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Assessoria de imprensa ou barreira à informação no desporto?

    António Vieira Pacheco 1 de novembro de 2026 DIREITOS RESERVADOS — EMM Leitura estimada: 2 min Há uma pergunta que tem de ser feita a quem exerce funções de assessoria de imprensa: afinal, para que serve um assessor? A questão não é meramente teórica. Algumas situações vividas no contacto com estruturas desportivas levantam dúvidas sobre como certas assessorias encaram a relação com os jornalistas. No ténis, perante um pedido de credencial de imprensa, a resposta foi uma pergunta: para que queria o jornalista a credencial? Noutro episódio, perante um pedido de contacto de uma atleta de ciclismo, a solução apresentada foi remeter o jornalista às redes sociais. Dois episódios distintos, mas com um denominador comum: a dificuldade em compreender que a assessoria de imprensa existe, entre outras razões, para facilitar o trabalho dos jornalistas. Uma credencial não é um favor É legítimo haver procedimentos de acreditação, critérios de acesso e regras de organização...

Tom Simpson: a tragédia que mudou o ciclismo!

  António Vieira Pacheco

30 de outubro de 2026
DIREITOS RESERVADOS — EMM

Leitura estimada: 2 min

 

Em 13 de julho de 1967, o Tour de France viveu um dos dias mais trágicos da sua história. Tom Simpson, um dos melhores ciclistas britânicos da época, caiu durante a subida ao Mont Ventoux e pereceu, apesar das tentativas de reanimação.

Tinha 29 anos e uma carreira marcada por grandes vitórias. A sua morte tornou-se um momento decisivo no debate sobre os limites do esforço físico, o calor extremo e o consumo de substâncias estimulantes no ciclismo.

O episódio continua a ser recordado não apenas pela tragédia humana, mas também pelas perguntas que levantou sobre a segurança dos corredores.

Um campeão britânico

Thomas Simpson nasceu em 1937, em Haswell, no nordeste da Inglaterra. Começou por destacar-se no ciclismo de pista e representou a Grã-Bretanha nos Jogos Olímpicos de Melbourne, em 1956, onde conquistou a medalha de bronze na perseguição por equipas.

Passou ao profissionalismo em 1960 e rapidamente se afirmou no ciclismo de estrada. Em 1962, tornou-se o primeiro britânico a vestir a camisola amarela do Tour de France, embora tenha permanecido na liderança apenas durante um dia.

O seu palmarés incluía vitórias importantes, entre elas a Volta à Flandres de 1961, Milão-San Remo de 1964 e o Campeonato do Mundo de estrada de 1965.

Simpson era, portanto, muito mais do que um corredor que procurava sobreviver às etapas de montanha. Era um campeão reconhecido, habituado a competir com os melhores ciclistas do mundo.

Mont Ventoux: uma montanha implacável

A etapa de 13 de julho de 1967 levou os corredores ao Mont Ventoux, uma montanha francesa conhecida pela subida longa e exposta, sobretudo na zona superior, onde a vegetação escasseia e o calor pode tornar-se particularmente intenso.

Simpson enfrentava dificuldades físicas durante a corrida. O calor e o desgaste acumulado tornavam o esforço ainda mais perigoso, num contexto em que a preparação médica, a monitorização dos atletas e os protocolos de segurança eram muito diferentes dos atuais.

Durante a subida, o britânico perdeu o controlo da bicicleta e caiu. Foi ajudado a regressar à bicicleta, mas voltou a cair e acabou por perder a consciência.

As tentativas de reanimação não conseguiram salvá-lo. Simpson morreu nesse mesmo dia, a poucos quilómetros do cume.

A notícia chocou o mundo do ciclismo. Um atleta que havia conquistado alguns dos maiores títulos da modalidade morreu durante uma das competições mais importantes do calendário.

O que revelou a investigação

A morte de Simpson esteve associada ao esforço extremo e ao calor, mas a investigação também encontrou anfetaminas no seu organismo.

A presença dessas substâncias tornou-se central no debate sobre o recurso a estimulantes no ciclismo daquela época. O objetivo de continuar a competir apesar da fadiga podia levar atletas a assumir riscos que presentemente são reconhecidos como perigosos.

É importante, contudo, não reduzir toda a explicação a uma única causa. A tragédia ocorreu num contexto de esforço físico intenso, calor elevado e consumo de substâncias estimulantes, cuja combinação pode ter consequências graves.

O caso ajudou a chamar a atenção para a necessidade de reforçar os controlos e a proteção médica dos corredores. Não foi o único episódio a contribuir para a mudança das regras, mas tornou-se um dos mais marcantes pela notoriedade do atleta e pelas circunstâncias da morte.

Um memorial numa das subidas mais famosas

No Mont Ventoux existe um memorial dedicado a Tom Simpson, junto à zona onde caiu. Ao longo dos anos, adeptos e ciclistas têm deixado mensagens e recordações naquele local.

A subida passou a representar também uma memória de advertência: a resistência física é essencial no ciclismo, mas  há uma fronteira que não deve ser ultrapassada.

A carreira de Simpson tinha demonstrado que um corredor britânico podia vencer provas de enorme prestígio numa modalidade historicamente dominada por países como França, Itália e Bélgica. A sua morte, porém, tornou-se inseparável da discussão sobre a pressão competitiva e os perigos do esforço levado ao limite.

A história do ciclismo não pode ser contada apenas por intermédio de vitórias, recordes e camisolas. Também deve recordar os episódios que obrigaram a modalidade a confrontar os seus próprios riscos.

Uma lição que permanece atual

O ciclismo moderno dispõe de equipas médicas, protocolos de segurança, acompanhamento científico e regras antidopagem muito mais desenvolvidas do que as existentes em 1967.

Isso não elimina todos os riscos. As etapas de montanha continuam a exigir enormes esforços, e as condições meteorológicas podem tornar uma competição particularmente dura.

A morte de Tom Simpson permanece como um dos momentos mais dolorosos da história do Tour de France. Recordá-la é reconhecer o talento de um campeão, mas também a importância de proteger a saúde dos atletas.

Simpson morreu numa montanha que se tornou lendária no ciclismo. O seu nome ficou ligado ao Mont Ventoux para sempre, não apenas pela tragédia, mas também pelo debate que ajudou a tornar inevitável.




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