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Nelson Oliveira: "Nunca pensei fazer 24 grandes Voltas"
🖋️ António Vieira Pacheco · 📅 26 julho 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️ 1 min · 🌱EMM
Nelson Oliveira voltou a
escrever o seu nome na história do ciclismo mundial. Ao terminar a 113.Na Volta
a França, o português tornou-se o primeiro ciclista da história a
completar 24 grandes Voltas consecutivas sem qualquer abandono, um feito
inédito que recompensa mais de uma década e meia de consistência ao mais alto
nível.
Aos 37 anos, o corredor da
Movistar prefere, contudo, desvalorizar a dimensão do recorde. Em declarações à
agência Lusa, admite apenas sentir que este marco representa “um
reconhecimento” pelo trabalho desenvolvido ao longo da carreira.
“Acaba por ser especial, por
ser fruto de todo o trabalho feito e, provavelmente, um reconhecimento. Na
minha área nunca foi o meu forte ser protagonista. Sempre foi trabalhar em prol
da equipa e acaba por ser um reconhecimento, nada mais.”
A vitória inesquecível
Questionado sobre o momento
mais marcante da carreira em grandes voltas, Nelson Oliveira não hesitou na resposta.
“O melhor foi, claro, quando
ganhei a etapa na Volta a Espanha, em 2015.”
Foi precisamente nessa edição
da Vuelta que conquistou a única vitória em etapas numa grande Volta, após uma
longa fuga que permanece como uma das imagens mais marcantes do ciclismo
português.
Para o corredor português,
essa edição foi também aquela em que sentiu ter mais liberdade para procurar
resultados.
“Foi onde estive mais ativo e
onde tive mais oportunidades. Daí que também foi onde consegui a vitória.”
As quedas mais difíceis
Nem todos os momentos foram felizes durante estas 24 grandes Voltas.
Oliveira recorda
particularmente a Volta a Espanha de 2021, marcada por várias
quedas.
“Caí; tinha bastantes cortes
nas pernas, nas costas. Nessa mesma Vuelta também torci o pé. Foi uma Vuelta
bastante complicada.”
Também lembra um Tour de
France em que praticamente correu durante três semanas com uma costela magoada,
“Provavelmente andei um Tour
com uma costela rachada, mas passou e isso é que interessa.”
Sem conseguir precisar se
aconteceu em 2019 ou 2020, considera esse um dos momentos fisicamente mais
exigentes da carreira.
O Tour mais especial
Embora a vitória na Vuelta
seja a melhor memória individual, Nelson Oliveira guarda um carinho especial
pelo Tour de France de 2016.
Nessa edição trabalhou para
ajudar Nairo Quintana a terminar no pódio da classificação geral, enquanto a
Movistar voltou a conquistar o prémio de melhor equipa da corrida.
Foi um dos exemplos daquilo
que definiu praticamente toda a sua carreira: o trabalho como gregário de luxo.
O segredo da consistência
Completar 24 grandes voltas
consecutivas sem abandonar pode parecer uma questão de sorte, mas Nelson
Oliveira acredita que há muito mais por trás deste feito.
Segundo o português, o segredo
esteve em evitar lesões graves, manter a serenidade e conhecer sempre o seu
papel na equipa.
“Houve dias complicados em
todas as grandes Voltas. Acaba por ser o resultado de manter sempre a calma e de saber o nosso lugar.”
Apesar de admitir que gostaria
de completar 30 grandes voltas, reconhece que a idade torna esse
objetivo bastante difícil de alcançar.
Uma mensagem para o jovem Nelson
No final da conversa com a
Lusa, o experiente corredor foi desafiado a deixar um conselho ao jovem que
iniciou a carreira profissional em 2010.
A resposta resume bem a sua
forma de estar no ciclismo.
"Acreditar sempre. Segue
o teu caminho. Quando comecei a competir, nunca pensei em fazer uma grande
volta. Em 2011, se me dissessem que ia fazer 24 grandes voltas, provavelmente
diria que era uma loucura. E passados 17 anos como profissional, aqui estou."
Com discrição,
profissionalismo e uma consistência raramente vista no ciclismo moderno, Nelson
Oliveira tornou-se uma referência mundial no trabalho de equipa.
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