McNulty ganhou sozinho, mas o Mundial foi ganho por uma equipa

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Todos por um
Brandon McNulty levantou os braços sozinho em Montreal.
Mas o título mundial norte-americano começou muito antes daquele momento.
A seleção dos Estados Unidos conseguiu algo que nem sempre aparece nos resultados: colocou os interesses individuais de lado e trabalhou para um único objetivo.
Levar McNulty até ao momento certo.
E funcionou.
O norte-americano tornou-se campeão mundial de estrada, dando aos Estados Unidos o primeiro título mundial masculino de elite em mais de três décadas.
Sem egos
A expressão usada pelos próprios protagonistas resume a estratégia: os corredores colocaram os egos de lado.
Num Mundial com 273,3 quilómetros, inúmeras subidas e um grupo de favoritos que não parava de olhar uns para os outros, a seleção norte-americana percebeu que precisava de jogar em equipa.
Não bastava ter um corredor capaz de vencer.
Era preciso criar as condições para que ele pudesse chegar vivo ao momento decisivo.
Foi isso que aconteceu.
O ataque decisivo
McNulty acabou por aproveitar a situação na parte final da corrida.
O norte-americano entrou no momento decisivo com margem suficiente para acreditar na vitória.
A perseguição não conseguiu organizar-se de forma eficaz.
E quando percebeu que o título estava ao alcance, McNulty já não precisava de ajuda.
Precisava apenas de chegar à meta.
Foi o que fez.
Um Mundial que deixa perguntas
A vitória, contudo, não acabou no pódio.
Depois da corrida surgiram críticas e dúvidas sobre o comportamento de algumas seleções e sobre a forma como determinados corredores foram ajudados ou deixados sem resposta.
Tom Pidcock e Michael Matthews questionaram, em particular, a dinâmica que envolveu Isaac del Toro, colega de McNulty na UAE Team Emirates-XRG.
São interpretações dos adversários e não alteram o resultado oficial.
McNulty é campeão mundial.
Mas acrescentam uma camada à história de Montreal.
Porque o Mundial não foi apenas uma corrida vencida por um corredor.
Foi uma corrida em que estratégia, alianças momentâneas, ausência de rádios e decisões tomadas no asfalto tiveram um peso enorme.
O nome que fica
Brandon McNulty já tinha um currículo importante.
Agora tem a camisola que todos querem.
A arco-íris.
E se a imagem final pertence ao norte-americano, a história completa começa muito antes daquele último quilómetro.
Em Montreal, os Estados Unidos não esperaram que surgisse um salvador.
Construíram-no.
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