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JOÃO MONTEIRO É VICE-CAMPEÃO! Aos 43 anos, chega à final e deixa marca na Ásia
🖋️ António Vieira Pacheco · 📅 18 de setembro 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️ 3 min · 🌱EMM
João Monteiro terminou em segundo lugar no WTT Feeder de Banguecoque, na Tailândia. O português recuperou de uma desvantagem nas meias-finais, eliminou o número 70 do mundo e disputou o título até ao quarto set da final.
Há dias em que o resultado
conta uma história.
E há dias em que é preciso
olhar para o que aconteceu antes dele.
João Monteiro é vice-campeão
do WTT Feeder de Banguecoque.
O
internacional português chegou esta sexta-feira à final de singulares
masculinos de uma prova do circuito WTT e terminou a competição no segundo
lugar, após uma campanha marcada pela capacidade de resposta nos momentos mais
difíceis.
Na meia-final, diante do
argelino Mehdi Bouloussa, número 70 do mundo, Monteiro perdeu o primeiro
set.
Ganhou os três seguintes.
Na final, diante do japonês Jo
Yokotani, 145.º do ranking mundial, voltou a encontrar-se numa situação
complicada. Perdeu os dois primeiros sets, reagiu no terceiro, mas não
conseguiu completar a recuperação.
Yokotani venceu por 3-1.
O título ficou no Japão.
A prata viajou para Portugal.
Primeiro foi preciso
sobreviver.
A meia-final contra Bouloussa
começou com um aviso.
O argelino venceu o primeiro
parcial por 13–11.
Monteiro estava atrás no
encontro e diante de um adversário que ocupava o 70.º lugar do ranking mundial,
enquanto o português era 180.º.
Mas a partida estava longe de
estar decidida.
O segundo set trouxe a
resposta portuguesa.
11–9.
Monteiro empatava o encontro.
Depois veio um terceiro
parcial daqueles que podem definir uma partida inteira.
O português venceu por 14–12.
Faltava um set.
E Bouloussa ainda tinha
capacidade de reagir.
O quarto parcial foi novamente
disputado até ao limite. Monteiro voltou a encontrar-se nos pontos decisivos e
ganhou por 12–10.
Estava feita a reviravolta.
3-1 para João Monteiro.
O mais impressionante na
meia-final não foi apenas o resultado.
Foi a forma como Monteiro respondeu
após perder o primeiro parcial.
O português ganhou os três
sets seguintes e, em todos eles, precisou de ultrapassar os 11 pontos ou venceu
pela margem mínima.
11-9.
14-12.
12-10.
Não houve espaço para
distrações.
Cada ponto tinha peso.
Cada pequena vantagem
precisava de ser protegida.
E Monteiro conseguiu fazê-lo
até ao último ponto.
A vitória colocou-o na final.
Faltava um adversário do outro lado: estava Jo Yokotani.
O japonês, número 145 do
mundo, apresentava um ranking superior ao do português, mas a diferença não
retirava a Monteiro a oportunidade de lutar pelo troféu.
A final começou equilibrada.
O primeiro set foi novamente
para lá dos 11 pontos.
Yokotani ganhou por 13-11.
Monteiro perdeu o primeiro
parcial por uma diferença mínima.
No segundo, porém, o japonês
dilatou a vantagem.
11-7.
Dois sets a zero.
A partir desse momento, a
matemática era simples, mas brutal: Monteiro necessitava de vencer três sets.
A resposta voltou a aparecer
Tal como tinha acontecido na
meia-final, o português recusou-se a deixar o encontro morrer.
O terceiro set foi seu.
11-8.
A final estava novamente
aberta.
Yokotani continuava a liderar,
mas Monteiro tinha conseguido reduzir a diferença para 2-1 e obrigava o japonês
a fechar o encontro.
O quarto parcial seria
decisivo.
Desta vez, Yokotani não
permitiu uma nova reviravolta.
Venceu por 11-6.
E fechou a final por 3-1.
O caminho até à final
O segundo lugar não nasceu
numa única partida.
Foi construído ao longo de
toda a competição.
Monteiro avançou, ronda
após ronda, até chegar à meia-final.
Nos oitavos de final, derrotou
o canadiano Edward Ly por 3-0.
Nos quartos de final, voltou a
ganhar sem perder qualquer set, desta vez diante do taiwanês Chuang
Chia-Chuan, por 3-0.
Depois veio Bouloussa.
E veio a recuperação que o
levou à final.
Foi uma caminhada sem atalhos.
Aos 43 anos, mais uma página
João Monteiro nasceu a 29 de
agosto de 1983 e tem atualmente 43 anos.
A idade, por si só, não ganha
partidas.
Mas ajuda a pôr este
resultado no contexto de uma carreira extraordinariamente longa.
O português representou
Portugal em três Jogos Olímpicos — Pequim 2008, Londres 2012 e Rio 2016 — e
integrou a seleção que conquistou o Campeonato da Europa por equipas em 2014.
Em Banguecoque, acrescentou
outra final internacional ao seu percurso.
E fê-lo após ultrapassar
um jogador do top 100 mundial.
A prata também conta
O título escapou.
Mas seria redutor olhar para
Banguecoque apenas como uma final perdida.
João Monteiro chegou à decisão
após se recuperar de uma derrota no primeiro set da meia-final.
Na final, quando estava a
perder por 0-2, ainda conseguiu ganhar o terceiro parcial e obrigar Yokotani a
continuar a trabalhar pelo título.
Não chegou ao quinto set.
Não levantou o troféu.
Mas terminou no 2.º lugar
de um WTT Feeder.
Aos 43 anos.
E talvez seja precisamente aí
que esteja a verdadeira dimensão desta história.
Há carreiras que acabam quando
deixam de aparecer grandes resultados.
A de João Monteiro continua a
encontrar espaço para mais uma página.
Em Banguecoque, essa página
acabou em prata.
|
RESULTADOS |
|
🏓 Singulares masculinos — Final |
|
🇵🇹 João Monteiro 1-3 Jo Yokotani 🇯🇵 |
|
11-13, 7-11, 11-8, 6-11 |
|
🏓 Singulares masculinos — Meias-finais |
|
🇩🇿 Mehdi Bouloussa 1-3 João Monteiro 🇵🇹 |
|
13-11, 9-11, 12-14, 10-12 |
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