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Destaque do Universo do Ciclismo e dos Desportos de Raquetes

A UAE rendeu-se à Volta a Portugal

  🖋️ António Vieira Pacheco · 📅 18 agosto 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️3 min · 🌱EMM  Gostaram. E querem repetir. A UAE Team Emirates-XRG veio à Volta a Portugal para testar jovens ciclistas. Saiu com quatro vitórias em etapas, duas camisolas e uma conclusão que, durante muitos anos, a corrida portuguesa ouviu poucas vezes de uma equipa deste calibre: “Suponho que vamos voltar.” Não é uma promessa assinada em cartório. No ciclismo, essas coisas valem exatamente o que valem até surgir outro calendário, outra prioridade ou uma corrida com mais dinheiro. Mas é, pelo menos, um sinal. E a Volta precisa deles. Quatro vitórias e uma experiência Julius Johansen venceu o prólogo e o contrarrelógio de Águeda. Adrià Pericas conquistou, no Gerês, a primeira vitória como profissional. Rui Oliveira fechou a corrida em festa, no Porto. Pelo caminho, a UAE levou ainda duas camisolas: a dos pontos, para Rui Oliveira, e a da juventude, com Pericas. Um balanço difícil de discutir. Mas Gi...

O homem dos 70 km chega à UAE

🖋️ António Vieira Pacheco · 📅 18 agosto 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️2 min · 🌱EMM  

Mais um redorço para 2027 para Tadej.

Há ciclistas que passam anos a tentar descobrir quem são no pelotão. Marco Frigo resolveu parte do problema atacando a 70 quilómetros da meta.

Não foi um daqueles ataques de última hora, calculados ao milímetro, com meia dúzia de quilómetros para sofrer e uma mota à frente para garantir o enquadramento perfeito. Foi mesmo cedo. Muito cedo. Setenta quilómetros cedo.

O italiano de 26 anos lançou-se sozinho na terceira etapa do Tour dos Alpes de 2025 e chegou à meta sem ser apanhado. A primeira vitória como profissional ficou assim conquistada à antiga: atacando, sofrendo e obrigando os outros a perceber que talvez aquele homem não estivesse ali apenas para encher o grupo.

A UAE Emirates-XRG percebeu.

E quando a UAE percebe que o talento mora ali, normalmente tenta contratá-lo antes que outra equipa o faça.

De fugitivo a gregário

Marco Frigo assinou por duas temporadas, até ao final de 2028, e torna-se o primeiro reforço anunciado pela equipa para a próxima época.

O destino está definido: trabalhar para uma estrutura em que Pogačar não costuma precisar de ajuda para ganhar corridas, mas na qual ter mais uma arma nunca fez mal a ninguém.

Frigo chega da NSN Cycling Team com um currículo que vai além daquela vitória solitária no Tour dos Alpes. Na Vuelta a Espanha de 2025 foi segundo numa etapa e terceiro noutra. Já este ano entrou numa fuga na Amstel Gold Race e terminou em décimo lugar.

Não são números que obriguem Pogačar a olhar por cima do ombro.

Mas são suficientes para convencer a UAE de que ali há matéria-prima.

A UAE viu qualquer coisa

O italiano tornou-se profissional em 2023 e no primeiro ano, participou no Giro d'Italia. Na 15.ª etapa, com chegada a Bérgamo, esteve perto de uma vitória importante, mas acabou terceiro, atrás de Brandon McNulty — que agora será colega de equipa — e de Ben Healy.

O ciclismo tem destas ironias: primeiro perde para um futuro colega. Depois acaba por ser contratado para ajudá-lo.

Frigo, contudo, parece saber perfeitamente para que vai. Não chega à UAE a vender sonhos de liderança ou a exigir espaço para discutir o Tour com Pogačar. O italiano fala de identidade, de evolução e de ambição coletiva.

Traduzindo para a linguagem do pelotão: encontrou uma equipa que acredita nele e está disposta a perceber até onde pode chegar. Mesmo que, muitas vezes, esse «onde» seja na liderança do grupo, a puxar por alguém que, poucos quilómetros depois, desaparece sozinho pela estrada acima.

Talvez a especialidade de atacar a 70 quilómetros da meta ainda lhe seja útil.

Uma peça para o império

A UAE continua, assim, a fazer aquilo que tem feito melhor: reforçar uma estrutura já assustadoramente forte.

Pogačar tem líderes, co-líderes, vencedores de etapas, caçadores de clássicas e uma colecção de gregários que, em muitas equipas, poderiam perfeitamente discutir vitórias por conta própria.

Agora chega Frigo.

Um ciclista que sabe sofrer sozinho, que mostrou capacidade para grandes esforços e que já provou sobreviver quando a corrida se parte muito antes do guião previsto.

A pergunta é básica: quanto tempo Frigo ataca por si?

Na UAE, a resposta pode ser cruelmente simples.

Depende de quem estiver à frente.

E, se esse alguém for Pogacar, Marco Frigo já sabe o que provavelmente o espera: atacar, puxar, sofrer… e, no final, levantar os braços talvez fique para outro.

Mas no império da formação árabe há lugares que valem muito.

Mesmo que sejam conquistados a 70 quilómetros da meta.

“Acho que os primeiros quatro anos como profissional foram um processo durante o qual construí e encontrei a minha identidade como ciclista.”

Frigo acredita que encontrou nos UAE uma equipa que compreende essa identidade.

“Sinto que a UAE compreendeu isso, acreditou nisso e que as nossas ideias para o futuro estão muito alinhadas.”

Agora falta descobrir onde termina essa identidade quando se entra numa equipa construída à volta de um homem que raramente deixa vitórias aos outros.

Porque atacar a 70 quilómetros da meta é difícil. Ainda mais difícil pode ser sobreviver na equipa de Pogačar sem acabar por trabalhar para o ataque de outra pessoa.

A confirmação da contratação pela equipa árabe.


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