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Tiago Antunes: «Foi dar tudo pela camisola de Portugal»
🖋️ António Vieira Pacheco · 📅 22 agosto 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️2 min · 🌱EMM
O ouro que faltava
Rafael Reis chegou a Taranto
com uma história para defender. Tiago Antunes chegou com uma época para coroar.
No fim, foi o corredor da
Efapel quem ficou com o ouro.
O contrarrelógio dos Jogos do
Mediterrâneo tinha apenas 17 quilómetros, mas bastaram para colocar Tiago
Antunes no topo. O português foi o primeiro a partir e deixou um tempo de 20,05
minutos que resistiu a todos os ataques.
Até ao fim.
Nem Rafael Reis, campeão em
Oran'2022, conseguiu aproximar-se o suficiente.
Tiago Antunes conquistou assim
o primeiro ouro de Portugal em Taranto'2026 e acrescentou uma medalha
internacional a uma temporada que já tinha sido de enorme qualidade.
E, desta vez, não houve
discussão.
A estrada decidiu.
«Ganhar por Portugal ainda simboliza mais»
Ao partir para uma competição
internacional, o sonho é sempre o mesmo: chegar ao pódio.
Tiago Antunes conseguiu mais.
«Quando viemos para Taranto,
sonhamos sempre em ganhar uma medalha. É bastante bom; é uma grande vitória,
por assim dizer. Ganhar por Portugal ainda simboliza mais aquilo que é uma
vitória e estou bastante feliz.»
Não há exageros na reação do
português.
Há satisfação.
E há orgulho.
Porque o ouro não representa
apenas mais uma vitória numa temporada fantástica. É uma vitória com a camisola
de Portugal.
«Representar o nosso país é
incrível e conseguir a medalha era um objetivo que tínhamos.»
Objetivo cumprido.
E com autoridade.
Tiago Antunes foi oito segundos mais rápido do que Bogdan Zabelinskiy, segundo classificado, e também oito segundos mais rápido do que Rafael Reis.
Havia uma particularidade que
podia ter jogado contra Tiago Antunes.
Foi o primeiro a sair.
Não teve direito ao
tradicional hot seat, inexistente em Taranto'2026.
Mas deixou uma referência que
se revelou demasiado pesada para os adversários.
20,05 minutos.
A partir daí, todos tinham um
problema: bater Tiago Antunes.
Ninguém conseguiu.
E o próprio sabia exatamente o
que era necessário para um contrarrelógio tão curto.
«Num contrarrelógio
como este, com uma distância tão curta, é partir ao máximo. Foi isso que
eu pensei: foi dar tudo pela camisola de Portugal.»
Sem cálculos.
Sem guardar nada.
Tudo desde o primeiro metro.
Reis tentou, mas o relógio não perdoou
Se havia alguém que podia
roubar o ouro ao ciclista de Bombarral, esse alguém era Rafael Reis.
O português tinha sido campeão
em Oran, quatro anos antes, e procurava uma segunda medalha consecutiva nos
Jogos do Mediterrâneo.
Mas o ponto intermédio começou
a destruir essa possibilidade.
Reis estava nove segundos
atrás de Antunes.
Era demasiado.
Na meta, confirmou-se o que os
números já anunciavam: bronze para Rafael Reis.
Uma trajetória mais larga numa
curva à direita também não ajudou, mas a diferença já estava criada.
O campeão de 2022 ficou sem o
ouro.
E não procurou desculpas.
«O Tiago merece»
Reis queria ganhar.
Muito.
«Eu queria [ganhar]. Tinha
vencido há quatro anos e esse era o objetivo em mente. Agora, que acabou...»
A frase ficou suspensa.
Porque o bronze não era o
resultado que procurava.
Mas Reis soube reconhecer o
mérito do adversário.
«O Tiago está num excelente
momento, está um ciclista consolidado, tem demonstrado isso durante a época.»
E depois veio a confirmação
mais importante:
«A verdade é que ele merece esse resultado, esta vitória, e a estrada demonstrou.»
A estrada demonstrou.
É difícil pedir melhor
reconhecimento a um adversário.
Uma época que ganhou mais uma página
O ouro de Taranto não surgiu do nada. Antunes, de 29 anos, tinha construído uma temporada de enorme qualidade antes de chegar à Itália.
Venceu a Volta ao Alentejo.
Venceu o seu Troféu Joaquim
Agostinho.
E terminou a Volta a Portugal
na sexta posição — corrida que terminou há menos de uma semana.
Agora acrescentou um título
dos Jogos do Mediterrâneo.
«É verdade que este ano tenho
feito uma grande temporada e chegar aqui com uma medalha é muito importante.»
Não chegou apenas com uma
medalha.
Chegou com ouro.
E contra um dos principais
especialistas portugueses da disciplina.
O relógio disse o que as pernas já sabiam
Há vitórias que precisam de
explicação.
Esta não precisa de muitas.
Antunes saiu primeiro, marcou
20,05 e ficou à espera.
Reis, campeão em título,
tentou.
Os restantes também.
O cronómetro não mudou.
O português conquistou o ouro.
E talvez a imagem mais
interessante seja precisamente essa: um corredor que já tinha ganho uma
grande corrida em Portugal, que tinha acabado de ser sexto na Volta e que encontrou nos Jogos do Mediterrâneo mais uma confirmação de que está a
atravessar um momento especial.
O favorito era Rafael Reis.
O campeão era Rafael Reis.
Mas o ouro foi de Tiago
Antunes.
E o próprio já tinha explicado
a estratégia antes de partir:
«É dar tudo pela camisola de
Portugal.»
Deu.
E foi suficiente para trazer o
ouro para casa.
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