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Nelson Oliveira bate recorde no Tour de France
🖋️ António Vieira Pacheco · 📅 26 julho 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️ 1 min · 🌱EMM
Enquanto Tadej Pogačar festejava a conquista da 113.ª edição da Volta a França,
outro ciclista escrevia uma página dourada na história da modalidade. O
português Nelson Oliveira, de 37 anos, concluiu este domingo o Tour de
France e tornou-se no primeiro corredor de sempre a completar 24
Grandes Voltas consecutivas sem qualquer desistência, um feito inédito que
o coloca no topo de uma das estatísticas mais exigentes do ciclismo mundial.
O corredor da Movistar
ultrapassou definitivamente o polaco Sylwester Szmyd, com quem
partilhava a marca desde o final do Giro d'Italia deste ano, detendo sozinho um
recorde construído ao longo de quinze temporadas de enorme regularidade.
Num desporto em que as quedas,
doenças, problemas mecânicos e lesões fazem parte da rotina, completar uma
Grande Volta já representa um enorme desafio. Fazê-lo em 24 participações
consecutivas, sem um único abandono, é um feito que nenhum outro ciclista havia alcançado.
Quinze anos de consistência
A história começou na Volta
a Espanha de 2011, quando Nelson Oliveira se estreou numa corrida de três
semanas. Desde então, nunca mais ficou pelo caminho.
Ao longo destes quinze anos, terminou consecutivamente 10 Voltas a França, 10 Voltas à Espanha e 4
Voltas à Itália, completando um total de 501 etapas e
percorrendo 72.658,2 quilómetros até à meta.
São números que traduzem uma
consistência rara no ciclismo moderno e explicam porque é considerado um dos
gregários mais fiáveis do pelotão internacional.
Um recorde difícil de repetir
A dimensão do recorde torna-se ainda mais evidente quando comparada com distâncias do quotidiano.
Os mais de 72 mil quilómetros percorridos por Nelson Oliveira correspondem a quase duas voltas completas ao planeta Terra pela linha do Equador. São ainda cerca de
19% da distância entre a Terra e a Lua e equivalem a fazer a viagem entre
Lisboa e Porto aproximadamente 231 vezes.
Mais do que a quilometragem,
impressiona a capacidade de manter sempre o mesmo nível competitivo e de evitar o abandono durante mais de uma década ao mais alto nível.
Uma carreira construída no WorldTour
Natural de Anadia, Nelson
Oliveira iniciou a carreira profissional em 2010 na Xacobeo-Galicia. No ano
seguinte chegou ao WorldTour pela Radioshack, equipa onde permaneceu durante
três temporadas.
Seguiram-se duas épocas na
Lampre, formação na qual desempenhou um importante apoio a Rui Costa,
antes de ingressar na Movistar em 2016.
Na equipa espanhola consolidou
a reputação de corredor incansável, tornando-se uma peça fundamental nas
montanhas, no controlo do pelotão e nas etapas de contrarrelógio. A confiança
da estrutura espanhola levou mesmo à renovação do contrato por mais duas
temporadas.
Embora seja sobretudo
reconhecido pelo trabalho em favor dos líderes, Nelson Oliveira também teve
momentos de destaque individual. O mais relevante surgiu na Volta a Espanha de
2015, quando venceu a 13.ª etapa e alcançou o melhor resultado da carreira
na classificação geral, terminando na 21.ª posição.
O Tour terminou com um lugar na história
Na última etapa da Volta a
França de 2026, Nelson Oliveira voltou a cumprir a missão sem sobressaltos. O
português terminou a jornada no 21.º lugar, a apenas oito segundos do vencedor e Mathieu van der Poel acabou na classificação geral na 65.ª posição, a
4h17m56s de Pogačar.
Mas a verdadeira vitória do
dia foi outra.
Ao cruzar a meta nos Campos
Elísios, confirmou oficialmente um recorde que dificilmente será batido nos
próximos anos.
Um recorde diferente de todos os outros
O italiano Matteo Tosatto
continua a liderar a lista de ciclistas com maior número de Grandes Voltas
concluídas ao longo da carreira, tendo terminado 28.
Contudo, esse registo
contabiliza apenas o número total de participações concluídas.
O feito de Nelson Oliveira vai
muito além disso. O português é agora o único ciclista da história a
completar 24 Grandes Voltas consecutivas, sem qualquer abandono entre elas, uma
demonstração de resistência, profissionalismo e consistência que o coloca entre
os corredores mais fiáveis de sempre.
Num Tour marcado pela
supremacia de Tadej Pogačar, Portugal também teve um motivo para celebrar. Sem
vestir a camisola amarela ou ascender ao pódio da classificação geral, Nelson
Oliveira alcançou algo que nenhum outro corredor tinha conseguido antes dele.
Há vitórias que se medem em
segundos. Outras medem-se em anos de dedicação. A do guerreiro português
pertence claramente à segunda categoria e garante-lhe, para sempre, um lugar na
história do ciclismo mundial.
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