“Passou por nós a voar”:Tadej Pogačar deixa rivais boquiabertos na Sierra Nevada

 🖋️Por: António Vieira Pacheco

📅 5 junho 2026

📸 Créditos: Direitos Reservados

⏱️ Tempo de leitura:  3 minutos

Tadej Podocar está magro.


Os relatos vindos da Sierra Nevada indicam que Tadej Pogačar já se aproxima da sua versão mais temível a poucas semanas do Tour.

A diferença de peso é bem efixaz.


A contagem decrescente para a Volta a França de 2026 está em andamento e os sinais vindos da Sierra Nevada sugerem que Tadej Pogačar já iniciou a sua habitual transformação rumo ao pico de forma. Desta vez, porém, os elogios não chegaram da UAE Team Emirates-XRG nem de pessoas próximas do campeão do mundo. Vieram de um dos campos rivais.

Nas estradas sinuosas da montanha andaluza, onde dezenas de ciclistas do WorldTour procuram ganhar os últimos pontos percentuais de rendimento antes das grandes decisões da temporada, o esloveno voltou a deixar a sua marca. E, segundo os relatos, fê-lo como quem sobrevoa uma pista de aterragem enquanto os restantes ainda procuram velocidade para descolar.

A Sierra Nevada tornou-se, ao longo dos anos, uma espécie de torre de controlo do ciclismo mundial. É ali que os principais candidatos às Grandes Voltas realizam os derradeiros ajustes antes de entrarem em combate. O oxigénio é mais escasso, os treinos mais exigentes e os sinais físicos tornam-se impossíveis de esconder.

Encontro na montanha

Foi precisamente nesse cenário que a Red Bull-BORA-Hansgrohe se cruzou com o esloveno diversas vezes.

A formação alemã, que deposita as maiores esperanças em corredores como Remco Evenepoel e Florian Lipowitz, encontrou o esloveno durante algumas sessões de treino nas longas ascensões da região. O resultado foi uma impressão difícil de ignorar.

Segundo Maxim Van Gils, Pogačar parecia estar a mover-se em ritmo completamente diferente do pelotão.

“O Tadej Pogačar passou por nós algumas vezes e ia a voar”, revelou o ciclista belga em declarações ao HLN.

Um ritmo diferente

A expressão não foi utilizada por acaso.

No ciclismo, os corredores costumam exagerar ao descreverem a facilidade de um rival. Faz parte da cultura do pelotão. Mas como Van Gils relatou, o episódio deixa perceber que o espanto foi genuíno.

“Nós, de facto, não estávamos a andar devagar, mas o Tadej subia demasiado forte. Primeiro, pensámos em fazer um pouco de bluff e ele escondeu-se nos arbustos duas curvas mais acima. Mas quando chegámos ao topo, voltámos a vê-lo. Portanto, para ele, foi mesmo só um esforço normal de subida.”

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Quando os elogios surgem na própria UAE Team Emirates-XRG, podem ser vistos como parte do discurso habitual da equipa. 

O aviso que chegou do campo rival< /span>

Quando chegam de um adversário direto na luta pelo Tour de France, o impacto é diferente. As palavras de Van Gils soam como um aviso silencioso ao pelotão: Pogačar parece aproximar-se da sua forma ideal e a versão mais perigosa do campeão do mundo poderá estar prestes a regressar.

A imagem é quase cinematográfica.

Enquanto a Red Bull trabalhava a alta intensidade, Pogačar surgiu como um avião de caça a atravessar uma formação de aeronaves comerciais. Sem explosões dramáticas, sem aparentar sofrimento, apenas com aquela capacidade dos privilegiados de transformar velocidades extraordinárias em algo aparentemente banal.

Os relatos ganham ainda mais relevância porque chegam numa fase crucial da preparação.

Durante a primavera,  apresentou uma configuração física diferente da que exibe  nas Grandes Voltas. O esloveno privilegiou potência, explosão e robustez muscular para responder às exigências das clássicas, terreno no qual voltou a ser uma das figuras dominantes do calendário.

Essa alteração física foi observada por vários observadores ao longo da temporada. Em algumas provas por etapas, incluindo a Volta à Romândia, o campeão do mundo pareceu menos esmagador nas subidas mais longas.

Nada alarmante. Apenas diferente.

Mas quem acompanha a carreira de Pogačar sabe que esta mudança faz parte de um plano cuidadosamente elaborado.

Ao contrário de muitos adversários, o esloveno não procura manter a forma durante todo o ano. A sua preparação é dividida em blocos específicos. O corpo adapta-se aos objetivos de cada período da época.

Na primavera, ganhou músculo para enfrentar empedrados, acelerações violentas,  as provas clássicas  e os monumentos. Quando o verão se aproxima, inicia-se uma redução gradual de peso para maximizar a relação potência-peso nas grandes montanhas.

É precisamente essa transformação que parece estar novamente em curso.

“Ele está muito magro”

“Acho que ele estava muito magro”, acrescentou Van Gils. A observação parece simples, mas tem um significado enorme.

No caso de Pogačar, estar mais leve significa estar mais próximo da sua versão destinada às Grandes Voltas. 

É a configuração que lhe permitiu conquistar o Tour de France em diferentes ocasiões. Elaborar um dos currículos mais impressionantes da sua geração.

Por isso, quando um rival observa que o esloveno já perdeu parte da massa muscular acumulada durante a primavera, o alerta acende-se imediatamente no pelotão.

Afinal, todos sabem o que costuma acontecer.

Pogačar entra numa fase em que as montanhas deixam de ser obstáculos e se transformam em terreno de ataque.

A poucas semanas do início do Tour, os sinais parecem convergir na mesma direção. Fisicamente mais leve, visualmente mais definido e aparentemente confortável em ritmos que deixam outros candidatos impressionados, o líder da UAE Team Emirates-XRG começa a apresentar os traços da versão que tantas vezes dominou as principais corridas do mundo.

A próxima oportunidade para confirmar essas sensações chegará na Volta à Suíça.

A corrida suíça arranca a 17 de junho e servirá como derradeiro teste competitivo antes do Tour. Mais do que os resultados, será uma oportunidade de observar como responde às montanhas, aos contrarrelógios e à intensidade acumulada de uma prova por etapas.

Curiosamente, apesar do vasto palmarés que já possui, a Volta à Suíça continua a ser uma das poucas corridas WorldTour de uma semana que ainda não figura na coleção do esloveno.

Isso acrescenta um interesse extra à sua participação.

Por um lado, a prova servirá para afinar a preparação para julho. Por outro lado, poderá representar mais uma oportunidade de enriquecer um currículo que já o coloca entre os grandes nomes da história recente do ciclismo.

Até lá, contudo, os relatos vindos da Sierra Nevada continuam a ecoar pelo pelotão.

Quando um rival admite que um candidato à vitória final passou por ele “a voar”, dificilmente se trata apenas de uma frase feita.

É antes um aviso.

Um daqueles sinais que surgem discretamente nas semanas que antecedem o Tour, mas que antecipam muitas vezes aquilo que acontece depois nas estradas francesas.

E, se os testemunhos recolhidos na montanha espanhola estiverem corretos, Tadej Pogačar já iniciou a aproximação final à pista de descolagem.

O Tour de France ainda não começou, mas o campeão do mundo parece ter levantado voo antes de todos os outros.


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