A “última subida” de Caruso ao lado de Eulálio

  🖋️Por: António Vieira Pacheco

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A ilustração da proteção da equipa a Afonso Eulálio.

Um veterano na sombra da rosa

Num pelotão onde os mais jovens perseguem glória e futuro, Damiano Caruso parece pedalar numa dimensão diferente. Aos 38 anos, o italiano aproxima-se silenciosamente do fim da carreira, mas encontrou no inesperado aparecimento de Afonso Eulálio uma nova razão para prolongar os últimos capítulos da sua história no Giro.

O veterano da Bahrain Victorious já conheceu quase tudo na corrida italiana. Subiu ao pódio final em 2021, venceu etapas, trabalhou para líderes e atravessou os Alpes em dias de glória e sofrimento. Agora, vive o Giro de outra forma: como guardião da camisola rosa portuguesa.

“Vivo uma experiência completamente diferente com o Afonso”, confessou Caruso. “Defender a camisola rosa tem sido incrível.”

As palavras do italiano carregam o peso de quem já viu gerações passarem pelo ciclismo. Desta vez, porém, o veterano não luta por si. Nas estradas inclinadas do Giro, transformou-se num escudo para Eulálio, protegendo-o do vento, das quedas e da pressão crescente da corrida.

“Gosto muito de ajudar um jovem tão promissor”, acrescentou. “É uma honra e uma forma diferente de fazer o meu último Giro.”

Os Alpes e o adeus

Enquanto os Alpes se aproximam como muralhas cinzentas sobre o pelotão, Caruso sabe que a corrida ainda pode mudar como um relâmpago inesperado. A última semana promete jornadas longas, desgaste extremo e ataques constantes dos favoritos.

“Ainda há muita montanha pela frente e ele vai ter de sofrer”, avisou o italiano.

Mas mesmo perante a dureza que se aproxima, Caruso parece encontrar satisfação no simples facto de continuar ali, no coração da batalha, agora num papel diferente daquele que desempenhou durante grande parte da carreira.

No crepúsculo da sua passagem pelo ciclismo profissional, o italiano escolheu terminar não como protagonista isolado, mas como mentor silencioso de uma das grandes surpresas deste Giro.

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