Milão em suspeita no Giro

🖋️Por: António Vieira Pacheco

📸 Créditos: Direitos Reservados

⏱️ Tempo de leitura:  3 minutos

As reclamações dos corredores são uma constante.

Fuga improvável abre polémica no Giro

A 15.ª etapa da Volta à Itália terminou com a vitória de Fredrik Dversnes em Milão, mas o pós-corrida foi dominado por um tema bem diferente: a incredulidade do pelotão.

Num dia percorrido a velocidade elevadíssima — com média de 51,3 km/h — a fuga resistiu até à meta e deixou atrás de si mais perguntas do que respostas. O quarteto formado por Dversnes, Mirco Maestri, Mattia Bais e Martin Marcellusi conseguiu sobreviver à perseguição feroz do pelotão e discutir a etapa entre si.

O cenário apanhou todas as pessoas desprevenidas.

Milão parecia desenhada para um sprint massivo. Acabou transformada num palco de suspeitas.

Acusações no pelotão

Durante grande parte do dia, o pelotão trabalhou com um objetivo claro: anular a fuga.

Lidl–Trek, Soudal Quick-Step, Unibet Tietema Rockets e outras equipas de sprinters gastaram homens e energia numa perseguição contínua.

Ainda assim, nunca conseguiram fechar o espaço.

Foi isso que gerou desconforto imediato após a meta.

Elmar Reinders, da Unibet, foi dos primeiros a reagir. Inicialmente cauteloso, acabou por dizer em voz alta o que vários corredores comentavam nos bastidores.

“Talvez houvesse um  ótimo motor na frente”

A declaração incendiou o desfecho da etapa.

Frustração sem explicação

Entre os mais duros nas reações esteve Max Walscheid.

O ciclista alemão da Lidl–Trek mostrou a sua frustração após mais uma oportunidade perdida pela equipa.

“Sei do que sou capaz. Sei os números que fizemos. E sei o que vimos na estrada. Assim não é possível.”

A Lidl–Trek voltou a sair sem vitória de um dia que parecia ideal para os sprinters.

Tim Torn Teutenberg, que teve papel na perseguição à fuga, também foi direto nas declarações.

“Quem percebe de ciclismo sabe que hoje foi um pouco uma anedota.”

As declarações refletiram o ambiente vivido no final: surpresa, frustração e muitas dúvidas.

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Debate reacende-se

A discussão sobre o impacto das motas de corrida não é nova no ciclismo. Quando circulam perto de uma fuga, podem gerar um efeito de aspiração que reduz a resistência ao vento e favorece quem está à frente. Em etapas planas e rápidas, essa influência pode se tornar decisiva.

Foi precisamente esse cenário que vários corredores sentiram em Milão.

Num dia em que o pelotão perseguiu, durante vários quilómetros, a alta velocidade sem conseguir fechar o espaço, o debate voltou a ganhar força no centro do Giro.

Dversnes celebrou a maior vitória da carreira.

Atrás, o pelotão ficou com a sensação de que algo fugiu e não apenas a fuga.

O pódio do Giro até ao momento.

Dia de descanso 

com polémica na bagagem

Com a etapa concluída, o Giro d'Itália entra hoje no terceiro e último dia de descanso.

Mas o descanso chega longe da tranquilidade.

A polémica segue viva no pelotão à entrada da última semana da corrida, num momento em que a luta pela classificação geral entra na fase decisiva. 

Milão já ficou para trás.

As dúvidas, essas, continuam bem vivas.

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