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Nelson Oliveira confiante: «Temos uma boa equipa para tentar aspirar a um top 10»
🖋️ António Vieira Pacheco · 📅 18 de setembro 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️ 3 min · 🌱EMM
Pogačar está
fora; Portugal chega com João Almeida, Eulálio e companhia, e Nelson Oliveira
não esconde a ambição: o veterano acredita que a seleção pode entrar na luta
pelos dez primeiros em Montreal.
Não é uma promessa de medalha.
Nem é uma previsão de vitória.
Mas é uma declaração que diz
muito sobre o que Portugal espera encontrar em Montreal.
Nelson Oliveira acredita que a
seleção nacional tem argumentos para aspirar a um lugar no top 10 na prova de fundo
dos Mundiais.
«Considero que temos uma boa
equipa para tentar aspirar a, pelo menos, um top 10. Considero que esse será o
ponto-chave da nossa corrida», afirmou o corredor português à Lusa.
Aos 37 anos, e após ter
falhado os Mundiais de 2025 devido à lesão, o experiente ciclista regressa ao
palco mundial com uma certeza: a experiência não é um peso.
É uma arma.
«A experiência também te ajuda»
Nelson Oliveira sabe o que
significa correr um Mundial.
Sabe o que é vestir as cores
de Portugal nos principais palcos e conhece, como poucos, a exigência de uma
corrida em que cada decisão pode alterar completamente o resultado.
Por isso, não encara a
veterania como uma responsabilidade adicional.
«Até pelo contrário. A
experiência também te ajuda.»
É uma resposta simples, mas
reveladora.
O português chega a Montreal
após uma carreira marcada por uma impressionante regularidade internacional. É
recordista nacional de participações em grandes Voltas e tornou-se o primeiro
corredor da história a completar 24 consecutivas sem abandonar.
Agora, regressa aos Mundiais
após uma interrupção devido a lesão.
Portugal tem cartas para jogar
E a seleção não depende de uma
única carta.
João Almeida chega após um final de Volta a Espanha em bom nível.
Afonso Eulálio deixou
excelentes indicações no Quebec e em Montreal.
Ivo Oliveira aparece com ritmo
competitivo após a participação na Vuelta.
António Morgado e Tiago
Antunes completam um grupo que Nelson Oliveira considera capaz de discutir uma
posição entre os dez primeiros.
E o próprio Nelson?
Não se coloca à margem da
corrida.
«Vou tentar ajudar os colegas
no que for preciso e, quiçá, também fazer parte da estratégia.»
É aqui que a experiência pode
ganhar valor.
Num Mundial aberto, ter um corredor capaz de interpretar a corrida, proteger companheiros e aparecer no momento certo pode ser tão importante como ter pernas para atacar.
Há, entretanto, uma variável
impossível de ignorar.
Tadej Pogačar não estará em
Montreal.
O campeão mundial em título
fica de fora depois da queda sofrida na Volta a Espanha e a ausência do
esloveno retira da corrida aquele que dominou as duas últimas edições.
Nelson Oliveira acredita que
isso abre espaço para outros candidatos.
Um dos nomes que se destacam é
Isaac del Toro.
Mas há uma dificuldade: o
mexicano não terá uma seleção com a capacidade de controlar a corrida durante
centenas de quilómetros.
«Vai ter de jogar muito bem,
porque não tem seleção para controlar.»
Remco Evenepoel, Thomas
Pidcock e Paul Seixas também estão entre os nomes apontados pelo português.
E depois há aquilo que todos
sabem sobre um Mundial:
As surpresas fazem parte da
corrida.
273,7 quilómetros para decidir
tudo
A prova masculina de fundo
encerra os Mundiais a 27 de setembro.
São 273,7 quilómetros, com 3.803
metros de desnível acumulado.
Uma corrida suficientemente
longa para testar resistência, capacidade tática e leitura de prova.
E, sem Pogačar, o cenário
poderá ser diferente.
«A corrida vai ser muito mais
aberta, porque há menos equipas que poderão controlar.»
Para Portugal, essa abertura
pode significar oportunidades.
Mas também riscos.
A seleção não terá
necessariamente de assumir o peso da corrida e poderá jogar com várias peças,
esperando pelo momento em que a corrida começar a partir-se.
João Almeida poderá ser uma
das referências.
Eulálio chega com boas
indicações.
Morgado pode assumir outro
tipo de função.
E Nelson Oliveira estará lá
para fazer o que sabe melhor: trabalhar, ler a corrida e esperar pelo
momento certo.
Portugal já sabe o que quer
Nelson Oliveira não promete o
que o ciclismo não permite prometer.
Sabe que um Mundial pode mudar
num instante.
Uma queda, uma avaria, uma
decisão errada ou simplesmente um dia menos bom pode destruir meses de
preparação.
Por isso, deixa uma frase tão
prudente quanto ambiciosa:
«Sem azares, podemos fazer um
bom Mundial.»
Mas há uma meta que está
lançada pelo ciclista da Movistar.
Top 10.
Agora falta saber se Portugal
conseguirá transformar a ambição de Nelson Oliveira em resultado.
Montreal dará a resposta.
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