Afonso Eulálio revela o próximo passo para 2027: “Penso que vou fazer o Tour”

  🖋️Por: António Vieira Pacheco

📸 Créditos: Direitos Reservados

⏱️ Tempo de leitura:  3 minutos


Depois do sexto lugar e da camisola branca no Giro, o português admite que os planos mudaram e aponta para a sua estreia na Volta a França já em 2027.


Durante três semanas, Afonso Eulálio passou de gregário a uma das grandes figuras da Volta a Itália. Vestiu a camisola rosa durante nove dias, conquistou a classificação da juventude e terminou num histórico sexto lugar na geral. Dias depois da conclusão da corrida, já longe da pressão das montanhas italianas, o português começou a olhar para o futuro.

E esse futuro poderá passar pela maior corrida do mundo.

Numa conferência de imprensa promovida pela Bahrain Victorious, o corredor da Figueira da Foz revelou que a Volta a França surge agora como o passo natural na sua evolução, numa mudança de planos diretamente influenciada pelo desempenho alcançado no Giro.

“Na minha cabeça, e penso que para a equipa também, os planos vão mudar”, assumiu.

A ideia passa por continuar a crescer sem a pressão da classificação geral. Após um final de temporada focado nas clássicas, Eulálio acredita que a estreia no Tour poderá ocorrer á no próximo ano.

“Penso que vou fazer o Tour. É uma das melhores corridas do mundo, aquela que todas as pessoas querem fazer”, afirmou.

Apesar do impacto causado no Giro, o português afasta, para já, qualquer ambição relacionada com a luta pela geral na prova francesa.

“Vou fazer o Tour completamente relaxado, sem correr para a geral. Irei para auxiliar os líderes, procurar uma etapa e continuar a minha evolução.”

A prudência contrasta com a dimensão dos resultados alcançados em Itália. Quando partiu para o Giro, Eulálio estava longe de imaginar que terminaria entre os melhores da corrida.

“Quando começou o Giro ia apenas como gregário. Fui para auxiliar o Santiago Buitrago”, recordou.

A queda do líder da Bahrain Victorious abriu portas a novas oportunidades e o português aproveitou-as da melhor forma. Uma fuga bem-sucedida alterou completamente o rumo da corrida.

“Entrei numa fuga, lutei pela etapa e fiquei com vantagem na geral. Falámos na equipa e decidimos correr pela classificação geral. Se não corresse bem, não se perdia nada. Ganhava experiência.” 

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A estratégia acabaria por resultar muito melhor do que qualquer previsão inicial.

Além da camisola branca e do sexto lugar final, Eulálio tornou-se apenas o quarto português de sempre a terminar a Volta a Itália no top 10.

Ainda assim, há um objetivo que continua a faltar.

Queria muito ganhar uma etapa”, confessou. “Mas, no final, tudo se tornou tão grande que a vitória acabou  em segundo plano.”

Apesar das inevitáveis comparações com João Almeida, sobretudo pelo percurso semelhante feito no Giro, Eulálio prefere manter os pés bem assentes na terra.

“O João é o João. Quem me dera ter as pernas dele”, afirmou entre sorrisos.

Mais do que isso, considera o corredor da UAE Team Emirates-XRG uma referência absoluta do ciclismo mundial.

“É um dos melhores ciclistas de sempre, não apenas de Portugal. É um dos poucos que conseguem bater-se com Jonas Vingegaard.”

O próprio admite que continua numa fase de aprendizagem e acredita que uma nova aposta séria na classificação geral de uma Grande Volta poderá demorar algum tempo.

“Provavelmente só daqui a dois anos poderei voltar a tentar algo pela geral de uma Grande Volta.”

Até lá, o plano passa por continuar a crescer sem saltar etapas.

O Giro confirmou o potencial. O Tour poderá ser o próximo capítulo.

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