🖋️Por: António Vieira Pacheco
📸 Créditos: Federação Portuguesa de Ténis
⏱️ Tempo de leitura: 3 minutos
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| A representação portuguesa no torneio de ténis de sub-14 da capital norueguesa. |
Há lugares onde vencer tem um
significado diferente. Onde o frio testa a paciência, o silêncio impõe respeito
e cada ponto exige mais do que talento: exige maturidade. Em Oslo, sob um céu
cinzento e disciplinado como o ténis nórdico, Madalena Sousa encontrou
luz. E não uma luz qualquer, brilhou como a aurora boreal, rara, firme e
impossível de ignorar.
A jovem tenista do Clube de Ténis do
Jamor sagrou-se campeã de singulares no Malling Tennis Europe U14, torneio integrado no circuito do Tennis Europe realizado na capital norueguesa, confirmando o
estatuto de principal cabeça de série e assinando a mais marcante prestação
portuguesa da semana.
Caminho firme no frio do Norte
Num torneio exigente, em que o ritmo é
constante e os erros se pagam caro, Madalena Sousa avançou ronda após ronda com
autoridade. Pelo caminho afastou várias adversárias internacionais e também a
compatriota Rita Lobo, que chegou às meias-finais vinda do qualifying,
num sinal claro da profundidade crescente do ténis jovem português.
Na final, diante da britânica Honey
Robinson, Madalena demonstrou maturidade competitiva. Após ceder o primeiro
‘set’, reagiu com inteligência, alterou padrões, subiu a agressividade nos
momentos certos e fechou o encontro com os parciais de 3-6, 6-3 e 7-6,
num desfecho que exigiu nervos de aço e capacidade para decidir sob pressão.
Foi uma vitória de cabeça fria num
ambiente gelado. Daquelas que valem mais do que um troféu.
Quase perfeito também em pares
O brilho de Madalena não se limitou
aos singulares. Ao lado de Carmo Rodrigues, a portuguesa chegou
igualmente à final de pares, ficando a um passo de uma decisão totalmente lusa.
Antes disso, o duo superou as meias-finais num encontro disputado, após Victoriya
Olenych e Rita Lobo terem sido afastadas nessa ronda.
Na final, Madalena Sousa e Carmo
Rodrigues cederam frente à italiana Rebecca Francia e à ucraniana Yeva
Girnyk, por 6-1, 2-6 e 10-3, num encontro equilibrado até ao super
tie-break. Ainda assim, a presença na decisão reforçou a consistência
competitiva da dupla portuguesa ao longo da semana.
Base
alargada no feminino
Para além das jogadoras integradas no
Touring Team da Federação Portuguesa de Ténis, Portugal contou ainda com
a participação de Victoriya Olenych e de Francisca Correia,
vice-campeã nacional de sub-12. Ambas escorregaram na ronda inaugural dos
singulares, mas a experiência internacional num contexto tão exigente
representa mais um passo no processo de crescimento competitivo.
A presença alargada confirma uma
realidade: o ténis feminino jovem português não depende de um único nome. Há
grupo, existe continuidade e há também margem de evolução.
Masculinos também deram sinais
Na prova masculina, Portugal mostrou
que o futuro também se constrói do outro lado do quadro. Marco Henriques,
vindo do qualifying, e João Vicente Pinto foram os atletas nacionais que
chegaram mais longe nos singulares, alcançando os oitavos de final após
encontros disputados e fisicamente exigentes.
Em pares, ambos discutiram igualmente
os quartos de final, tal como David Gomes e Alexandre
Calheiros, que, apesar de terem ficado pela ronda inaugural em singulares,
mostraram competitividade na variante de pares. Num torneio em que o detalhe
separa vitórias de derrotas, a presença consistente dos portugueses nas rondas
intermédias confirma progresso e capacidade de adaptação ao circuito europeu.
Oslo como ponto de partida
Vencer na Noruega não é apenas ganhar
um torneio. É aprender a competir longe de casa, em condições adversas, contra
estilos diferentes e sob um ritmo que não perdoa distrações. Madalena Sousa
fez-o com distinção, mas o verdadeiro triunfo português em Oslo foi coletivo.
Entre o título, as finais, as
meias-finais e as campanhas sólidas nos quadros masculino e feminino, Portugal
saiu do Malling Tennis Europe U14 com resultados, confiança e sinais claros de
futuro. Sob a aurora boreal, não houve improviso: houve trabalho, talento e
identidade.
E quando uma geração aprende a ganhar no frio do Norte, o caminho para palcos maiores começa a desenhar-se com clareza.
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