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Tomás Mateus: “O que não quero perder de mim próprio é o foco e a humildade”
🖋️ António Vieira Pacheco · 📅 4 agosto 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️ 5 min · 🌱EMM
Aos 17 anos, Tomás Mateus está
prestes a abrir um novo capítulo numa carreira que começou ainda criança, nas
escolas de ciclismo das Areias de São João, em Albufeira. No próximo dia 16,
completa 18 anos e, quando soprar as velas, já terá definido um dos passos mais
importantes do seu percurso: em 2027, vai vestir as cores da Team
Visma | Lease a Bike Development.
O caminho até aqui foi
construído sem atalhos. Começou a competir aos 12 anos, passou em 2025 pela
formação algarvia DunasVale — Pereira & Gago e representa em 2026 a
espanhola ElectroMercantil GR-100, numa temporada que lhe tem permitido medir
forças com alguns dos melhores jovens corredores internacionais.
Os resultados ajudam a
perceber a dimensão da evolução. Tomás foi 8.º na Vuelta Ciclista Internacional
al Besaya, 17.º no Tour du Pays de Vaud, onde terminou no 3.º lugar da
classificação da montanha, e 20.º no Tour Ain Bugey Valromey. Em Portugal, foi
9.º na Volta ao Concelho de Loulé, 4.º no Campeonato Nacional de Juniores de
contrarrelógio e 3.º na prova de estrada sub-19.
Agora surge a Visma. Uma das
estruturas mais reconhecidas do ciclismo mundial será o próximo ambiente de
aprendizagem de um corredor que identifica a montanha e a alta montanha como
algumas das principais características.
Mas o algarvio não chega a
2027 apenas com ambição desportiva. Aos 17 anos, parece ter a consciência de
que entrar numa estrutura desta dimensão significa aprender a viver e a
trabalhar num contexto completamente diferente: novos métodos, novas culturas,
novas exigências e uma abordagem muito mais científica ao treino, à recuperação
e à nutrição.
Há, contudo, duas coisas que
não quer deixar para trás: o foco e a humildade.
Foi sobre a oportunidade que o
levou à Team Visma | Lease a Bike Development, a temporada de 2026, a paixão
pela montanha, Jonas Vingegaard e o que espera encontrar no próximo passo da
carreira que conversámos em exclusivo com Tomás Mateus.
Entrar no Mundo das
Modalidades — Como surgiu a oportunidade de integrar a equipa de
desenvolvimento da Team Visma | Lease a Bike?
Mateus Tomás — A
oportunidade de integrar a equipa de atletas da Visma surgiu há alguns meses.
Depois fui submetido a alguns exames, análises e tudo mais. Depois disso,
tiveram de ser avaliados todos os valores e todas as condições enquanto
atletas, tendo em conta o que a equipa queria. E, depois disso, recebi a confirmação e me propuseram o contrato.
EMM — Em que momento percebeu
que isso podia mesmo acontecer?
MT — Só
comecei a perceber que devia ser possível quando os meus valores correspondiam
ao perfil que, no fundo, a equipa queria.
EMM — Quando recebeu a
confirmação de que a equipa queria contar consigo, qual foi a primeira pessoa a
quem contou?
MT — Quando recebi a confirmação de que o contrato tinha sido proposto, estava com os meus avós e o meu irmão. Ficámos bastante contentes.
EMM — Chega à Visma aos 18
anos e, nos primeiros momentos, ninguém sabe quem é. Prefere ser reconhecido
rapidamente ou ter tempo para mostrar quem é?
MT — Não tenho nenhuma preferência. Gosto mais de demonstrar, com o tempo, que tipo
de pessoa sou.
EMM — Aos 18 anos, entrará
numa das principais estruturas internacionais. O que acha que vai descobrir
primeiro: um ciclista melhor ou uma pessoa diferente?
MT — Entendo
que, ao conseguir a entrada, aos 18 anos, numa das principais estruturas internacionais, vão
conhecer-me melhor, tanto como ciclista como pessoa. Vou ter experiências em
diferentes países e enfrentar novas adversidades. Por isso, julgo que vou
descobrir uma pessoa melhor.
Jonas Vingegaard é o ídolo
EMM — Quem é o seu ídolo no ciclismo?
MT — O meu
ídolo é, naturalmente, o Jonas Vingegaard.
EMM — Qual é a primeira coisa
que não quer perder de si próprio na entrada na estrutura onde tudo será
maior, mais profissional e mais exigente?
MT — O que
não quero perder de mim próprio quando chegar à equipa é, julgo eu, o foco e a
humildade.
