🖋️Por: António Vieira Pacheco
📸 Créditos: Instagram de Luís Bernardo Saraiva
⏱️ Tempo de leitura: 5 minutos
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| Luis Miguel Saraiva, é uma das promessas do ténis nacional, |
Pronúncia do Norte
Há talentos que surgem demasiado
cedo. Outros constroem-se com paciência. Com método. Com o ambiente certo. Luís
Bernardo Saraiva pertence claramente ao segundo grupo.
Aos 13 anos, já no segundo ano do
escalão sub-14, deixou de ser somente uma promessa. É um nome em afirmação. Os
resultados confirmam-no, sem grande margem para dúvidas. A maturidade também. E
o seu percurso começa, agora, a ganhar dimensão internacional.
Primeiros passos
O ténis entrou cedo na sua vida.
Muito cedo. Aos 4 anos, na Foz do Douro, pegou pela primeira vez numa
raquete no Lawn Tennis Club da Foz. O cenário era simples. Mar por perto. Terra
batida. Com as muralhas do castelo a inspirar. E o jardim do Passeio Alegre a sossegar.
Um ambiente natural e tranquilo só para os mais privilegiados desfrutaram.
Não houve pressa. Nem existiram expectativas
exageradas. Somente curiosidade. Repetição. E prazer em jogar. Cada treino era
uma descoberta. Cada pequeno avanço alimentava a vontade de continuar. Mais do
que resultados, nascia uma ligação duradoura à modalidade.
Ambiente familiar
Crescer numa família onde o ténis faz
parte do quotidiano foi decisivo. Pai, mãe e irmãos sempre ligados à
modalidade. Um ambiente onde o jogo, a disciplina e o respeito pelo processo
surgem naturalmente.
Não se tratava somente de competir.
Tratava-se de compreender o caminho. Aceitar erros. Valorizar o trabalho
diário.
O irmão, Luís Miguel, tem também um
percurso competitivo. Tornou-se uma referência próxima.
Real. Um exemplo claro de que o talento só ganha forma quando acompanhado de
compromisso.
Evolução técnica
Com o tempo, o talento natural foi
moldado. O treino estruturado fez a diferença. Hoje, Luís Bernardo destaca-se
pela qualidade do jogo de fundo do court. Pela consistência. Pela capacidade de
construir pontos com critério.
A direita é o golpe mais marcante.
Pesada. Profunda. E eficaz. Mas o seu jogo vai além da potência. A leitura
tática impressiona. A antecipação também. Em campo, mostra maturidade. Sabe
quando acelerar. Quando variar. E quando esperar pelo erro do adversário. Fora
do court, simpático e acessível.
Trabalho diário
Presentemente treina, no Complexo Municipal da Maia, na Escola de Ténis local, com o experiente técnico João Maio.
João Carvalho, conhecido por Jampa, membro do Touring Team da Federação Portuguesa de Ténis é o outro treinador que molda o jovem portuense.
O contexto é exigente. Bem estruturado. Na cidade maiata foram criados Nuno Borges e Henrique Rocha, número um e três portugueses, respetivamente.
A rotina inclui trabalho físico, duas vezes por
semana, técnico e mental. Há atenção constante à prevenção de lesões. À
coordenação. À tomada de decisão.
Cada sessão faz parte de um plano
maior. Não há atalhos. A intensidade é elevada, mas o entusiasmo mantém-se. O
ténis é vivido como um desafio diário. A evolução mede-se pelo processo. Não
somente pelo resultado.
Equilíbrio académico
Apesar da exigência competitiva, Luís
Bernardo mantém uma relação responsável com a escola. A conciliação entre
estudos e treino é feita com planeamento. E com apoio familiar. Mais tarde, ir
estudar para os Estados Unidos é uma possibilidade. Assim, poderá conciliar os
estudos com o ténis. Ainda falta alguns anos para a decisão.
Este equilíbrio é essencial.
Contribui para o desenvolvimento global do atleta. A disciplina do desporto
reflete-se na organização pessoal. E na gestão do tempo e das prioridades.
Salto competitivo
Já no segundo ano do escalão sub-14,
deu um salto significativo no circuito da Tennis Europe. Ocupa atualmente
o 7.º lugar do ‘ranking’ europeu e surge em 3.º na
corrida para os Masters de Monte Carlo — dois indicadores claros de
regularidade e consistência competitiva.
