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Destaque do Universo do Ciclismo e dos Desportos de Raquetes

Portugal passeia em Santa Tecla na Taça Davis

      🖋️ António Vieira Pacheco · 📅 18 de setembro 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️ 3 min · 🌱EMM    Portugal terminou o primeiro dia em Santa Tecla com uma vantagem de 2-0 sobre El Salvador. Nuno Borges confirmou o favoritismo e Jaime Faria conseguiu finalmente a primeira vitória em singulares pela Seleção na Taça Davis. O primeiro objetivo estava definido antes da eliminatória começar: Portugal tinha de sair de Santa Tecla na frente. Saiu melhor do que isso. Nuno Borges e Jaime Faria ganharam os dois primeiros singulares, ambos em dois sets, e colocaram El Salvador numa situação delicada antes do segundo dia. O ambiente da Taça Davis esteve lá — bancadas e camarotes repletos, vuvuzelas e o apoio constante ao conjunto da casa — mas Portugal não permitiu que esse fator tivesse influência. Foram duas vitórias portuguesas. E nenhuma delas chegou ao terceiro set. Borges fez o que se esperava Diego Duran tinha o público a apoiá-lo e uma op...

Tomás Mateus: “O que não quero perder de mim próprio é o foco e a humildade”

 🖋️ António Vieira Pacheco · 📅 4 agosto 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️ 5 min · 🌱EMM

Aos 17 anos, Tomás Mateus está prestes a abrir um novo capítulo numa carreira que começou ainda criança, nas escolas de ciclismo das Areias de São João, em Albufeira. No próximo dia 16, completa 18 anos e, quando soprar as velas, já terá definido um dos passos mais importantes do seu percurso: em 2027, vai vestir as cores da Team Visma | Lease a Bike Development.

O caminho até aqui foi construído sem atalhos. Começou a competir aos 12 anos, passou em 2025 pela formação algarvia DunasVale — Pereira & Gago e representa em 2026 a espanhola ElectroMercantil GR-100, numa temporada que lhe tem permitido medir forças com alguns dos melhores jovens corredores internacionais.

Os resultados ajudam a perceber a dimensão da evolução. Tomás foi 8.º na Vuelta Ciclista Internacional al Besaya, 17.º no Tour du Pays de Vaud, onde terminou no 3.º lugar da classificação da montanha, e 20.º no Tour Ain Bugey Valromey. Em Portugal, foi 9.º na Volta ao Concelho de Loulé, 4.º no Campeonato Nacional de Juniores de contrarrelógio e 3.º na prova de estrada sub-19.

Agora surge a Visma. Uma das estruturas mais reconhecidas do ciclismo mundial será o próximo ambiente de aprendizagem de um corredor que identifica a montanha e a alta montanha como algumas das principais características.

Mas o algarvio não chega a 2027 apenas com ambição desportiva. Aos 17 anos, parece ter a consciência de que entrar numa estrutura desta dimensão significa aprender a viver e a trabalhar num contexto completamente diferente: novos métodos, novas culturas, novas exigências e uma abordagem muito mais científica ao treino, à recuperação e à nutrição.

Há, contudo, duas coisas que não quer deixar para trás: o foco e a humildade.

Foi sobre a oportunidade que o levou à Team Visma | Lease a Bike Development, a temporada de 2026, a paixão pela montanha, Jonas Vingegaard e o que espera encontrar no próximo passo da carreira que conversámos em exclusivo com Tomás Mateus.

Tomás Mateus entrevistado.

Entrar no Mundo das Modalidades — Como surgiu a oportunidade de integrar a equipa de desenvolvimento da Team Visma | Lease a Bike?

Mateus Tomás — A oportunidade de integrar a equipa de atletas da Visma surgiu há alguns meses. Depois fui submetido a alguns exames, análises e tudo mais. Depois disso, tiveram de ser avaliados todos os valores e todas as condições enquanto atletas, tendo em conta o que a equipa queria. E, depois disso, recebi a confirmação e me propuseram o contrato.

EMM — Em que momento percebeu que isso podia mesmo acontecer?

MT — Só comecei a perceber que devia ser possível quando os meus valores correspondiam ao perfil que, no fundo, a equipa queria.

EMM — Quando recebeu a confirmação de que a equipa queria contar consigo, qual foi a primeira pessoa a quem contou?

MT — Quando recebi a confirmação de que o contrato tinha sido proposto, estava com os meus avós e o meu irmão. Ficámos bastante contentes.

EMM — Chega à Visma aos 18 anos e, nos primeiros momentos, ninguém sabe quem é. Prefere ser reconhecido rapidamente ou ter tempo para mostrar quem é?

MT — Não tenho nenhuma preferência. Gosto mais de demonstrar, com o tempo, que tipo de pessoa sou.

EMM — Aos 18 anos, entrará numa das principais estruturas internacionais. O que acha que vai descobrir primeiro: um ciclista melhor ou uma pessoa diferente?

