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Ladimir Mayorov: 13 anos e uma herança portuguesa
António Vieira Pacheco
Ladimir Mayorov tem apenas 13 anos e já tem nove medalhas europeias. Mas a história do jovem espanhol também passa por Portugal: o pai, Eduard Mayorov, brilhou no Sporting Clube das Caldas, chegou ao topo do ranking português e representou a Seleção Nacional.
Ladimir Mayorov é um dos nomes que o ténis de mesa europeu começa a seguir com atenção. Tem 13 anos, mas já acumulou resultados que muitos jogadores demoram uma carreira inteira a alcançar.
São nove medalhas em Campeonatos da Europa, um título espanhol Sub-19, o título absoluto da Catalunha e ainda uma medalha de bronze em pares num WTT Feeder sénior.
Mas há uma história por trás do fenómeno que diz muito aos adeptos portugueses.
O pai, Eduard Mayorov, teve uma passagem marcante pelo ténis de mesa nacional. Nascido em Kiev, em 1969, chegou a Portugal na década de 1990 e representou o Sporting Clube das Caldas entre 1993 e 1999.
E não passou despercebido.
Durante quatro anos consecutivos foi distinguido como o melhor jogador do campeonato e chegou ao primeiro lugar do ranking português.
Pela Seleção
A ligação a Portugal foi ainda mais longe.
Eduard Mayorov chegou a representar a Seleção Nacional em grandes competições internacionais.
Em 1996 esteve no Campeonato da Europa absoluto, em Bratislava. No ano seguinte voltou a vestir as cores portuguesas no Campeonato do Mundo de Manchester.
E foi precisamente nesse Mundial que a história familiar ganhou outro capítulo.
Eduard conheceu Svetlana Bakhtina, também ligada ao ténis de mesa, em Manchester, em 1997.
Anos mais tarde, em Espanha, o casal teria um filho que transformaria a herança familiar numa nova história.
O filho acelera
Ladimir começou a jogar ténis de mesa aos seis anos. Foi ele quem insistiu com os pais para começar a praticar a modalidade.
Desde então, a progressão foi impressionante.
Aos 13 anos já compete em ambientes de alto rendimento e, com o apoio da Federação Espanhola de Ténis de Mesa, treina no clube alemão Mainz, além de trabalhar em centros de preparação em Barcelona e Madrid.
A idade deixou de ser há muito uma barreira.
No Campeonato Espanhol sénior, depois de ter ficado entre os 64 melhores na estreia, conseguiu chegar aos 32 melhores na edição seguinte. Só foi travado pelo campeão espanhol, numa partida muito disputada.
Com tão tenra idade, o jovem espanhol já deixou marca no circuito internacional sénior.
Num WTT Feeder disputado em Portugal, conquistou uma medalha de bronze em pares, tornando-se, segundo os dados disponíveis, um dos jogadores mais jovens a subir ao pódio numa competição internacional sénior.
Entre livros e raquetes
A vida de Mayorov está longe da rotina de um adolescente comum.
Quando não está a treinar, estuda. Quando não estuda, faz preparação física ou lê. As viagens e os centros de treino fazem parte do quotidiano.
Mas ainda há espaço para futebol e PlayStation com os amigos.
Porque, apesar das medalhas e dos objetivos gigantescos, Mayorov continua a ter apenas 13 anos.
E os objetivos são enormes.
Quer conquistar o ouro nos Jogos Olímpicos, nos Campeonatos do Mundo e nos Campeonatos da Europa. Quer chegar ao mais alto nível do ténis de mesa sénior.
Uma herança portuguesa
Há, no entanto, uma mensagem familiar que está acima dos troféus.
Os pais dizem-lhe que o mais importante é ser uma boa pessoa.
Mayorov quer cumprir as duas ambições: tornar-se um grande jogador e continuar a ser uma boa pessoa.
O primeiro caminho já começou a ser percorrido.
E Portugal tem uma pequena, mas importante, parte dessa história.
Antes de Ladimir Mayorov começar a colecionar medalhas pela Espanha, o pai já tinha feito nome nas mesas portuguesas, vestido a camisola da Seleção Nacional e alcançado o topo do ranking.
Agora é o filho que está a dar o próximo passo.
Aos 13 anos, o futuro ainda é uma incógnita.
Mas o nome Mayorov já não é.
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