🖋️Por: António Vieira Pacheco
📸 Créditos: Federação Portuguesa de Ténis
⏱️ Tempo de leitura: 3 minutos
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| Angelina analisa derrota com muita lucidez. |
Durante quase quatro horas, o
tempo pareceu suspender-se na nave coberta do Jamor. Entre trocas longas,
silêncios densos e respirações forçadas, Angelina Voloshchuk travou um
duelo de resistência e caráter frente a Lucrezia Stefanini, 138.ª do
ranking mundial, no Women’s Indoor Oeiras Open.
A vitória esteve por duas vezes a um único
ponto de distância, mas acabou por escapar após 3h40 de batalha. Ainda assim, a
jovem portuguesa saiu de court derrotada no resultado, mas fortalecida na
convicção de que pertence a este patamar.
Aos 18 anos, a número três nacional
voltou a medir-se com uma jogadora de currículo superior e fê-lo de igual para
igual, transformando a primeira ronda deste WTA 125 numa prova de maturidade
competitiva. No final, o olhar era de tristeza contida, mas também de lucidez.
“Saio um bocadinho triste porque foi
um encontro bastante duro, o mais duro que já tive até hoje, quer mentalmente,
quer físico. No final fiquei mal fisicamente e ela esteve melhor nesse aspeto,
tem mais experiência e com certeza já teve mais encontros como este”, reconheceu Voloshchuk na conferência
de imprensa.
O
peso do esforço e a aprendizagem
O duelo foi exigente até ao limite do
corpo. E o desgaste físico acumulou-se, as cãibras tornaram-se um adversário
adicional e a experiência da italiana acabou por fazer a diferença nos momentos
decisivos. Ainda assim, Voloshchuk recusou qualquer leitura simplista do
desfecho.
“Mas penso que consegui lutar até ao
final e para mim isso foi o mais importante”, sublinhou, destacando a capacidade de resistência
como uma vitória silenciosa.
A portuguesa esteve a um ponto de
fechar o segundo ‘set’ por duas vezes, num momento que poderia ter alterado o
rumo do encontro. A frustração foi inevitável, mas rapidamente transformada em
análise.
“Seria uma vitória bastante boa e ia
ficar bastante feliz, mas mesmo com a derrota retiro coisas positivas deste
jogo. Devia ter jogado os match points de outra forma, mas ela esteve sólida e
isso foi bastante importante. Esteve melhor do que eu nos momentos
importantes.”
Entre a dor e a lucidez
Com o corpo a dar sinais claros de
limite, Voloshchuk procurou gerir emoções e sensações físicas até ao último
ponto. A lucidez manteve-se, mesmo quando o sofrimento se tornou evidente.
“Tentei não pensar muito nas cãibras
e manter-me o melhor possível até ao final, mesmo estando a sofrer um
bocadinho”,
explicou, sem esconder que “não ter fechado o segundo set custou”.
A análise foi feita com frontalidade
e maturidade, reconhecendo também aspetos a melhorar.
“Se calhar devia ter entrado melhor
nos sets para estar por cima no resultado”, admitiu, numa leitura fria de um encontro
emocionalmente intenso.
Pequenas vitórias que constroem um caminho
Apesar da derrota, os números ajudam
a explicar por que motivo o encontro deixou marcas positivas. Voloshchuk
terminou o duelo frente a uma ex-top 100 com mais do dobro dos winners
(51 contra 21) e foi, na maioria do tempo, a jogadora com a iniciativa do jogo.
Detalhes que, embora não tenham sido suficientes para garantir o triunfo,
reforçam a ideia de crescimento sustentado.
“Saio contente por perceber que
consigo estar aqui a jogar contra estas jogadoras”, resumiu, numa frase que espelha
confiança renovada e consciência do próprio valor.
O que se segue
Concluída a participação no primeiro Women’s
Indoor Oeiras Open, seguem-se agora alguns dias dedicados à recuperação e
ao treino, antes do segundo e último torneio WTA 125 desta categoria, novamente
na nave do Jamor. Pelo caminho, Voloshchuk terá ainda de decidir se opta pelo
qualifying ou pelo quadro principal, sabendo que dispõe apenas de mais dois Wild-cards
para provas WTA até ao final de 2026.
O resultado não ficará na memória
como uma vitória estatística. Este encontro pode, porém, marcar um ponto de
viragem invisível. É o momento em que uma jovem jogadora percebe, com o corpo
exausto e o espírito intacto, que o caminho que constrói é ascendente.
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