A “última subida” de Caruso ao lado de Eulálio
🖋️Por: António Vieira Pacheco
📸 Créditos: Direitos Reservados
⏱️ Tempo de leitura: 3 minutos
Um veterano na sombra da rosa
Num pelotão onde os mais jovens
perseguem glória e futuro, Damiano Caruso parece pedalar numa dimensão
diferente. Aos 38 anos, o italiano aproxima-se silenciosamente do fim da
carreira, mas encontrou no inesperado aparecimento de Afonso Eulálio uma nova razão
para prolongar os últimos capítulos da sua história no Giro.
O veterano da Bahrain Victorious já
conheceu quase tudo na corrida italiana. Subiu ao pódio final em 2021, venceu
etapas, trabalhou para líderes e atravessou os Alpes em dias de glória e
sofrimento. Agora, vive o Giro de outra forma: como guardião da camisola rosa
portuguesa.
“Vivo uma experiência completamente
diferente com o Afonso”, confessou Caruso. “Defender a camisola rosa tem sido incrível.”
As palavras do italiano carregam o
peso de quem já viu gerações passarem pelo ciclismo. Desta vez, porém, o
veterano não luta por si. Nas estradas inclinadas do Giro, transformou-se num
escudo para Eulálio, protegendo-o do vento, das quedas e da pressão crescente
da corrida.
“Gosto muito de ajudar um jovem tão
promissor”,
acrescentou. “É uma honra e uma forma diferente de fazer o meu último Giro.”
Os Alpes e o adeus
Enquanto os Alpes se aproximam como
muralhas cinzentas sobre o pelotão, Caruso sabe que a corrida ainda pode mudar como um relâmpago inesperado. A última semana promete jornadas longas, desgaste extremo e
ataques constantes dos favoritos.
“Ainda há muita montanha pela frente
e ele vai ter de sofrer”, avisou o italiano.
Mas mesmo perante a dureza que se
aproxima, Caruso parece encontrar satisfação no simples facto de continuar ali,
no coração da batalha, agora num papel diferente daquele que desempenhou
durante grande parte da carreira.
No crepúsculo da sua passagem pelo ciclismo profissional, o italiano escolheu terminar não como protagonista
isolado, mas como mentor silencioso de uma das grandes surpresas deste Giro.
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