Nishikori: o último ponto foi em casa
Kei Nishikori já tinha anunciado que este seria o fim. Ainda assim, quando chegou o último ponto, em Tóquio, houve uma sensação inevitável de que uma parte importante do ténis japonês desaparecia.
Aos 36 anos, Nishikori disputou o último encontro profissional da carreira no Japan Open. Perdeu diante do norte-americano Frances Tiafoe por 6-4 e 6-4, mas o resultado acabou por ser quase um detalhe perante o que aconteceu depois.
O público levantou-se para aplaudir.
Era a despedida de um jogador que passou quase duas décadas no circuito profissional e que abriu uma porta que parecia demasiado pesada para um tenista asiático atravessar.
O número quatro do mundo
Nishikori chegou ao quarto lugar do ranking mundial em 2015.
Foi o ponto mais alto de uma carreira que tinha alcançado um feito histórico no ano anterior: em 2014, tornou-se o primeiro homem asiático a chegar à final de singulares do US Open.
Perdeu essa final para Marin Cilic, mas o resultado mudou definitivamente a dimensão do ténis japonês.
Nishikori deixou de ser apenas um excelente jogador japonês. Passou a ser uma referência internacional.
Terminou a carreira com 12 títulos ATP e mais de uma década entre os melhores do mundo.
Uma carreira contra o corpo
Mas contar a história de Nishikori apenas pelos resultados seria esquecer uma das partes mais importantes da sua carreira.
As lesões acompanharam-no durante anos.
Foram problemas físicos sucessivos que interromperam temporadas, obrigaram a longas paragens e dificultaram qualquer tentativa de recuperar a posição alcançada no topo.
Foi precisamente essa capacidade de continuar a tentar que marcou os últimos anos.
Quando muitos jogadores teriam simplesmente desaparecido do circuito, Nishikori continuou.
Voltou.
Tentou novamente.
E voltou a entrar em campo.
A carreira acabou por não terminar com outro grande título nem com uma última corrida pelo topo. Terminou onde talvez fizesse mais sentido: perante o público japonês.
O último encontro
Contra Tiafoe, Nishikori ainda mostrou alguns dos argumentos que o tornaram especial.
Mas o norte-americano acabou por controlar os momentos decisivos e venceu em dois sets.
Depois veio a cerimónia.
As imagens exibidas durante a homenagem recordaram uma carreira de duas décadas. Entre as mensagens de reconhecimento destacam-se as de Novak Djokovic, Carlos Alcaraz e Stefanos Tsitsipas.
Nishikori não estava apenas a abandonar um torneio.
Estava a fechar uma época da sua vida.
Uma porta aberta
O legado de Nishikori não se mede apenas pelos 12 títulos ou pelo quarto lugar no ranking mundial.
Mede-se também pelo caminho que abriu.
Antes dele, chegar à elite mundial vindo do Japão era uma tarefa extraordinária. Depois dele, uma geração inteira passou a olhar para o circuito ATP com outra ambição.
Foi finalista de um Grand Slam, chegou ao top 5 mundial e, durante vários anos, esteve entre os jogadores capazes de desafiar os melhores do mundo.
Agora, o último ponto ficou para trás.
Foi em Tóquio.
Em casa.
E talvez não pudesse ter sido de outra maneira.
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