As férias do tenista Jack Sinner na neve

🖋️Por: António Vieira Pacheco

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Jack Sinner a esquiar, a sua segunda paixão no desporto.
Jack Sinner relaxa na neve, antes de começar a temporada de 2026.


Risco calculado

Jannik Sinner vive dias de equilíbrio delicado entre prazer e responsabilidade. Às portas de mais uma temporada decisiva, o número dois do ‘ranking’ mundial foi visto a esquiar em Itália, aproveitando uma pausa antes de iniciar oficialmente o ataque ao tricampeonato no Australian Open. Um momento de descontração que revela o lado humano do atleta,  mas que também levanta questões relevantes no contexto do desporto de alto rendimento.

O italiano sempre assumiu o esqui como uma das suas grandes paixões. Cresceu em ambiente alpino, rodeado de neve e montanha, e chegou mesmo a dividir a juventude entre o ténis e os desportos de inverno. Hoje, já consolidado como um dos melhores tenistas do mundo, essa ligação mantém-se, ainda que envolta em cuidados redobrados.

Momento livre

O período escolhido não é inocente. Sinner prepara-se para iniciar a temporada oficialmente em Melbourne, mas antes disso tem ainda marcada uma exibição frente a Carlos Alcaraz, no dia 10 de janeiro, na Coreia do Sul. Até lá, gere o tempo com precisão cirúrgica.

O esqui surge como escape mental, uma forma de desligar da pressão constante do circuito. No plano psicológico, estes momentos são frequentemente valorizados por treinadores e equipas técnicas, sobretudo em atletas submetidos a calendários longos e exigentes.

Linha ténue

No entanto, há uma linha ténue entre descanso ativo e risco desnecessário. O esqui é uma modalidade exigente, com elevado potencial de lesão, mesmo para atletas experientes. Quedas, impactos e torções fazem parte da natureza da atividade — e no ténis de elite, qualquer lesão pode comprometer meses de trabalho.

Não é por acaso que muitos jogadores evitam desportos considerados perigosos fora da época competitiva. Um mau movimento, uma queda mal calculada ou uma colisão inesperada podem colocar em causa objetivos traçados ao longo de um ano inteiro.

Gestão física

No caso de Sinner, tudo indica que a prática é controlada, acompanhada e realizada em contextos de máxima segurança. Ainda assim, o alerta mantém-se. O corpo de um tenista de topo é uma ferramenta de precisão, afinada ao detalhe, e qualquer atividade paralela deve ser avaliada sob essa lógica.

O próprio circuito tem exemplos suficientes de atletas cuja temporada ficou marcada por lesões contraídas fora do campo. No alto rendimento, o risco nunca é somente individual — é coletivo, envolve equipas técnicas, patrocinadores e calendários inteiros.

Cabeça fria

Sinner tem mostrado maturidade na forma como gere a carreira. A ascensão ao topo não foi fruto de impulsos, mas de decisões consistentes. É essa mesma maturidade que agora se espera na gestão destes momentos de lazer.

O italiano sabe que a margem de erro é mínima. O Australian Open aproxima-se, a exigência será máxima e o corpo terá de responder sem reservas. Cada escolha fora do court reflete-se, inevitavelmente, dentro dele.

Equilíbrio final

O esqui, para Sinner, não é somente diversão. É identidade, memória e prazer pessoal. Mas no ténis moderno, até as paixões precisam de ser calibradas. O descanso é essencial, a descontração é saudável — o risco excessivo, não.

No final, tudo se resume a equilíbrio. Desfrutar sem comprometer. Relaxar sem perder o foco. Porque no alto rendimento, o maior adversário nem sempre está do outro lado da rede. Muitas vezes, está nas escolhas feitas fora dela.

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