Tom Pidcock sobre Pogačar:“É um demónio” e o plano de carreira até 2036
🖋️Por: António Vieira Pacheco
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O britânico da Pinarello-Q36.5 analisou o duelo com Tadej Pogačar na clássica italiana, a dureza das Grandes Voltas e elaborou um plano ambicioso de carreira até cinco Jogos Olímpicos.
Sanremo ao limite
Tom Pidcock voltou a revisitar um dos momentos mais intensos da época: a Milão-Sanremo, onde lutou pela vitória frente a Tadej Pogačar num final decidido ao sprint na Via Roma, após quase 300 quilómetros de corrida.
O britânico da Q36.5 Pro Cycling Team foi um dos poucos ciclistas capazes de seguir as acelerações do esloveno na Cipressa, com Mathieu van der Poel, e o único a resistir ao ritmo imposto na subida do Poggio até ao final.
“Um morto-vivo que ganhou na mesma”
A corrida também ficou marcada pela queda de Pogačar pouco antes da Cipressa, um incidente que poderia ter mudado o desfecho da prova.
Pidcock descreveu o rival de forma crua e impressionada:
“Na subida do Poggio, quando seguia o ataque dele, era como competir contra um morto-vivo. Ele estava branco, com o equipamento branco, calções rasgados, com sangue. É um demónio. Foi incrível”.
O britânico sublinhou ainda a capacidade de recuperação do campeão do mundo, que acabou por vencer a corrida apesar das adversidades.
“Podia facilmente ter atirado a toalha ao chão. Levantou-se e ainda ganhou a corrida. Foi algo verdadeiramente incrível”, afirmou.
Respeito absoluto pelo rival
Apesar da frustração pela derrota, Pidcock deixou claro o respeito por Pogačar após aquela exibição.
“Ele caiu e, mesmo assim, deixou todos para trás, exceto eu. E chegámos à meta a sprintar pela vitória. Fiquei muito frustrado por ser tão renhido”, explicou.
O britânico comentou ainda a perceção crescente do domínio do esloveno no pelotão atual.
“Bem, temos de o aceitar. Mas não estão errados, pois não?”, proferiu sobre quem considera o domínio de Pogačar excessivo.
Grandes Voltas e ambição controlada
Após a clássica italiana, Pidcock viu a sua época ser interrompida por uma queda na Volta a Catalunha, regressando mais tarde com vitórias em etapas no Tour dos Alpes e com consistência no BTT.
Com o foco agora no Tour de France, o britânico regressa a uma Grande Volta após um ano de ausência, depois do terceiro lugar na última Volta a Espanha.
Apesar disso, mantém uma visão pragmática sobre as corridas
de três semanas.
“A questão das Grandes Voltas não me entusiasma, mas é uma conquista. Se ganhar uma, será a maior da minha carreira, porque é difícil manter o foco durante três semanas”, admitiu.
Ainda assim, reforça a ambição:
“Sei que posso estar no pódio outra vez. Não digo que posso
vencer Pogačar, Seixas ou Vingegaard no presente; porém, na situação certa, posso
ganhar uma Grande Volta.”
Um plano até 2036
Para além do ciclismo de estrada, Pidcock mantém objetivos
claros noutras disciplinas: do Campeonato do Mundo de estrada, gravel e
medalhas olímpicas.
Porém, a revelação mais surpreendente surge no horizonte da sua
carreira.
“Quero ganhar os Mundiais de estrada. Quero um Monumento. E
vou em busca de três medalhas olímpicas. O meu objetivo é terminar a carreira
após cinco Jogos Olímpicos, por isso, depois dos Jogos de 2036, vou
retirar-me”,
afirmou.
Um plano de carreira que projeta o britânico até um dos ciclos olímpicos mais longos do desporto moderno.
Rumo ao Tour
Antes do arranque da Volta a França, Pidcock ainda passará
pela Volta à Suíça, onde voltará a encontrar Pogačar num novo capítulo da
rivalidade entre ambos.
Um confronto que continua a marcar o presente do ciclismo e promete novos episódios já nas próximas semanas.

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