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Tadej Pogačar: “Percebi quão difícil é trabalhar para outros”
🖋️ António Vieira Pacheco · 📅 25 julho 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️ 2 min · 🌱EMM
O já virtual vencedor da Volta a França de 2026, Tadej Pogačar (UAE
Emirates), protagonizou este sábado um dos momentos mais marcantes da corrida
ao colocar de lado as ambições para auxiliar o companheiro Isaac del
Toro, que assegurou a presença no pódio final da prova.
Na subida ao Galibier, a mais
de 60 quilómetros da meta, o portador da camisola amarela assumiu um papel
pouco habitual, trabalhando na dianteira do grupo para proteger o colega mexicano.
Mesmo depois do ataque de Remco Evenepoel (Red
Bull-BORA-hansgrohe), Pogačar esperou por Del Toro e voltou a colocá-lo no
grupo dos principais candidatos à classificação geral.
No final da etapa, o esloveno
explicou que o gesto foi uma forma de retribuir o trabalho que recebeu ao longo
das três semanas de competição.
“Talvez as pessoas falem de
como eu auxiliei o Isaac a chegar ao pódio, mas ele ajudou-me primeiro a chegar
à amarela e a equipa ainda mais.”
Pogačar confessou ainda que a
experiência lhe permitiu perceber melhor o papel dos colegas de equipa.
“Hoje, foi uma honra correr
para o Isaac durante as últimas duas horas, ou uma hora e meia de corrida. Fiz-lo com
prazer e percebi quão difícil é trabalhar para os outros.”
Os dois corredores da UAE
Emirates cruzaram a meta juntos, abraçados, a 1,05 minutos do vencedor da
etapa, Richard Carapaz (EF Education-EasyPost). Para o
esloveno, terminar dessa forma com Del Toro tornou o dia ainda mais especial.
Del Toro emocionado
Pouco depois, Isaac
del Toro não escondeu a emoção ao recordar a ajuda recebida do líder
da equipa.
“Foi algo nunca visto. Nunca
senti tanta pressão na vida e gosto de pensar que a pressão é para pessoas
privilegiadas.”
O mexicano revelou ainda que
enfrentou problemas de saúde durante a terceira semana da prova, admitindo que
foi afetado pelo vírus que chegou a vários elementos da UAE Emirates.
“A equipa teve momentos
difíceis na terceira semana. Tentámos ocultá-los para que não nos vissem
débeis, mas não foi fácil terminar no pódio, por cima, estar adoentado,”
Aos 22 anos, Del Toro garantirá o terceiro lugar da classificação geral e conquistará ainda a camisola branca
de melhor jovem, poucos meses após ter perdido a liderança do Giro de Itália
2025 na penúltima etapa.
“Estou muito feliz e agradecido pela oportunidade que me ofereceu a equipa e pelo facto do Tadej se ter comprometido assim comigo.”
Pogačar perto do quinto Tour
Apesar de considerar
praticamente assegurada a conquista do quinto Tour da carreira, Pogačar
preferiu manter a prudência antes da derradeira etapa, encurtada para apenas 89
quilómetros devido aos incêndios em França.
O esloveno reconheceu que a
UAE Emirates passou por momentos complicados durante a corrida, mas destacou a
capacidade da equipa de superar todas as dificuldades.
“Estive muito bem neste Tour,
a equipa também, mas houve azares dos adversários. Em três semanas, muita
porcaria pode acontecer e conseguimos sobreviver.”
Questionado sobre a
possibilidade de atacar novamente na subida a Montmartre, como aconteceu na
edição anterior, Pogačar deixou a porta aberta, mas garantiu que não pretende
correr riscos desnecessários.
“Não é um grande objetivo, mas, se tiver boas pernas, posso tentar, sem correr riscos.”
Evenepoel satisfeito com o segundo lugar
Quem também fez um balanço
positivo da Volta a França foi Remco Evenepoel, que terminou a penúltima
etapa na segunda posição e consolidou o segundo lugar da classificação geral.
Embora admitisse alguma
desilusão por não ter vencido no Alpe d'Huez, o belga considerou que fez uma
excelente prova.
“Fiquei um pouco desapontado
por não ter conquistado a etapa, pois cheguei muito perto, mas fiz o que pude. Foi um
ótimo tour.”
O corredor da Red
Bull-BORA-hansgrohe destacou ainda o significado do resultado alcançado.
“Nem todos podem dizer que
foram segundos no Tour, sobretudo nos últimos anos, em que só houve Pogačar e
Vingegaard.”
Seixas perde lugar no pódio
O francês Paul Seixas (Decathlon),
de apenas 19 anos, não conseguiu acompanhar os melhores na subida final e viu
escapar o lugar no pódio da classificação geral.
“As pernas não estavam
suficientemente bem e a cabeça também não. Foi por isso que quebrei.”
Apesar da quebra na penúltima
etapa, o jovem francês mostrou-se satisfeito com a prestação na sua estreia na
Volta a França, considerando que tem motivos para estar orgulhoso do desempenho
alcançado.
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