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João Matias: “Se terminasse hoje a carreira, estaria satisfeito”

 🖋️ António Vieira Pacheco · 📅 8 agosto 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️ 2 min · 🌱EMM

Os dois vencedores da etapa em Elvas.


A classificação diz segundo.

A sensação de João Matias, depois da terceira etapa da 87.ª Volta a Portugal, é outra.

O corredor da Tavfer terminou atrás do companheiro Leangel Linarez, mas auxiliou a equipa a conquistar uma dobradinha em Elvas. Primeiro e segundo lugares após uma chegada preparada ao pormenor.

Foi o resultado de uma estratégia trabalhada antes da etapa e executada nos momentos decisivos.

Para Matias, porém, a história não começou nos últimos quilómetros. Começou muito antes.

“É o trabalho de vários anos consecutivos”

O português explicou que a vitória de Linarez não pode ser dissociada do trabalho que ambos têm desenvolvido.

“Acredito que sim [crucial para a vitória de Leangel Linarez]. Além do trabalho de hoje, é o trabalho de vários anos consecutivos, é o trabalho de bastidores que ontem [sexta-feira] fiz, com o Leangel no quarto.”

Matias destacou a ligação que existe entre os dois corredores nas chegadas rápidas.

“Sabemos que somos uma dupla que, nos sprints, tem muita conexão. Somos uma dupla que temos conseguido várias vitórias na Volta a Portugal.”

Essa relação voltou a ser determinante em Elvas.

“Estudámos esta chegada ao milímetro”

A Tavfer não deixou a aproximação à meta entregue ao acaso.

“Estudámos esta chegada quase ao milímetro: eu, o Gustavo [Veloso, diretor desportivo] e toda a equipa.”

O plano foi transmitido aos restantes corredores.

“Transmitimos a todos o melhor que podíamos fazer e não poderia ter saído mais perfeito.”

A equipa conseguiu posicionar os seus homens para a fase decisiva da etapa.

César Martingil teve intervenção na aproximação e Matias esperou pelo momento adequado para se colocar.

“Há a aproximação no qual o César Martingil faz uns metros. Esperei pelo Rui Oliveira e apanhei a roda dele.”

Rui Oliveira, de camisola amarela, acabou por assumir trabalho na frente. Matias aproveitou a situação e manteve-se preparado para os últimos metros.

“Tenho pena de o Rui não ter vencido”

Apesar da vitória da Tavfer, Matias não esqueceu Rui Oliveira, que voltou a ficar perto do triunfo.

“Tenho pena do Rui [Oliveira] não ter vencido ainda, mas hoje a vitória tinha de cair para nós.”

O corredor da UAE Emirates continuou na luta até à fase final, mas a Tavfer tinha preparado melhor o momento decisivo.

Matias percebeu então que estava prestes a ser ultrapassado.

“Notei nos últimos metros que vinha um ciclista para me passar.”

Quando percebeu que era Linarez, a reação foi imediata.

“Quando dei conta que era o Leangel, saiu-me um peso enorme de cima.”

A Tavfer tinha conseguido exatamente aquilo que procurava.

“Fazer primeiro e segundo [na etapa] é algo muito especial.”

“Tenho uma ligação muito especial com ele”

Depois da análise à corrida, Matias falou de uma pessoa importante na sua vida: o padre Camilo.

“Felizmente, o padre Camilo esteve connosco há dois dias. Tenho um carinho enorme pelo padre Camilo.”

A relação é antiga e ultrapassa completamente o ciclismo.

“Foi o padre que me casou, foi o padre que batizou o meu filho e é o padre que vai batizar a minha filha, em setembro. Tenho uma ligação muito especial com ele.”

O sacerdote esteve junto da equipa antes da etapa e acabou associado a um dos dias mais felizes da Tavfer nesta Volta.

“Tenho 35 anos”

Aos 35 anos, Matias também recordou os obstáculos que enfrentou nas últimas edições da prova.

“Há dois anos, apanhei covid-19 na Volta. Tive de abandonar.”

No ano seguinte, sofreu uma queda grave.

“No ano passado, tive uma queda onde fraturei vértebras, mas consegui terminar.”

A vida familiar trouxe também novas exigências.

“Desde que fui pai, não consigo cumprir uma semana de treino a 100%. Tenho 35 anos.”

É neste contexto que surge a frase mais marcante de Matias.

“Se terminasse hoje, estaria satisfeito”

O português não sabe quando terminará a carreira.

Mas sabe que, olhando para o caminho percorrido, não teria razões para lamentar.

“Não sei quando vai terminar a minha carreira, mas, se terminasse hoje, estaria satisfeito.”

Em Elvas, Matias foi segundo.

Mas, para a Tavfer, o seu segundo lugar fez parte de uma vitória maior.

A equipa conseguiu primeiro e segundo.

E João Matias saiu de uma etapa em que não venceu com uma das declarações mais pessoais da Volta a Portugal.

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