupo e colocar Seixas numa posição favorável. Mas uma prova desta natureza não permite controlar todas as variáveis.

A certa altura, McNulty atacou de longe e obrigou os restantes favoritos a reagir.

O norte-americano acabaria por construir uma vantagem suficiente para conquistar o título mundial.

Seixas, entretanto, estava a lutar contra outro adversário: o próprio corpo.

Um ano extraordinário

A desilusão de Montreal não apaga o que Seixas fez em 2026.

Muito pelo contrário.

O francês chegou aos 20 anos depois de protagonizar uma temporada que o colocou definitivamente entre os nomes de referência da nova geração.

Foi quarto classificado na geral do Tour de France na sua estreia.

Venceu a Flèche Wallonne.

Ganhou a Itzulia Basque Country.

Nos Mundiais, já tinha conquistado uma medalha de bronze no contrarrelógio.

Ou seja, o 15.º lugar na prova de fundo representa apenas um episódio dentro de uma época muito mais ampla.

Mas Seixas não estava interessado nesse argumento imediatamente depois da corrida.

Para ele, havia uma oportunidade que tinha escapado.

“Pode-se dizer que eu não estava muito longe, mas hoje perdi por pouco.”

E essa diferença, naquele momento, era tudo.

“É difícil encontrar consolo agora. Não é fácil seguir em frente; vai levar algum tempo.”

Sem Europeus

Seixas não estará na próxima semana no Campeonato da Europa, no qual tinha conquistado a medalha de bronze no ano passado.

A temporada deverá terminar no Il Lombardia, a 10 de outubro.

Até lá, ficará certamente uma reflexão sobre o que aconteceu em Montreal.

A corrida mostrou um corredor capaz de estar entre os melhores, mas também revelou como os detalhes podem decidir uma prova de cinco ou seis horas.

A França fez a corrida dura.

Seixas esteve na posição que pretendia.

McNulty surpreendeu com um ataque de 33 quilómetros.

E, quando chegou a hora de responder, o francês encontrou um problema físico que nunca tinha experimentado numa bicicleta.

O resultado foi o 15.º lugar.

Para qualquer outro corredor, poderia ser uma classificação perfeitamente aceitável numa prova desta dimensão.

Para Seixas, não.

O próprio estabeleceu a fasquia antes da corrida e, segundo Voeckler, considerava que qualquer resultado que não fosse a vitória seria um fracasso.

“Paul disse que qualquer resultado que não fosse uma vitória seria um fracasso, então ele considera isso um fracasso, mas eu não o culpo”, explicou o selecionador francês.

É uma forma particularmente dura de olhar para uma corrida.

Mas também revela a ambição de um corredor que, aos 20 anos, já não parece satisfeito apenas por estar entre os melhores.

Em Montreal, faltou-lhe a resposta na última volta.

Faltou-lhe a energia que tinha revelado durante grande parte da corrida.

E faltou-lhe, sobretudo, aquilo que ele próprio procurava: a vitória.

Seixas saiu do Mundial sem a camisola arco-íris, mas não saiu do Canadá como o mesmo corredor que chegou.

A temporada já lhe tinha dado vitórias, uma grande classificação no Tour e uma medalha mundial.

Agora deu-lhe também uma derrota que o próprio classificou de forma brutal.

“É vergonhoso o que fiz hoje.”

Palavras de um corredor de apenas 20 anos que, apesar de já ter alcançado muito, parece continuar a exigir de si próprio como se ainda não tivesse conquistado nada.


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