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Nelson Oliveira sobe na geral após vitória de Olav Kooij no Tour de France

🖋️ António Vieira Pacheco · 📅 9 julho 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️ 1 min · 🌱EMM Tour de France 2026: acompanha todos os resultados e análises no hub completo da prova.    Nelson Oliveira voltou a ganhar terreno na classificação geral da Volta a França, numa etapa em que Olav Kooij conquistou a primeira vitória da carreira na maior corrida do ciclismo mundial. O português da Movistar terminou integrado num grupo que chegou após uma queda nos quilómetros finais, subindo quatro posições na geral antes da primeira grande etapa de montanha, com chegada em alto a Gavarnie-Gèdre. O velocista neerlandês da Decathlon foi o mais forte ao sprint em Pau, impondo-se a Max Kanter (Astana) e Tim Merlier (Soudal), enquanto a queda a 5,6 quilómetros da meta provocou cortes no pelotão. Tadej Pogačar liderou o grupo principal, que perdeu 14 segundos para o vencedor, mas sem alterações entre os principais candidatos à classificação geral. Nelson Oliveira foi 99.º classificado, a 47 seg...

Afonso Eulálio: “Vou perder a camisola rosa no contrarrelógio”

 🖋️Por: António Vieira Pacheco

📸 Créditos: Direitos Reservados

⏱️ Tempo de leitura:  3 minutos

 
Afonso Eulálio está ciente que perderá a liderança do Giro no contrarrelógio.
Afonso Eulálio sonha com o top 10 no Giro.

“Não acredito que consiga mantê-la”

Afonso Eulálio já olha de frente para o contrarrelógio que pode mudar o rumo da Volta a Itália. Sem esconder a realidade, o português assumiu que dificilmente continuará de rosa após a 10.ª etapa do Giro.

Não acredito que a mantenha”, confessou, diretamente, quando questionado sobre a possibilidade de defender a liderança frente a Jonas Vingegaard. Ainda assim, o ciclista da Bahrain Victorious promete lutar até ao limite: “Gostava de defendê-la e vou lutar por isso”.

A sinceridade de Eulálio acaba por tornar o momento ainda mais forte. O português sabe que está prestes a entrar num terreno quase hostil às suas características. O contrarrelógio surge como uma longa reta contra o vento, uma estrada onde os ciclistas leves parecem carregar pedras invisíveis nas pernas.

O Jonas é excelente, um dos melhores corredores do mundo”, admitiu, antes de reconhecer que as suas hipóteses no “crono” são mínimas: “Dois, três numa escala até 10”.

O pior cenário possível

O líder do Giro não esconde que o traçado da 10.ª etapa é praticamente desenhado para os especialistas com potência pura.

Este contrarrelógio é plano, velocidade máxima. É o pior contrarrelógio para ciclistas leves”, explicou.

Eulálio parte para a etapa com 2,24 minutos de vantagem sobre Vingegaard, mas percebe que esse tempo pode desaparecer num ápice. O dinamarquês entra como favorito absoluto num dia em que a velocidade constante cai sobre os rivais como um martelo incessante.

É um contrarrelógio que é mesmo zero para mim. É sofrer”, resumiu.

De gregário a líder inesperado

Há poucas semanas, o cenário era completamente diferente. Eulálio chegou ao Giro com um papel secundário na equipa e sem qualquer expectativa de discutir a geral.

Há um mês, o meu plano era encarar o contrarrelógio como um dia de descanso”, revelou.

Agora, tudo mudou. A camisola rosa transformou a dimensão da corrida e também a responsabilidade do português. “Vim para o Giro como um homem de trabalho, um gregário. Ia ter as minhas oportunidades nas montanhas, e agora as coisas mudaram um pouco”, admitiu.

Essa mudança acabou por empurrá-lo para um território novo — fisicamente e mentalmente. O jovem corredor natural da Figueira da Foz passou de apoio silencioso a rosto principal da corrida.

O sonho continua vivo

Mesmo acreditando que perderá a liderança, Eulálio se recusa a desistir de sonhar.

O que gostaria era de fechar no top-10 e ganhar uma etapa”, confessou.

A frase resume bem o estado atual do português: realista perante as dificuldades, mas ainda alimentado pela ambição. Porque no Giro, às vezes, sobreviver já é uma vitória. Eulálio quer mais do que sobreviver.

No entanto, admite que ainda não sabe como reagirá emocionalmente ao momento em que deixar de vestir rosa. “Quando vesti a camisola rosa, ganhei força, mas não sei o que vai acontecer quando a perder”, reconheceu.

Contas ajustadas com o Giro

Depois de abandonar a Volta a Itália do ano passado a apenas dois dias do fim, Eulálio sente que esta edição já lhe devolveu algo importante.

Agora, penso que só falta mesmo terminar”, afirmou.

A decisão de regressar ao Giro, em vez de apostar no Tour, acabou por revelar-se certeira. “Deixei as contas em aberto no ano passado. E fizemos bastante bem em regressar”, defendeu.

A corrida italiana tornou-se quase uma dívida emocional para o português  e esta edição parece estar a pagar tudo com juros inesperados.

O português que aprendeu a gostar do caos

Foi na quinta etapa, após integrar a fuga do dia, que Eulálio vestiu a camisola rosa pela primeira vez. Desde então, tornou-se o segundo português com mais dias na liderança do Giro, atrás apenas de João Almeida.

O próprio admite que os dias mais duros parecem despertar nele algo especial.

Sofro, mas realmente gosto destes dias, molhados, de sobe e desce”, contou.

A frase encaixa perfeitamente no perfil que tem demonstrado nesta corrida: um corredor que cresce no desgaste, como quem encontra conforto no caos.

Ainda assim, reconhece que lhe falta experiência para gerir esforços ao nível dos grandes nomes da geral. E talvez seja exatamente essa mistura de irreverência e resistência que continua a torná-lo uma das grandes histórias deste Giro.

Duas semanas para descobrir até onde consegue ir

Apesar das dúvidas sobre o contrarrelógio, Eulálio acredita que poderá manter-se competitivo até Roma.

Faltam duas semanas, não sei o que posso fazer”, proferiu.

A última semana promete ser brutal, especialmente nas grandes montanhas, mas o português mantém confiança na Bahrain Victorious. “Temos uma boa equipa, que está a trabalhar muito bem”, concluiu.

O rosa pode desaparecer. O sonho, esse, continua vivo.

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