Luís Bernardo Saraiva: Talento em crescimento no ténis lusitano

🖋️Por: António Vieira Pacheco

📸 Créditos:  Instagram de Luís Bernardo Saraiva

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Luís Bernardo Saraiva uma das promessas do ténis português.
Luis Miguel Saraiva, é uma das promessas do ténis nacional,

Pronúncia do Norte

Há talentos que surgem demasiado cedo. Outros constroem-se com paciência. Com método. Com o ambiente certo. Luís Bernardo Saraiva pertence claramente ao segundo grupo.

Aos 13 anos, já no segundo ano do escalão sub-14, deixou de ser apenas uma promessa. É um nome em afirmação. Os resultados não deixam dúvidas, e a maturidade está à vista. O seu percurso começa, finalmente, a ganhar projeção internacional

Primeiros passos

O ténis entrou cedo na sua vida. Muito cedo. Aos 4 anos, na Foz do Douro, pegou pela primeira vez numa raquete no Lawn Tennis Club da Foz. O cenário era simples. Mar por perto. Terra batida. Com as muralhas do castelo a inspirar. E o jardim do Passeio Alegre a sossegar. Um ambiente natural e tranquilo só para os mais privilegiados desfrutarem.

Não houve pressa. Nem existiram expectativas exageradas. Apenas curiosidade e o prazer de jogar. Cada treino foi uma descoberta. Cada pequeno avanço alimentava a vontade de continuar. Mais do que resultados, nascia uma ligação duradoura à modalidade.

Ambiente familiar

Crescer numa família onde o ténis faz parte do quotidiano foi decisivo. Pai, mãe e irmãos sempre ligados à modalidade. Um ambiente onde o jogo, a disciplina e o respeito pelo processo surgem naturalmente.

Não se tratava apenas de competir. Tratava-se de compreender o caminho. Aceitar os erros. Valorizar o trabalho diário.

O irmão, Luís Miguel, tem um percurso competitivo. Tornou-se uma referência próxima. Real. Um exemplo claro de que o talento só ganha forma quando acompanhado de compromisso.

Evolução técnica

Com o tempo, o talento natural foi moldado. O treino estruturado fez a diferença. Hoje, Luís Bernardo destaca-se pela qualidade do jogo do fundo do court. Pela consistência. Pela capacidade de construir pontos com critério.

A direita é o golpe mais marcante. Pesada. Profunda. E eficaz. Mas o seu jogo vai além da potência. A leitura tática impressiona. A antecipação também. Em campo, mostra maturidade. Sabe quando acelerar. Quando variar. E quando esperar pelo erro do adversário. Fora do court, é simpático e acessível.

Trabalho diário

Presentemente treina no Complexo Municipal da Maia,  na Escola de Ténis local, com o experiente técnico João Maio.

João Carvalho, conhecido por Jampa, membro do Touring Team da Federação Portuguesa de Ténis, é o outro treinador que molda o jovem portuense.

O contexto é exigente. Bem estruturado. Na cidade maiata foram criados Nuno Borges e Henrique Rocha, número um e três portugueses, respetivamente.

A rotina inclui trabalho físico, duas vezes por semana, técnico e mental. Há atenção constante à prevenção de lesões. À coordenação. À tomada de decisão.

Cada sessão faz parte de um plano maior. Não há atalhos. A intensidade é elevada, mas o entusiasmo mantém-se. O ténis é vivido como um desafio diário. A evolução mede-se pelo processo. Não somente pelo resultado.

Equilíbrio académico

Apesar da exigência competitiva, Luís Bernardo mantém uma relação responsável com a escola. A conciliação entre estudos e treino é feita com planeamento. E com apoio familiar. Mais adiante, seguir os estudos nos Estados Unidos surge como uma possibilidade. Assim, poderá conciliar os estudos com o ténis. Ainda faltam alguns anos para a decisão.

Este equilíbrio é essencial. Contribui para o desenvolvimento global do atleta. A disciplina do desporto reflete-se na organização pessoal. E na gestão do tempo e das prioridades.


Salto competitivo

Já no segundo ano do escalão sub-14, deu um salto significativo no circuito da Tennis Europe. Ocupa atualmente o 7.º lugar do ranking europeu e surge em terceiro na corrida para os Masters de Monte Carlo — dois indicadores claros de regularidade e da consistência competitiva.

