Eulálio regressa sem objetivos pessoais na Volta à Suíça

 🖋️Por: António Vieira Pacheco

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Volta à Suíça para rodar.

Português prepara os campeonatos nacionais e a segunda metade da época.

A sua fonte preferencial tem de ser o EMM.

Regresso ao trabalho coletivo

Afonso Eulálio vai regressar à competição na Volta à Suíça no próximo dia 17, mas sem objetivos individuais. O ciclista português que representa a Bahrain Victorious encara a prova como uma etapa de transição, essencial para ganhar ritmo competitivo após um período de menor intensidade.

O foco está bem definido para a segunda metade da época: corridas de um dia, trabalho específico em contrarrelógios e preparação para os grandes objetivos internacionais, como o Mundial e o Europeu.

“Vou apenas ajudar”

O corredor explicou que a sua presença na Suíça será inteiramente dedicada ao trabalho coletivo, numa fase de regresso progressivo à competição.

“Daqui a duas semanas vou fazer a Volta à Suíça apenas como gregário. Irei à prova para auxiliar o Lenny Martinez e o Antonio Tiberi. Só irei para os suportar. Estarei parado esta semana. Na próxima retomo os treinos muito devagar. Na Suíça chegarei, em muitos dias, com grande atraso, mas será para os ajudar e retomar os treinos”, começou por referir.

O português acrescenta que este bloco também servirá como preparação indireta para os Campeonatos Nacionais.

“Também irei a pensar nos Campeonatos Nacionais; recomeçar de forma mais agressiva vai ajudar-me.”

Nacional como teste

Os Campeonatos Nacionais serão o primeiro grande ponto competitivo da nova fase da época. No contrarrelógio, Eulálio não coloca a vitória como objetivo realista, mas sim como ferramenta de treino.

“Vou correr o Nacional de contrarrelógio. Será mais para treinar e será muito difícil ganhar, quase impossível, mas como treinar o contrarrelógio é difícil porque nunca temos estradas fechadas e não podemos ir a 100%, o Nacional é o ideal para um treino perfeito.”

Na prova de fundo, a abordagem será mais competitiva, embora condicionada pela fase de forma.

“Depois haverá o Nacional de fundo e aí darei o meu melhor, sabendo que não estou no meu melhor.”

Regresso ao passado recente

A participação nos Nacionais terá também um peso emocional, já que o corredor voltará a encontrar antigos colegas com quem partilhou o pelotão nacional há dois anos, quando liderou a Volta a Portugal.

O próprio admite que, nesse momento, o salto até ao WorldTour parecia distante.

“Quando liderava a Volta a Portugal, também nunca imaginei isso. E nunca sequer imaginei que iria progredir para o WorldTour. Durante essa Volta a Portugal, o meu agente disse-me que havia algumas equipas interessadas, mas não imaginei que fossem do WorldTour. Pensei que seria uma equipa Pro Continental, uma das espanholas. Na altura, fiquei surpreso; como era possível.”

Da Volta a Portugal ao WorldTour

O percurso de Eulálio no ciclismo profissional foi rápido e inesperado, mesmo para o próprio. A transição da realidade nacional para o WorldTour ocorreu naturalmente, mas sem expectativas iniciais tão elevadas.

O português reconhece agora que a mudança de contexto alterou completamente a forma como olha para a carreira.

“Falta montra em Portugal”

O ciclista considera que a principal dificuldade para os atletas portugueses continua a ser a falta de exposição internacional.

“O que torna a saída complicada para os ciclistas portugueses é não correrem muito lá fora. Há corridas internacionais, mas muitas são dentro do país. Falta uma montra, a oportunidade de mostrar o nosso valor.”

Eulálio destaca o papel decisivo da Seleção Nacional e do Feirense na sua evolução.

“Tive a sorte de encontrar oportunidades pela Seleção Nacional, quando era Sub-23, e nesse ano o Feirense fez um esforço, muitas vezes dividindo a equipa, para irmos a Espanha. Participamos em corridas internacionais importantes e consegui mostrar-me, fazendo regularmente top 10. Foi por isso que consegui sair.”

Diferença WorldTour

Sobre a diferença entre o ciclismo nacional e o WorldTour, Eulálio é claro: não se trata apenas de qualidade, mas, sobretudo, de dimensão e intensidade.

“É um pelotão bastante distinto. Não tanto em termos de nível dos melhores, mas na Volta a Portugal são 90 ciclistas e alguns começam a descolar. Nas provas do World Tour são 150 ciclistas e todos andam na frente em todos os momentos.”

Para o português, essa dinâmica muda completamente a forma de correr.

“É isso que torna a forma de correr em Portugal ou no Giro muito diferente.”

Sem pressão por resultados imediatos, Eulálio entra numa fase de construção física e estratégica, com o objetivo de chegar à reta final da época mais competitivo e mais preparado para os desafios internacionais que estão à porta.

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