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Destaque do Universo do Ciclismo e dos Desportos de Raquetes

Rodrigo Jesus dá o salto para a Lidl-Trek e aproxima-se do WorldTour

António Vieira Pacheco 1 de novembro de 2026 DIREITOS RESERVADOS — EMM Leitura estimada: 2 min Rodrigo Jesus vai prosseguir a sua carreira na Lidl-Trek, integrando o projeto de desenvolvimento da formação norte-americana ligada ao World Tour. Aos 18 anos, o jovem português dá um passo importante na evolução desportiva, depois de uma temporada de afirmação entre os juniores. Talento em afirmação Figura de destaque da Academia Efapel, Rodrigo Jesus tem no contrarrelógio uma das suas principais especialidades. Em 2025, conquistou o título nacional de juniores nesta disciplina, tendo terminado como vice-campeão na presente temporada. O ciclista português representou igualmente Portugal nos Mundiais de Montreal, onde alcançou o 30.º lugar no contrarrelógio, mas não concluiu a prova de fundo. Uma época de conquistas A temporada ficou ainda marcada pela conquista da Taça de Portugal de Juniores e da XXXI Volta ao Concelho de Loulé, duas vitórias que reforçaram o estatuto de Rod...

Gabriel Rodrigues: “Representar Portugal é uma escolha de coração, orgulho e identidade”

🖋️Por: António Vieira Pacheco

📸 Créditos: Federação Portuguesa de Badminton

⏱️ Tempo de leitura: 6 minutos

Gabriel Rodrigues atento à resposta adversária com o seu amigo Diogo Glória a executar um smash.
Gabriel Rodrigues atento ao desenrolar da jogada na partida de pares.

Gabriel Rodrigues nasceu a 15 de abril de 2002, em Berre-l’Étang, no sul da França, perto de Marselha. Filho de mãe francesa e pai português, cresceu entre duas culturas que influenciaram profundamente a sua identidade pessoal e desportiva. França e Portugal fazem parte de quem é, dentro e fora do campo.

Viveu em França até aos 19 anos, altura em que decidiu mudar-se para as Caldas da Rainha, onde passou três anos a viver e a treinar, em Portugal. Foi uma fase muito importante para o seu crescimento pessoal e desportivo. Atualmente, regressou à região de Marselha, onde continua a treinar e a evoluir no badminton de alto rendimento.

Além da carreira desportiva no badminton, sempre valorizou os estudos. É licenciado em Matemática e encontra-se atualmente a frequentar um mestrado em Informática. Procura manter um equilíbrio entre a exigência do desporto e a formação académica, acreditando que ambas se complementam e contribuem para o seu desenvolvimento global.

A sua vida é marcada por uma forte ligação entre os dois países. Representar Portugal no badminton é uma escolha de coração. Sempre que veste a camisola da Seleção Nacional, sente orgulho, responsabilidade e uma motivação extra para dar o seu melhor. É internacional português desde 2020 e conquistou várias medalhas em competições de juniores.

Entrar no Mundo das Modalidades — Nasceu e cresceu na França, mas tem raízes e ligações muito fortes com Portugal. De que forma essa identidade entre dois países influencia o seu percurso desportivo e pessoal.

Gabriel Rodrigues — Fora do campo, sinto-me privilegiado por poder viver entre várias culturas e falar diferentes línguas. É uma aprendizagem constante, sobretudo pela  influência das duas partes da minha família. Dentro do campo é igual porque aprendi com treinadores franceses e portugueses. Cada um tem as suas próprias ideias e aprendi muito de cada lado.

EMM — Quando percebeu que o badminton podia ser mais do que um passatempo e tornar-se uma carreira?

GR — Percebi isso quando tinha mais ou menos 14 ou 15 anos. A participação em torneios internacionais e o aumento da intensidade dos treinos nessa fase permitiram-me começar a obter melhores resultados. Foram esses resultados que me deram vontade de fazer mais e alcançar mais.

EMM — Que papel teve a sua família no seu percurso no badminton?

GR — Iniciei a prática da modalidade por influência do meu tio, que também era praticante. Sem a minha família, dificilmente teria descoberto o badminton. Até porque ele foi o meu primeiro treinador e uma peça fundamental no meu desenvolvimento como atleta.

EMM — Representar a Seleção Nacional, mesmo tendo sido formado desportivamente em França, implica uma responsabilidade acrescida?

GR — Representar a Seleção Nacional é um orgulho enorme. Escolhi representar Portugal e, quando jogo com a camisola da seleção, dou sempre o meu melhor. É uma grande responsabilidade, uma vez que os mais jovens nos observam, pelo que é fundamental dar sempre o exemplo, dentro e fora do campo.

EMM — Em três palavras, como descreve a diferença entre jogar em França e em Portugal?

GR — É o mesmo desporto, com as mesmas regras, mas as comparações não são justas, já que cada país tem realidades estruturais e níveis de investimento bem diferentes. Mas se tivesse de escolher três palavras, diria: densidade de jogadores, experiência de alto nível e profissionalismo. Quando há mais investimento, há mais estrutura, mais jogadores e mais oportunidades — está tudo ligado.