EMM — Se pudesse estar apenas
por cinco minutos na cabeça de um treinador da Visma antes de escolher um jovem
corredor, o que gostaria de descobrir sobre o que procura?
MT — Se
fosse um treinador da Visma, aquilo que gostaria de ver num atleta seria a
dedicação e o foco em melhorar dia a dia, todo o empenho que esse ciclista tem
e demonstra para melhorar, e o querer e a vontade de alcançar a sua melhor
versão.
“Considero que será fácil adaptar-me”
EMM — O que pensa que
será mais difícil nesta mudança: adaptar-se ao novo ambiente, lidar com a
exigência desportiva ou integrar-se numa nova cultura?
MT — Não, penso que
não será muito difícil, até porque falo inglês e acredito que será fácil
adaptar-me ao ambiente. A própria exigência desportiva também não será um
problema, porque já estou habituado a esse nível e acredito que os meus futuros
colegas também estejam. Quanto às diferentes culturas, penso que será muito
interessante conviver com várias nacionalidades, até porque quase todos os meus
futuros colegas vêm de países diferentes.
A montanha como ponto forte
EMM — Há algum aspeto do seu
ciclismo que gostaria particularmente de melhorar ou transformar na sua
primeira temporada? E, por outro lado, que característica sente que já faz
parte da sua identidade enquanto corredor?
MT — A
característica que acho que já faz parte da minha identidade como ciclista
passa um pouco pela montanha e, sobretudo, pela alta montanha. Quero apenas ter
essa confirmação e desenvolver-me o melhor possível nessa área. Penso que é o
meu ponto forte.
EMM — Quando
está longe da bicicleta, quem é o Tomás que poucas pessoas conhecem?
MT — O
ciclismo ocupa uma grande parte da minha vida há alguns anos e, sobretudo no
próximo ano, será ainda mais importante no meu dia a dia. Para além das
bicicletas, gosto de passar tempo com a família e alguns amigos, mas procuro
conciliar esses momentos de forma a que não interfiram no meu rendimento,
especialmente quando as provas se aproximam.
EMM — O que o Tomás, de 17 anos, ainda não sabe
sobre o mundo do ciclismo e está prestes a descobrir?
MT — Tenho
noção de que é um desporto super exigente e o que me reserva ainda será mais.
Por isso, o que estou prestes a descobrir, acho que vai ser um pouco mais da
parte científica do ciclismo, a maneira de treinar, a maneira de recuperar,
toda a nutrição envolvente e acho que é um pouquinho mais. Estou prestes a
descobrir um desporto mais cheio de pormenores, que acabam por fazer a
diferença.
EMM — Imaginemos que estamos
daqui a um ano, em agosto de 2027, depois da sua primeira temporada na Visma. O
que teria de acontecer para olhar para trás e pensar: “Foi exatamente por isto
que vim”?
MT — Daqui a um ano espero estar
a concretizar e com muito mais bagagem em termos de aprendizagem e tudo o que
foi feito.
MT — Gostaria, daqui a um ano, em agosto de 2027, de olhar para o que fiz até esse momento e sentir que já fui importante para a equipa e para os meus colegas. E, naturalmente, espero também ter aproveitado alguma oportunidade que tenha surgido ao longo da temporada.
Um salto que começa muito antes de 2027
Tomás Mateus ainda não começou
a sua aventura na Visma, mas já sabe o que quer levar consigo quando chegar. A
história que começou aos 12 anos, em Albufeira, conduziu-o a um dos projetos
de formação mais ambiciosos do ciclismo internacional.
O salto é grande, mas o jovem
algarvio não parece querer apressar o processo. Fala em aprender, em descobrir
a dimensão científica do treino, da recuperação e da nutrição e em adaptar-se a
um grupo marcado por diferentes nacionalidades. Ao mesmo tempo, identifica na
montanha uma característica que pretende confirmar e desenvolver.
É precisamente aí que está o
desafio de 2027: entrar numa estrutura de topo sem deixar de construir o
próprio caminho.
Tomás Mateus vai encontrar uma
realidade diferente, colegas novos e exigências distintas. Vai também encontrar a
oportunidade que tantos jovens corredores procuram e poucos conseguem alcançar.
O objetivo, pelo menos por
agora, está bem definido: acumular experiência, tornar-se importante para a
equipa e estar preparado quando surgir a oportunidade.
A Visma será o próximo
capítulo. O que Tomás Mateus fará com essa oportunidade será a história
que começará a escrever em 2027.
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