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Destaque do Universo do Ciclismo e dos Desportos de Raquetes

Van der Poel fez do Luxemburgo o treino que ninguém consegue fazer

    🖋️ António Vieira Pacheco · 📅 20 de setembro 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️ 2 min · 🌱EMM Mathieu van der Poel decidiu cedo que não queria esperar por ninguém. Atacou praticamente de saída, ficou sozinho durante 174 quilómetros e transformou a última etapa do Tour de Luxemburgo numa demonstração pouco habitual de força, uma semana antes do Mundial de Montreal. Não foi uma fuga que ganhou forma aos poucos. Nem foi um ataque nos últimos quilómetros. Van der Poel saiu praticamente desde o início e passou mais de quatro horas pedalando sozinho na frente. A etapa tinha 177 quilómetros e mais de 3000 metros de acumulado. O neerlandês fez 174 deles isolado, resistiu à perseguição e chegou à meta com 1,04 minutos de vantagem sobre Mikkel Honoré. E havia uma razão para estar ali. Van der Poel não escolheu o Luxemburgo por acaso. Enquanto vários dos principais candidatos ao Mundial optaram pelos Grandes Prémios do Canadá, o campeão mundial de 2023 preferiu uma corrida de ci...

36ª ASA Classic Race levou 170 cicloturistas à estrada: o ciclismo não vive só de competição

 🖋️ António Vieira Pacheco · 📅 20 de setembro 2026 · 📸 Revista Notícias do Pedal · ⏱️4 min · 🌱EMM   

Cicloturistas passeiam pela Amadora.

Cerca de 170 cicloturistas pedalaram. Sem pódios, sem segundos para discutir e sem a obsessão pela classificação. Apenas uma bicicleta, uma estrada e uma ideia de ciclismo que continua a resistir.

O ciclismo português habituou-se a contar vencedores. Quem ganhou a etapa, quem atacou, quem perdeu tempo, quem chegou primeiro. Mas a modalidade não se resume a isso. Há também quem pedale sem classificação, sem pódio e sem outra recompensa, apenas para ter o prazer de estar na estrada.

Mas há um ciclismo que não cabe numa classificação.

No domingo, na Amadora, cerca de 170 pessoas voltaram a lembrar isso.

A 36.ª edição do Passeio de Cicloturismo ASA Classic Race, organizado pelo Grupo de Cicloturismo Estrelas da Amadora, colocou bicicletas na estrada. Não para decidir um campeão, mas para recuperar o que parece cada vez mais raro: o prazer de pedalar em conjunto.

Às 9h15, o pelotão saiu. Não havia uma camisola amarela à espera de alguém. Nem havia uma meta para separar os melhores dos restantes.

Havia estrada e a oportunidade de observar a paisagem.

E havia pessoas.

Falagueira, Massamá, Mem Martins, Algueirão, Cacém e Idanha fizeram parte de um percurso de aproximadamente 50 quilómetros entre a Amadora e Sintra.

Num tempo em que praticamente tudo no ciclismo é medido — velocidade, potência, tempo, distância, posição — o cicloturismo mantém uma espécie de rebeldia silenciosa.

Pedala-se porque se gosta de pedalar.

E isso talvez seja mais importante do que parece.

36 anos contra o desaparecimento

Trinta e seis edições não acontecem por acaso.

Por trás de um passeio, surge uma organização que começa muito antes do primeiro participante aparecer. Há inscrições, percurso, segurança, abastecimentos, acompanhamento e uma equipa que garante que tudo funciona.

A ASA Classic Race está na memória do cicloturismo nacional.

A organização.

Mas também revela uma realidade menos confortável: há hoje menos participantes e menos passeios organizados do que noutras épocas.

É precisamente daí que resistir tem significado.

Manter uma iniciativa durante décadas, num calendário em que a competição ocupa quase todo o espaço mediático, é uma forma de dizer que a bicicleta não pertence apenas aos atletas.

Pertence também às pessoas.

Sintra, calor e 50 quilómetros

O percurso teve alguns setores mais exigentes, mas apresentou um grau de dificuldade médio.

Em Sintra, uma paragem na Decathlon permitiu recuperar forças com água e fruta antes do regresso.

O calor, esse, não facilitou a tarefa.

O céu limpo e temperaturas superiores a 31 graus transformaram a manhã numa verdadeira prova de resistência, ainda que sem classificação.

Porque também há esforço quando não há competição.

Há pernas cansadas. Há subidas que custam. Há momentos em que o ritmo baixa.

E há sempre alguém que espera por alguém.

É aí que começa a diferença.

A bicicleta como lugar de encontro

O cicloturismo tem algo que o cronómetro não consegue medir.

A conversa.

O reencontro.

A ajuda entre participantes.

A sensação de chegar ao fim com mais uma história para contar.

Na estrada, os 170 participantes deixaram de ser números e passaram a formar um grupo.

É essa dimensão humana que muitas vezes desaparece quando se olha para o ciclismo apenas das grandes provas.

Uma bicicleta pode servir para ganhar uma Volta.

Mas também pode servir para levar alguém a reencontrar velhos amigos numa manhã de domingo.

Segurança

A PSP de Trânsito da Amadora acompanhou o percurso, assegurando a segurança do pelotão, enquanto os Bombeiros da Amadora estiveram igualmente presentes.

O passeio terminou sem acidentes.

Pouco depois do meio-dia, os participantes regressaram ao lugar da partida, na Praceta da Terra da Bonita.

A missão estava cumprida.

Não havia vencedores.

Mas também não havia derrotados.

A reportagem não fica pelas bicicletas.

A Amadora tem uma história própria e foi o cenário desta jornada.

O ciclismo que não aparece

Talvez esta seja a parte do ciclismo que menos aparece.

Não há manchetes para quem chega a meio do pelotão.

Quem pedala nestas provas raramente aparece nas manchetes. Mas é também essa gente que mantém o ciclismo vivo.

Não há pódios para quem termina simplesmente feliz por ter chegado.

Mas sem essa gente, a bicicleta seria apenas uma máquina.

São as pessoas que fazem ciclismo.

E a 36.A ASA Classic Race voltou a demonstrá-lo.

Num domingo de setembro, cerca de 170 cicloturistas lembraram uma verdade simples: o ciclismo não precisa sempre de uma meta para ter sentido.

Às vezes, basta uma estrada.

Uma bicicleta.

E vontade de continuar.

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