EMM — O modelo francês de formação prepara melhor os atletas para o profissionalismo?

GR — O sistema francês proporciona uma melhor preparação dos atletas, fruto de maior investimento e melhores condições desde as fases mais precoces da formação. A realidade financeira é diferente. Há muito mais estrutura profissional: centros de alto rendimento em cada região, dois centros federais (Bordeaux e Strasbourg) e o centro de alto rendimento em Paris para a seleção sénior. E isto sem contar com as academias privadas e com os clubes que dispõem de centros próprios, com treinadores a tempo inteiro. Quando os miúdos entram nestas estruturas, com preparação física, equipa médica e treinadores formados, o profissionalismo passa naturalmente. No entanto, volto a referir que não é justo comparar, uma vez que o investimento financeiro e as realidades estruturais são completamente diferentes

EMM — Que aprendizagens da França acha que poderiam ser adaptadas em Portugal?

GR — penso que cada país deve ter o seu próprio sistema. A França aprendeu muito com a Dinamarca, mas sem copiar. Para Portugal, além das estruturas de treino, acho importante transmitir cedo as exigências do alto nível: os sacrifícios, mas também a mensagem de que é possível chegar lá. Isso fez muita diferença no meu percurso.

EMM — Como a França consegue atrair tantos jovens para o badminton?

GR — Hoje são quase 250 000 pessoas a jogar badminton em França. Conseguem ter tanta gente porque têm estruturas para acolher todos. À volta de onde resido, há um clube a cada quase 10 quilómetros. Quando alguém quer começar um desporto, é muito mais fácil quando está perto de casa. Depois, há a cultura desportiva: quase todos os miúdos praticam pelo menos um desporto fora da escola. E ter jogadores como o Christo Popov a ganhar grandes torneios e aparecer nos media ajuda muito a atrair jovens.

EMM — Qual o papel das escolas e clubes na captação de talento em França?

GR — O sistema é simples, mas funciona graças ao investimento que o sustenta e à organização que proporciona. Os jovens começam nos clubes ou nas escolas, integram as secções competitivas e participam em muitos torneios perto de casa, desenvolvendo gradualmente o gosto pela competição e pelo desporto de alto rendimento. Depois vêm as seleções departamentais e regionais, as estruturas regionais com treinos diários, preparação física e torneios internacionais. Com 12 ou 13 anos, já têm um pé na vida de atleta profissional. Depois vêm os “Pôles France” e, para os melhores dos melhores, o INSEP, em Paris. E isto é só o sistema federal — ainda há clubes profissionais e academias privadas.

EMM — Se pudesse implementar uma mudança em Portugal para fazer o badminton crescer, qual seria a prioridade?

GR — É difícil dizer. Com mais investimento poderíamos fazer muito mais em Portugal. Mas com pouco já fazemos coisas bem. O primeiro passo seria ter mais clubes, ajudar estes a atrair mais pessoas e aumentar o número de licenciados. Quanto maior for a base de praticantes, mais fácil será identificar e desenvolver novos talentos.

EMM — Há mais pressão para representar Portugal, mesmo tendo sido formado em França?

GR — Não sinto mais pressão; sinto orgulho. Representar Portugal é uma escolha, não um peso. Pelo contrário, dá-me energia e motivação extra.

EMM — O que gostaria que dissessem daqui a 10 anos sobre a sua carreira?

GR — Espero que as pessoas digam que foi um sucesso, que alcancei grandes resultados. Mas no fim, a opinião dos outros não é a mais importante.

EMM — Se o seu volante pudesse falar, o que diria sobre si em cada treino e em cada  competição?

GR — Sem dúvida que afirmaria: estou sempre a dar o meu melhor, a desafiar constantemente os meus limites e a seguir no caminho certo para atingir os meus objetivos.

EMM — Se tivesse que resumir a carreira até agora em apenas um smash, como seria esse momento?

GR — É uma questão difícil de responder, mas acredito que foi um bom smash, sabendo que o melhor ainda está por vir.

EMM — Qual é a maior lição que o campo ensinou que nenhum treinador ou livro de técnicas poderia ensinar?

GR — Os valores desportivos: a resiliência do trabalho, lutar por um objetivo, tentar sempre e nunca desistir. O respeito também é um valor essencial. Reforcei esse valor com a prática do desporto. O campo ensinou-me muitas coisas. No interior do campo estamos sozinhos — mesmo quando temos parceiro ou treinadores — e isso traz muita reflexão pessoal. Foi assim que aprendi muito sobre mim mesmo.

Gabriel Rodrigues em ação.
O luso-francês em ação nas Caldas da Rainha.

Um percurso marcado pela dualidade entre França e Portugal, entre a exigência dos estudos e o rigor da alta competição, no qual Gabriel Rodrigues continua a construir a sua história com ambição, disciplina e determinação. O futuro é encarado com ambição, mas também com humildade, seguindo uma filosofia simples: ‘Le meilleur reste à venir’ — porque o melhor ainda está por vir.

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