🖋️Por: António Vieira Pacheco
📸 Créditos: Federação Portuguesa de Ténis
⏱️ Tempo de leitura: 3 minutos
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| De punho cerrado, Kika Jorge comemora apuramento para a segunda ronda no Jamor. |
Lá fora, o dia fechou-se em cinzento.
Chuva miúda, por vezes forte, vento frio e um inverno persistente a lembrar que
fevereiro ainda manda. Cá dentro, porém, o cenário foi outro. No interior do
Jamor, Francisca Jorge trouxe claridade ao jogo e abriu o Women’s Indoor
Oeiras Open com uma exibição de gala.
A melhor tenista portuguesa da
atualidade entrou no quadro principal de singulares com autoridade. Frente à
polaca Linda Klimovicova, oitava cabeça de série, não houve espaço para
dúvidas. Foram 6-1 e 6-2, parciais que traduzem uma superioridade clara e serena.
Céu fechado, jogo limpo
A jornada abriu com Francisca no
court central. O embate desenrolou-se ao ritmo da vimaranense de 25 anos, que
desmontou, ponto a ponto, uma adversária habituada a palcos maiores.
Klimovicova chegara recentemente à segunda ronda do Australian Open, vinda do
qualifying, mas no Jamor encontrou uma muralha bem construída.
Francisca jogou com lucidez. Variou
alturas, mudou direções, controlou os tempos. O encontro foi uma espécie de
abrigo: enquanto o mau tempo castigava o exterior, no recinto reinava uma
bonança rara, feita de rigor tático e confiança.
Primeira alegria nacional
A vitória teve um peso
simbólico. Até ali, o torneio não sorria às portuguesas. Na véspera, Gabriela
Amorim e Angelina Voloshchuk haviam ficado pelo caminho na ronda inaugural.
Antes disso, Sara Lança e Analu Freitas haviam caído no arranque do qualifying.
Francisca foi, assim, a primeira portuguesa a
vencer no Women’s Indoor Oeiras Open. Um triunfo que quebrou o gelo e afastou a
nuvem que pairava sobre a representação nacional.
Autoridade sem ruído
Sem exuberâncias desnecessárias, a
número 217 do ranking WTA impôs-se com uma maturidade que já não surpreende. O
serviço funcionou como âncora. A resposta foi agressiva. As trocas prolongadas
penderam quase sempre para a portuguesa.
Houve ali uma exibição de quem sabe
ler o jogo e adaptar-se ao contexto. Francisca não precisou de acelerar além do
necessário. Jogou simples, jogou bem. E venceu com distinção.
Caminho aberto
O triunfo colocou-a na segunda ronda,
onde terá pela frente a checa Darja Vidmanova, 137.ª do mundo. A jovem jogadora
foi precisamente quem afastou Gabriela Amorim na segunda-feira, num duelo que
marcou a estreia da portuguesa nas provas do WTA.
Será um teste diferente. Vidmanova
traz energia e ambição. Francisca leva experiência, solidez e a confiança
reforçada por uma estreia convincente.
Jornada dupla
A jornada de terça-feira não ficará
por aqui para a vimaranense. Ainda neste dia, Francisca regressa ao court
principal para disputar a primeira ronda de pares. Ao seu lado estará a irmã
mais nova, Matilde Jorge, que também continua em prova nos singulares.
A ligação familiar volta a cruzar-se
com a competição. Dentro das quatro linhas, a cumplicidade transforma-se em
coordenação. Fora delas, o apoio é constante.
Vitória contra o clima
Num torneio marcado por atrasos,
chuva persistente e decisões condicionadas pela meteorologia, a vitória de Kika
teve algo de simbólico. Enquanto o tempo fechava lá fora, o ténis encontrou
abrigo no Jamor.
Foi uma vitória clara. Uma vitória
tranquila. E, sobretudo, uma vitória necessária para o ténis português, que
encontrou na melhor jogadora nacional um farol em dia de tempestade.
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