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Tiago Antunes: “Perdi para o melhor”
🖋️ António Vieira Pacheco · 📅 24 agosto 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️3 min · 🌱EMM
O campeão do contrarrelógio atacou, resistiu aos italianos e acabou em segundo na prova de fundo. No adeus a Taranto'2026, o português soma duas medalhas e assume que esta é a melhor época da carreira.
Tiago Antunes queria o ouro.
Não escondeu esse objetivo. Dois dias após se sagrar campeão no contrarrelógio,
o ciclista português voltou à estrada nos Jogos do Mediterrâneo Taranto'2026
com a ambição de repetir a vitória. Não conseguiu o segundo ouro, mas
conquistou a prata e despediu-se da competição italiana com duas medalhas.
E houve muito trabalho
coletivo por trás desse resultado.
A seleção portuguesa correu
com um objetivo comum e colocou Antunes na frente na fase decisiva da prova. O
ciclista do Bombarral respondeu com um ataque que deixou apenas dois italianos
na sua companhia.
No final dos 133,3
quilómetros, Tommaso Dati foi mais rápido no sprint e conquistou o ouro.
Antunes terminou com o mesmo tempo, 2:59.52 horas, enquanto Federico Iacomoni
fechou o pódio, a um segundo.
E o português fez questão de
reconhecer o trabalho dos colegas.
“Todos vestiram o espírito de representar a bandeira de Portugal; todos corremos com um objetivo e, no
final, obtivemos uma medalha.”
Portugal trabalhou para Antunes
A prova começou com Georgio
Bouglas, Mihael Stajnar, Ognjen Ilic e Ahmet Örken a tentarem ganhar vantagem
nos primeiros quilómetros.
A fuga acabou por perder força
quando cerca de uma dezena de corredores saiu do pelotão. Entre eles estavam Antunes
e Rafael Reis.
Reis teve um papel importante
na perseguição, trabalhando durante vários quilómetros para alcançar primeiro o
quarteto da frente e depois aproximar o grupo de Bogdan Zabelinskiy.
O ciclista cipriota seria
alcançado a 46 quilómetros da meta.
Foi então que Antunes atacou.
O campeão do contrarrelógio
acelerou e conseguiu levar consigo apenas os italianos Tommaso Dati e Federico
Iacomoni.
O trio ganhou mais de 40
segundos do grupo perseguidor, no qual seguia Pedro Silva, que terminou a prova
na sétima posição, a 1,34 minutos do vencedor.
A seleção portuguesa tinha
conseguido colocar o seu principal candidato à vitória na frente.
Mas ainda faltava a parte mais
difícil.
“O percurso não era tão duro
como queríamos para o nosso género de corredor, para as nossas características.
Tentámos endurecer tudo ao máximo, na última subida do dia eu tentei atacar
para me isolar, infelizmente seguiram dois italianos comigo.”
À entrada dos últimos dez
quilómetros, o trio tinha cerca de um minuto de vantagem.
Depois começaram os ataques.
A menos de quatro quilómetros
da meta, os italianos começaram a testar Antunes, que respondeu às tentativas
de Dati e Iacomoni.
O português resistiu.
Mas havia um problema: Tommaso
Dati era o mais rápido.
“Perdi para o melhor”
No sprint final, Antunes
tentou a sua cartada.
Não chegou para vencer.
Dati confirmou as credenciais
de velocista e conquistou a medalha de ouro, deixando ao português a prata.
Antunes não procurou desculpas
e foi perentório.
“No final, tentei jogar a
minha cartada ao sprint, mas não foi possível.”
O português sabia que tinha
pela frente um adversário particularmente perigoso.
“Eu considero-me um corredor rápido, mas sabíamos de antemão que aquele corredor era bastante perigoso; já tinha vencido várias corridas na discussão ao sprint este ano.”
E resumiu a corrida com uma
frase de enorme desportivismo:
“Perdi a corrida, mas sinto
que perdi para o melhor.”
“É uma época difícil de superar”
A prata em Taranto reforça uma
temporada que Antunes considera a melhor da carreira.
Aos 29 anos, o corredor do
Bombarral já tinha conquistado a Volta ao Alentejo, terminado em sexto na Volta
a Portugal e, em Taranto, acrescentado o ouro no contrarrelógio e a prata na
prova de fundo.
Quando questionado sobre se
este foi o feito da época, não hesitou:
“Sem dúvida alguma.”
E explicou:
“Já o era até à data, já o era
até à Volta a Portugal e agora acho que é uma época difícil de superar.”
Os resultados dão-lhe razões
para pensar assim.
Duas medalhas e uma fatia de
pizza
Depois do ouro no
contrarrelógio, a seleção portuguesa não teve muito tempo para festejar. A
prova de fundo estava apenas dois dias depois e a prioridade passou rapidamente
para a recuperação.
Agora, com a segunda medalha
conquistada, Antunes já pode finalmente celebrar.
E até sabe como.
“Tentámos manter a calma;
sabíamos que havia outra corrida dentro de dois dias e o importante era
recuperar. Recuperámos bastante bem. Demonstrámos, outra vez, o nosso valor.
Agora sim, acho que hoje merecemos uma fatia de pizza.”
Depois de um ouro e uma prata,
a pizza parece bem merecida.
Quanto às férias, José Azevedo
terá de esperar.
Questionado pela Lusa se solicitaria descanso ao diretor desportivo da Efapel, Antunes respondeu com um
sorriso, mas deixou claro que não pensa em parar.
“Gosto daquilo que faço enquanto houver corridas; darei o meu melhor. Seja por Portugal, seja pela
Efapel.”
Taranto'2026 termina, assim,
com duas medalhas para Tiago Antunes: ouro no contrarrelógio e prata na
prova de fundo.
O segundo ouro escapou no
sprint.
Mas Portugal saiu da estrada
italiana com uma medalha conquistada através de um verdadeiro trabalho coletivo,
enquanto Antunes sai de Taranto com mais uma confirmação de que está a viver a
melhor época da carreira.
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