Afirmação europeia
No plano internacional, o ano em
curso confirmou essa evolução. Luís Bernardo venceu dois
torneios Tennis Europe, deixando a sua marca em contextos distintos, mas
igualmente exigentes. Em Larnaca, no Chipre, conquistou os títulos
de singulares e pares, demonstrando uma versatilidade rara para a
idade. Em Palma de Maiorca, na Academia Rafael Nadal,
venceu em singulares, num quadro altamente competitivo e com forte presença
internacional.
Para além dos títulos, há um padrão
que se repete: regularidade.
Presença constante
O jovem tenista portuense atingiu
a final de singulares em Steinfort, no Luxemburgo, confirmando a
capacidade de competir até às fases decisivas. Na variante de pares, foi finalista
em Vilamoura e novamente em Limassol, no Chipre,
consolidando uma leitura de jogo e uma maturidade tática pouco comuns neste
escalão.
Em singulares, somou ainda meias-finais
em Pontevedra, Marathon, Coimbra e Limassol, sempre com percursos sólidos e
competitivos. Em solo espanhol, destacou-se também com as meias-finais
em Manacor e Palma de Maiorca, ambas disputadas na Academia Rafael Nadal,
um palco que exige tanto tecnicamente como mentalmente.
Contexto nacional
No plano interno, 2025 ficou
igualmente marcado por sinais claros de afirmação. Luís Bernardo Saraiva
foi semifinalista do Campeonato Nacional de Sub-14, caindo frente a
Francisco Sardinha, futuro campeão, por 6-2 e 7-6, num encontro
equilibrado, decidido nos detalhes e com elevado nível competitivo.
Curiosamente, ao longo da época,
disputou somente mais um torneio em território nacional, logo no início do
ano. Foi o Sub-14 Nível A, e terminou como vencedor. Sempre que compete
internamente, responde com eficácia, reforçando a ideia de que o seu percurso
está a ser desenhado com critério e ambição.

Seleção Nacional com Luís Bernardo Saraiva
O seu percurso levou-o naturalmente à Seleção Nacional. Representou Portugal na Summer Cup, ao lado de Francisco Sardinha e João de Deus.
Uma experiência marcante. Importante para o crescimento competitivo e pessoal. E para o sentido de responsabilidade coletiva.
Como qualquer jovem em ascensão, enfrenta desafios para lá da técnica. A ansiedade. As expectativas. A pressão dos ‘rankings’. Tudo faz parte do processo.
Como lida com vitórias e derrotas
revela maturidade emocional. Cada derrota é analisada. Cada vitória
contextualizada. Sem euforia excessiva. Sem dramatização. Somente foco no passo
seguinte.
Horizonte próximo
O calendário imediato reflete ambição
controlada. Em janeiro, disputará o Tennis Europe Categoria 1 de Bolton,
no Reino Unido. Na semana seguinte, marcará presença no prestigiado Petit
As Mondial, em França.
Não é somente competir. É medir-se com os melhores. Ganhar experiência. Continuar a crescer com naturalidade.
Valores pessoais
Fora do campo, mantém interesses diversificados. É adepto do Manchester United, dos portugueses Rubem Amorim, Bruno Fernandes e Diogo Dalot.
Acompanha outras modalidades. Analisa jogos. Aprende com diferentes estilos e valoriza o tempo em família.
E os momentos de descontração. Essenciais para equilibrar a exigência competitiva. O respeito pelos adversários e o fair play são constantes. Um reflexo da educação recebida.
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| Luis Bernardo Saraiva e a fome de títulos. |
Olhar para o futuro
Luís Bernardo sabe que o caminho é
longo e exigente. Não fala em prazos nem em garantias; fala em
trabalho, em evolução contínua, em aprender com cada experiência. Essa
maturidade, aliada ao talento e aos resultados, faz dele uma das figuras mais
interessantes da nova geração do ténis português.
Entre a Foz do Douro, a Maia e os palcos internacionais, Luís Bernardo Saraiva constrói o seu percurso com método, paciência e paixão pelo ténis.
Cada treino, cada torneio, cada experiência molda não somente um jogador, mas um atleta completo, preparado para enfrentar desafios e transformar as oportunidades em conquistas.
O futuro é promissor, mas a sua força
reside na consistência, na disciplina e na capacidade de aprender com cada
momento.
E, enquanto a raquete dança nas suas mãos e a bola cruza a rede com precisão, é possível vislumbrar o próximo capítulo. Um jovem determinado, resiliente e apaixonado, pronto para deixar a sua marca no ténis nacional e internacional.



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