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Destaque do Universo do Ciclismo e dos Desportos de Raquetes

Braga convence na Europa e fica perto de seguir em frente

  António Vieira Pacheco 20 de outubro de 2026 DIREITOS RESERVADOS — EMM Leitura estimada: 2 min   A equipa feminina de voleibol do SC Braga começou da melhor forma a segunda aventura europeia da temporada, ao vencer o Aarhus por 3-0, deixando bem encaminhada a qualificação para os 16 avos de final da Taça Challenge feminina de voleibol. Como prometera o treinador João Santos na véspera, as minhotas assumiram desde o início o controlo do encontro e dominaram os dois primeiros sets, impondo um ritmo ao qual a formação dinamarquesa teve dificuldade em responder. No primeiro parcial, a vantagem chegou a 12 pontos (23-11), antes do Braga fechar em 25-14. No segundo, a superioridade voltou a ser evidente, com as bracarenses a chegarem aos 21-11 e a repetirem o resultado final de 25-14. Emily Elliott foi uma das principais figuras do encontro. A norte-americana terminou com 19 pontos, 15 no ataque e  4 através do bloco, contribuindo decisivamente para a superioridade da equipa ...

Escândalo no Tour: o vencedor foi desclassificado e o quinto classificado ficou com o título

António Vieira Pacheco

20 de outubro de 2026
DIREITOS RESERVADOS — EMM

Leitura estimada: 4 min 

O vencedor inesperado do Tour.
Créditos: Wikimedia Commons — domínio público


Hoje, o Tour de France é uma das maiores provas do ciclismo mundial. Mas, nos primeiros anos, a corrida estava longe de ter a organização e o controlo que a caracterizam atualmente. Em 1904, a segunda edição foi palco de fraudes, atos de violência e episódios polémicos que colocaram em risco a continuidade da competição.

A consequência foi inédita: os quatro primeiros classificados da classificação inicial foram desclassificados após uma investigação. O vencedor passou a ser Henri Cornet, que havia terminado em quinto lugar.

O episódio tornou-se um dos principais escândalos da história do ciclismo.

Uma corrida que nasceu para vender jornais

O Tour de France foi criado em 1903, numa iniciativa do jornal desportivo francês L’Auto. A ideia era organizar uma competição de resistência que despertasse o interesse dos leitores e aumentasse a circulação do jornal.

O primeiro Tour foi um sucesso, e a segunda edição procurou consolidar a corrida como um grande acontecimento desportivo.

Naquele tempo, o ciclismo de estrada era radicalmente diferente do que é hoje. Os corredores percorriam distâncias enormes, as bicicletas eram pesadas e as equipas não dispunham de carros de apoio com as funções modernas. Os próprios ciclistas tinham de enfrentar muitas avarias e resolver problemas mecânicos.

A fiscalização era limitada e as condições de segurança estavam longe das atuais.

A edição de 1904 começou a 2 de julho e terminou em Paris, após seis etapas. Maurice Garin, vencedor da primeira edição, era uma das principais figuras da corrida e inicialmente terminou na liderança.

Violência nas estradas

A competição depressa ficou marcada por incidentes graves.

Alguns espectadores procuravam favorecer os corredores da sua região e impedir o avanço dos adversários. Houve situações de violência, incluindo ataques a ciclistas e a colocação de obstáculos na estrada.

Em determinadas zonas, os corredores enfrentaram grupos de pessoas que pretendiam alterar o resultado da corrida. A rivalidade entre adeptos ultrapassou os limites do desporto e obrigou os responsáveis a intervir.

A pressão sobre os participantes era enorme. As distâncias eram longas, a fadiga acumulava-se e as condições de fiscalização não permitiam garantir que todos cumprissem as mesmas regras.

A corrida não enfrentava apenas problemas de segurança. Também surgiram acusações de uso indevido de veículos, de assistência irregular e de outras formas de obtenção de vantagem.

As irregularidades eram suficientemente graves para pôr em causa os resultados.

A investigação que mudou a classificação

Após a conclusão da competição, as autoridades desportivas analisaram as denúncias e os relatórios sobre o comportamento dos corredores.

A decisão final chegou meses depois. Os quatro primeiros da classificação inicial foram desclassificados, incluindo Maurice Garin, que havia vencido o primeiro Tour e voltado  a ser primeiro na estrada.

Henri Cornet, originalmente quinto classificado, foi declarado vencedor da edição de 1904.

A decisão não foi uma simples alteração administrativa. A dimensão das sanções demonstrou que os responsáveis estavam dispostos a intervir para proteger a credibilidade da corrida, mesmo que isso significasse retirar o título a um dos nomes mais importantes do ciclismo francês.

O episódio contribuiu para consolidar a ideia de que o resultado desportivo não podia depender apenas da ordem em que os ciclistas cruzavam a meta. Era necessário garantir que a classificação respeitasse as regras da competição.

O Tour quase desapareceu

O escândalo teve consequências para a organização. A violência e as irregularidades criaram dúvidas sobre a viabilidade de uma corrida que ainda procurava estabelecer-se.

Henri Desgrange, uma das figuras centrais na criação e organização do Tour, chegou a manifestar publicamente a sua indignação com o que tinha acontecido.

A competição, contudo, sobreviveu. Em vez de desaparecer, foi sendo reorganizada, com mudanças destinadas a reduzir os problemas que haviam marcado as primeiras edições.

Ao longo das décadas seguintes, o Tour tornou-se progressivamente uma prova de referência internacional. O desenvolvimento dos regulamentos, dos sistemas de fiscalização, da logística e da segurança transformou profundamente a corrida.

A história de 1904 passou a fazer parte da memória do ciclismo como um aviso sobre os riscos de deixar uma competição crescer mais depressa do que os mecanismos criados para a controlar.

Um escândalo que continua a ter significado

A desclassificação dos quatro primeiros não deve ser vista apenas como uma curiosidade histórica.

O caso mostra que os problemas relacionados com a integridade desportiva não começaram com o ciclismo moderno, com a televisão ou com os contratos milionários. Desde as primeiras grandes corridas, existia pressão para vencer e obter vantagens, por vezes,  por meios proibidos.

Também demonstra a importância de distinguir o resultado inicialmente obtido na estrada daquele que é reconhecido oficialmente depois da aplicação das regras.

Henri Cornet ficou na história como vencedor do Tour de France de 1904, apesar de ter originalmente ficado em quinto lugar. Maurice Garin, que parecia ter confirmado o seu estatuto de grande figura da competição, acabou afastado da classificação final.

Mais de 120 anos depois, a edição de 1904 continua a ser um dos episódios mais insólitos do ciclismo.

Foi uma corrida em que a vitória deixou de pertencer a quem chegou primeiro e passou para quem permaneceu classificado após  uma investigação que abalou o Tour.

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