Andy Roddick sobre Novak Djokovic: “O corpo decide”

  🖋️Por: António Vieira Pacheco

📸 Créditos: ATP Tour

⏱️ Tempo de leitura: 3 minutos

O corpo aguentará em 2026 para Novak Djokovic?
Roddick tem dúvidas se em 2026 o físico de Novak Dkokovic aguentará a alta competição.

Andy Roddick questiona a capacidade física de Novak Djokovic para voltar a vencer Grand Slams

Novak Djokovic não desistiu. Aos 38 anos, com praticamente tudo conquistado no ténis mundial, o sérvio continua a preparar cada temporada como quem ainda tem algo por provar. A ambição mantém-se intacta, a disciplina também. Porém, à medida que o tempo passa, cresce uma interrogação que já não pode ser ignorada: será o corpo capaz de acompanhar a vontade?

Andy Roddick colocou essa dúvida no centro do debate. O antigo número um do mundo e campeão do US Open não questiona a qualidade de Djokovic — seria absurdo fazê-lo —, mas aponta para aquilo que, no ténis de alto rendimento, acaba sempre por ser determinante: a resposta física. Aos 38 anos, o corpo já não reage como antes, por mais talento, experiência ou método que existam.

Tempo biológico

A discussão não passa pelo nível técnico. Djokovic continua a ser um dos jogadores mais completos da história, com uma leitura de jogo ímpar e uma capacidade competitiva fora do comum. O problema, como sublinha Roddick, é outro. É o tempo biológico, esse adversário silencioso que não distingue campeões.

A grande questão é simples: conseguirá Djokovic treinar em 2026 como treinava nos seus melhores anos? Em 2025, não conseguiu. E foi o próprio sérvio a admiti-lo. Menos carga de treino significa menos resistência acumulada. E no ténis moderno, essa diferença paga-se caro.

Carga máxima

Ganhar um Grand Slam é sobreviver a duas semanas de desgaste progressivo. São partidas à melhor de cinco ‘sets’, recuperação limitada, exigência mental constante e uma intensidade que aumenta ronda após ronda. Não basta jogar bem num dia. É preciso sustentar um nível elevado durante quinze dias.

Roddick duvida que alguém, aos 38 anos, consiga treinar “ao máximo” de forma contínua. E se não consegue treinar ao máximo, como poderá o corpo aguentar o esforço exigido quando chegam as fases decisivas? A pergunta não é teórica. Em 2025, segundo o antigo tenista norte-americano, a resposta foi clara: não aguentou.

Confissão clara

Há algo de novo no discurso de Djokovic. Durante anos, construiu uma imagem de quase invulnerabilidade física, sustentada por uma preparação obsessiva e por uma relação muito consciente com o corpo. Agora, a narrativa mudou.

O sérvio admitiu não saber se o corpo vai aguentar quando chegar às meias-finais de um Grand Slam. Admitiu que, mesmo atingindo essa fase, não sabe se conseguirá vencer se o desgaste já for demasiado elevado. Para Roddick, esta é a pergunta central de toda a conversa.

Não se trata de perder cedo. Trata-se de chegar longe e não conseguir terminar.

Nova realidade

O ténis atual é mais físico do que nunca. As trocas são mais longas, os serviços mais potentes, a exigência atlética permanente. Jogadores mais jovens recuperam rapidamente, absorvem cargas intensas e mantêm intensidade dia após dia. Para um atleta de 38 anos, cada jogo longo deixa marcas.

Djokovic tenta adaptar-se. Escolhe melhor o calendário, reduz torneios, procura picos de forma bem definidos. Mas os Grand Slams não permitem atalhos. Exigem preparação máxima e resistência total. E o corpo, nesta fase da carreira, já não responde com a mesma previsibilidade.

Ainda assim, Djokovic tem algo que poucos possuem: experiência. Sabe gerir momentos, controlar ritmos, poupar energia quando necessário. Consegue ganhar jogos mesmo sem estar no seu melhor. Essa inteligência competitiva mantém-no relevante.

Mas a experiência não substitui totalmente a frescura física. Pode compensar durante alguns encontros, talvez durante um torneio inteiro se as condições forem favoráveis. O problema surge quando a exigência se prolonga e o corpo começa a cobrar o preço.

A história recente do ténis mostra poucos exemplos de jogadores a vencer Grand Slams perto dos 40 anos. Djokovic tenta ser exceção. Mas até as exceções dependem de circunstâncias muito específicas.

Limite invisível

O maior adversário do adversário já não está do outro lado da rede. Está no próprio corpo. Não é uma quebra evidente, mas um limite invisível feito de sinais subtis: menos horas de treino, mais tempo de recuperação, maior risco de lesão.

Roddick não questiona a ambição do sérvio. Questiona a sustentabilidade desse esforço. E, nesse ponto, a dúvida é legítima.

Ganhar um Grand Slam exige chegar inteiro à final — e chegar inteiro depois de tudo o que veio antes.

Última questão

Djokovic continuará a tentar. Isso é uma certeza. Porque os grandes campeões não sabem parar enquanto acreditam que ainda é possível. Mas a pergunta que paira sobre o circuito não é se ele quer. É se pode.

Aos 38 anos, com o corpo a impor novas regras, cada tentativa torna-se mais complexa. Talvez ainda haja espaço para um último momento de glória. Ou, talvez não.

Como afirma Andy Roddick, a resposta não está na técnica nem na motivação. Está no corpo. E, no ténis de elite, o corpo acaba sempre por decidir.

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