MT — Entendo que, ao conseguir a entrada, aos 18 anos, numa das principais estruturas internacionais, vão conhecer-me melhor, tanto como ciclista como pessoa. Vou ter experiências em diferentes países e enfrentar novas adversidades. Por isso, julgo que vou descobrir uma pessoa melhor.

Jonas Vingegaard é o ídolo

Tomás Mateus lidera grupo.
EMM — Quem é o seu ídolo no ciclismo?

MT — O meu ídolo é, naturalmente, o Jonas Vingegaard.

EMM — Qual é a primeira coisa que não quer perder de si próprio na entrada na estrutura onde tudo será maior, mais profissional e mais exigente?

MT — O que não quero perder de mim próprio quando chegar à equipa é, julgo eu, o foco e a humildade.

EMM — Se pudesse estar apenas por cinco minutos na cabeça de um treinador da Visma antes de escolher um jovem corredor, o que gostaria de descobrir sobre o que procura?

MT — Se fosse um treinador da Visma, aquilo que gostaria de ver num atleta seria a dedicação e o foco em melhorar dia a dia, todo o empenho que esse ciclista tem e demonstra para melhorar, e o querer e a vontade de alcançar a sua melhor versão.

Tomás Mateus no contrarrelógio.

“Considero que será fácil adaptar-me”

EMM — O que pensa que será mais difícil nesta mudança: adaptar-se ao novo ambiente, lidar com a exigência desportiva ou integrar-se numa nova cultura?

MT — Não, penso que não será muito difícil, até porque falo inglês e acredito que será fácil adaptar-me ao ambiente. A própria exigência desportiva também não será um problema, porque já estou habituado a esse nível e acredito que os meus futuros colegas também estejam. Quanto às diferentes culturas, penso que será muito interessante conviver com várias nacionalidades, até porque quase todos os meus futuros colegas vêm de países diferentes.

A montanha como ponto forte

EMM — Há algum aspeto do seu ciclismo que gostaria particularmente de melhorar ou transformar na sua primeira temporada? E, por outro lado, que característica sente que já faz parte da sua identidade enquanto corredor?

MT — A característica que acho que já faz parte da minha identidade como ciclista passa um pouco pela montanha e, sobretudo, pela alta montanha. Quero apenas ter essa confirmação e desenvolver-me o melhor possível nessa área. Penso que é o meu ponto forte.

EMM Quando está longe da bicicleta, quem é o Tomás que poucas pessoas conhecem?

MT — O ciclismo ocupa uma grande parte da minha vida há alguns anos e, sobretudo no próximo ano, será ainda mais importante no meu dia a dia. Para além das bicicletas, gosto de passar tempo com a família e alguns amigos, mas procuro conciliar esses momentos de forma a que não interfiram no meu rendimento, especialmente quando as provas se aproximam.

EMM  — O que o Tomás, de 17 anos, ainda não sabe sobre o mundo do ciclismo e está prestes a descobrir?

MT — Tenho noção de que é um desporto super exigente e o que me reserva ainda será mais. Por isso, o que estou prestes a descobrir, acho que vai ser um pouco mais da parte científica do ciclismo, a maneira de treinar, a maneira de recuperar, toda a nutrição envolvente e acho que é um pouquinho mais. Estou prestes a descobrir um desporto mais cheio de pormenores, que acabam por fazer a diferença.

EMM — Imaginemos que estamos daqui a um ano, em agosto de 2027, depois da sua primeira temporada na Visma. O que teria de acontecer para olhar para trás e pensar: “Foi exatamente por isto que vim”?

 MT — Daqui a um ano espero estar a concretizar e com muito mais bagagem em termos de aprendizagem e tudo o que foi feito.

MT — Gostaria, daqui a um ano, em agosto de 2027, de olhar para o que fiz até esse momento e sentir que já fui importante para a equipa e para os meus colegas. E, naturalmente, espero também ter aproveitado alguma oportunidade que tenha surgido ao longo da temporada.

        Um salto que começa muito antes de 2027

Tomás Mateus ainda não começou a sua aventura na Visma, mas já sabe o que quer levar consigo quando chegar. A história que começou aos 12 anos, em Albufeira, conduziu-o a um dos projetos de formação mais ambiciosos do ciclismo internacional.

O salto é grande, mas o jovem algarvio não parece querer apressar o processo. Fala em aprender, em descobrir a dimensão científica do treino, da recuperação e da nutrição e em adaptar-se a um grupo marcado por diferentes nacionalidades. Ao mesmo tempo, identifica na montanha uma característica que pretende confirmar e desenvolver.

É precisamente aí que está o desafio de 2027: entrar numa estrutura de topo sem deixar de construir o próprio caminho.

Tomás Mateus vai encontrar uma realidade diferente, colegas novos e exigências distintas. Vai também encontrar a oportunidade que tantos jovens corredores procuram e poucos conseguem alcançar.

O objetivo, pelo menos por agora, está bem definido: acumular experiência, tornar-se importante para a equipa e estar preparado quando surgir a oportunidade.

A Visma será o próximo capítulo. O que Tomás Mateus fará com essa oportunidade será a história que começará a escrever em 2027.

Tomás Mateus no pódio.

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