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Del Toro vence e revela: “Não me senti assim tão bem”
🖋️ António Vieira Pacheco · 📅 14 de setembro 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️ 3 min · 🌱EMM
O mexicano da UAE Team Emirates-XRG bateu Paul Seixas no
sprint final, no mesmo circuito onde será disputado o Mundial. Depois da
vitória, porém, Del Toro revelou que passou por provações durante a
corrida.
Isaac Del Toro ganhou.
Mas, após uma vitória que o coloca inevitavelmente entre os
nomes a seguir no próximo Mundial, o mexicano deixou uma confissão que merece
atenção.
“Às vezes somos seres humanos. Nem todos os dias serão
excelentes.”
Del Toro explicou ainda como a corrida se desenvolveu dentro
da UAE:
“Decidimos pôr um ritmo normal, mas depois não me senti tão bem e eles apoiaram-me. Tentámos novamente na parte final da
corrida.”
Foi assim que Del Toro explicou o seu domingo em Montreal.
E o detalhe ganha outra dimensão porque o corredor da UAE
Team Emirates-XRG acaba de vencer precisamente no palco onde, dentro de
duas semanas, será disputada a prova de fundo dos Campeonatos do Mundo.
Del Toro esperou pelo momento certo!
O Grand Prix Cycliste de Montreal foi uma corrida dura,
disputada ao longo de 214,4 quilómetros e com um percurso que serviu como uma
espécie de ensaio para o Mundial.
Na parte decisiva, Paul Seixas lançou-se ao
ataque e conseguiu abrir espaço.
Del Toro respondeu.
Os dois chegaram juntos aos últimos quilómetros, após
ultrapassarem a concorrência, e a decisão ficou reservada para os metros
finais.
A 300 metros da meta, Del Toro lançou o ataque.
Seixas não conseguiu responder.
O mexicano cruzou a linha da meta, em primeiro lugar, conquistando uma
vitória que ganha ainda mais significado pelo local onde foi obtida.
Brandon McNulty, também da UAE Team Emirates-XRG, terminou em
terceiro, enquanto Remco Evenepoel foi quinto.
“Uma boa situação para o México”
A vitória coloca Del Toro entre os candidatos ao
Mundial.
Mas o próprio mexicano não parece interessado em assumir o
papel de favorito.
Questionado sobre o significado de ganhar em Montreal tão
perto dos Mundiais, foi simples na resposta:
“Significa uma boa situação para o México.”
Poucas palavras.
Mas o resultado fala por si.
Del Toro venceu no mesmo cenário que vai receber a prova de
fundo masculina do Mundial e bateu um dos jovens corredores que também poderá
estar na discussão pelo arco-íris.
A corrida mundialista, contudo, será outra história.
Será disputada por seleções e terá uma distância e uma
dinâmica diferentes. O México não terá à sua disposição a força coletiva de uma
UAE Team Emirates-XRG, que poderá pesar quando os ataques começarem a
suceder-se.
É precisamente aí que estará um dos grandes desafios de Del
Toro.
A UAE voltou a mostrar força
A equipa dos Emirados saiu de Montréal com dois homens no
pódio.
Del Toro venceu.
McNulty foi terceiro.
E a forma como a equipa trabalhou na parte decisiva da
corrida foi reveladora no resultado. O próprio Del Toro reconheceu
que os companheiros o apoiaram quando começou a sentir dificuldades.
“Não me senti tão bem e eles apoiaram-me. Tentámos
novamente na parte final da corrida.”
A vitória é a 33.ª da carreira profissional de Del
Toro e confirma a dimensão que o mexicano já alcançou aos 22 anos.
Mais importante ainda: surge num momento em que a UAE perdeu
a sua principal referência para o Mundial.
Tadej Pogačar não estará em Montréal.
E, sem o campeão do mundo, o espaço para novos protagonistas
ficou inevitavelmente maior.
Evenepoel não entra em pânico
Remco Evenepoel chegou ao Canadá após vencer o GP de
Québec, mas não conseguiu repetir o resultado.
O belga terminou em quinto e ficou fora da luta pela vitória.
Ainda assim, a sua leitura da corrida foi pragmática.
Evenepoel admitiu que sentiu fadiga acumulada e preferiu
relativizar o resultado, considerando que é melhor ter um dia menos conseguido
agora do que no Mundial.
E há um detalhe importante.
O Mundial será mais longo e poderá favorecer corredores
capazes de gerir melhor o esforço ao longo de muitas horas.
Por isso, o quinto lugar de Evenepoel em Montréal não apaga a
vitória que tinha conseguido poucos dias antes em Québec, nem o coloca fora da
equação.
Muito pelo contrário.
Agora vem o verdadeiro teste
Del Toro ganhou a corrida.
Seixas foi segundo.
McNulty completou o pódio.
Evenepoel terminou em quinto.
Mas, dentro de duas semanas, tudo será diferente.
Não haverá UAE a controlar a corrida para Del Toro.
Não haverá espaço para gerir a prova como numa corrida
WorldTour de um dia.
E haverá uma camisola arco-íris à espera do corredor que sobreviver à batalha final.
Del Toro, pelo menos, chega com uma vantagem psicológica.
Já ganhou em Montréal.
E quando lhe perguntaram o que isso significa para o Mundial,
respondeu de forma simples:
“Significa uma boa situação para o México.”
Agora falta saber se essa “boa situação” pode
transformar-se, no dia 27 de setembro, numa camisola arco-íris.
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