Afirmação europeia

No plano internacional, o ano em curso confirmou essa evolução. Luís Bernardo venceu dois torneios da Tennis Europe, deixando a sua marca em contextos distintos, mas igualmente exigentes. Em Larnaca, no Chipre, conquistou os títulos de singulares e de pares, demonstrando uma versatilidade rara para a idade. Em Palma de Maiorca, na Academia Rafael Nadal, venceu em singulares, num quadro altamente competitivo e com forte presença internacional.

Para além dos títulos, há um padrão que se repete: regularidade.

Presença constante

O jovem tenista portuense atingiu a final de singulares em Steinfort, no Luxemburgo, confirmando a capacidade de competir até às fases decisivas. Na variante de pares, foi finalista em Vilamoura e, novamente, em Limassol, no Chipre, consolidando uma leitura de jogo e uma maturidade tática pouco comuns neste escalão.

Em singulares, somou ainda meias-finais em Pontevedra, Marathon, Coimbra e Limassol, sempre com percursos sólidos e competitivos. Em solo espanhol, destacou-se também ao atingir as meias-finais em Manacor e Palma de Maiorca, ambas disputadas na Academia Rafael Nadal. Este é um palco que exige dos jogadores tanto do ponto de vista técnico quanto do mental.

Contexto nacional

No plano interno, 2025 ficou igualmente marcado por sinais claros de afirmação. Luís Bernardo Saraiva foi semifinalista do Campeonato Nacional de Sub-14, caindo frente a Francisco Sardinha, futuro campeão, por 6-2 e 7-6, num encontro equilibrado, decidido nos detalhes e com elevado nível competitivo.

Curiosamente, ao longo da época, disputou apenas mais um torneio em território nacional, logo no início do ano. Foi o Sub-14 Nível A e terminou como vencedor. Sempre que compete internamente, responde com eficácia, reforçando a ideia de que o seu percurso está a ser construído com critério e ambição.

Portuense já é internacional luso.

Seleção Nacional com Luís Bernardo Saraiva

O seu percurso levou-o naturalmente à Seleção Nacional. Representou Portugal na Summer Cup, ao lado de Francisco Sardinha e de João de Deus. 

Uma experiência marcante. Importante para o crescimento competitivo e pessoal. E para o sentido de responsabilidade coletiva. 

Como qualquer jovem em ascensão, enfrenta desafios para além da técnica. A ansiedade. As expectativas. A pressão dos ‘rankings’. Tudo faz parte do processo.

Como lida com vitórias e derrotas revela maturidade emocional. Cada derrota é analisada. Cada vitória contextualizada. Sem euforia excessiva. Sem dramatização. Somente foco no passo seguinte.

Horizonte próximo

O calendário imediato demonstra ambição controlada. Em janeiro, disputará o Tennis Europe Categoria 1 de Bolton, no Reino Unido. Na semana seguinte, marcará presença no prestigiado Les Petits As Mondial, em França.

Não é somente competir. É medir-se com os melhores. Ganhar experiência. Continuar a crescer com naturalidade.

Portuense com mais um troféu na mão.







Valores pessoais

Fora do campo, mantém interesses diversificados. É adepto do Manchester United, dos portugueses Rubem Amorim, Bruno Fernandes e Diogo Dalot. Acompanha outras modalidades. Analisa os jogos. Aprende com diferentes estilos e valoriza o tempo em família. 

E os momentos de descontração são essenciais para o equilibrar a exigência competitiva. O respeito pelos adversários e o fair play são constantes. É um reflexo da educação recebida.

Mais um troféu para Luis Bernardo Saraiva.
Luis Bernardo Saraiva e a fome de títulos.

                                        Olhar para o futuro

O jovem portuense sabe que o caminho é longo e exigente.  Não fala em prazos nem em garantias; fala em trabalho, em evolução contínua, em aprender com cada experiência. Essa maturidade, aliada ao talento e aos resultados, faz dele uma das figuras mais interessantes da nova geração do ténis português. 

Entre a Foz do Douro, a Maia e os palcos internacionais, Luís Bernardo Saraiva constrói o seu percurso com método, paciência e paixão pelo ténis.

Cada treino, cada torneio, cada experiência molda não somente um jogador, mas um atleta completo, preparado para enfrentar desafios e transformar as oportunidades em conquistas.

O futuro é promissor, mas a sua força reside na consistência, na disciplina e na capacidade de aprender com cada momento. 

E, enquanto a raquete dança nas suas mãos e a bola cruza a rede com precisão, é possível vislumbrar o próximo capítulo. Um jovem determinado, resiliente e apaixonado, preparado para incendiar o ténis, tanto a nível nacional como internacional.

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