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Van der Poel fez do Luxemburgo o treino que ninguém consegue fazer

    🖋️ António Vieira Pacheco · 📅 20 de setembro 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️ 2 min · 🌱EMM Mathieu van der Poel decidiu cedo que não queria esperar por ninguém. Atacou praticamente de saída, ficou sozinho durante 174 quilómetros e transformou a última etapa do Tour de Luxemburgo numa demonstração pouco habitual de força, uma semana antes do Mundial de Montreal. Não foi uma fuga que ganhou forma aos poucos. Nem foi um ataque nos últimos quilómetros. Van der Poel saiu praticamente desde o início e passou mais de quatro horas pedalando sozinho na frente. A etapa tinha 177 quilómetros e mais de 3000 metros de acumulado. O neerlandês fez 174 deles isolado, resistiu à perseguição e chegou à meta com 1,04 minutos de vantagem sobre Mikkel Honoré. E havia uma razão para estar ali. Van der Poel não escolheu o Luxemburgo por acaso. Enquanto vários dos principais candidatos ao Mundial optaram pelos Grandes Prémios do Canadá, o campeão mundial de 2023 preferiu uma corrida de ci...

Andy Roddick sobre Novak Djokovic: “O corpo decide”

  🖋️Por: António Vieira Pacheco

📸 Créditos: ATP Tour

⏱️ Tempo de leitura: 3 minutos

O corpo aguentará em 2026 para Novak Djokovic?
Roddick tem dúvidas se em 2026 o físico de Novak Dkokovic aguentará a alta competição.

Andy Roddick questiona a capacidade física de Novak Djokovic para voltar a vencer Grand Slams

Novak Djokovic não desistiu. Aos 38 anos, com praticamente tudo conquistado no ténis mundial, o sérvio continua a preparar cada temporada como quem ainda tem algo por provar. A ambição mantém-se intacta, a disciplina também. Porém, à medida que o tempo passa, cresce uma interrogação que já não pode ser ignorada: será o corpo capaz de acompanhar a vontade?

Andy Roddick colocou essa dúvida no centro do debate. O antigo número um do mundo e campeão do US Open não questiona a qualidade de Djokovic — seria absurdo fazê-lo —, mas aponta para aquilo que, no ténis de alto rendimento, acaba sempre por ser determinante: a resposta física. Aos 38 anos, o corpo já não reage como antes, por mais talento, experiência ou método que existam.

Tempo biológico

A discussão não passa pelo nível técnico. Djokovic continua a ser um dos jogadores mais completos da história, com uma leitura de jogo ímpar e uma capacidade competitiva fora do comum. O problema, como sublinha Roddick, é outro. É o tempo biológico, esse adversário silencioso que não distingue campeões.

A grande questão é simples: conseguirá Djokovic treinar em 2026 como treinava nos seus melhores anos? Em 2025, não conseguiu. E foi o próprio sérvio a admiti-lo. Menos carga de treino significa menos resistência acumulada. E no ténis moderno, essa diferença paga-se caro.

Carga máxima

Ganhar um Grand Slam é sobreviver a duas semanas de desgaste progressivo. São partidas à melhor de cinco ‘sets’, recuperação limitada, exigência mental constante e uma intensidade que aumenta ronda após ronda. Não basta jogar bem num dia. É preciso sustentar um nível elevado durante quinze dias.

Roddick duvida que alguém, aos 38 anos, consiga treinar “ao máximo” de forma contínua. E se não consegue treinar ao máximo, como poderá o corpo aguentar o esforço exigido quando chegam as fases decisivas? A pergunta não é teórica. Em 2025, segundo o antigo tenista norte-americano, a resposta foi clara: não aguentou.

Confissão clara

Há algo de novo no discurso de Djokovic. Durante anos, construiu uma imagem de quase invulnerabilidade física, sustentada por uma preparação obsessiva e por uma relação muito consciente com o corpo. Agora, a narrativa mudou.

O sérvio admitiu não saber se o corpo vai aguentar quando chegar às meias-finais de um Grand Slam. Admitiu que, mesmo atingindo essa fase, não sabe se conseguirá vencer se o desgaste já for demasiado elevado. Para Roddick, esta é a pergunta central de toda a conversa.

Não se trata de perder cedo. Trata-se de chegar longe e não conseguir terminar.

Nova realidade

O ténis atual é mais físico do que nunca. As trocas são mais longas, os serviços mais potentes, a exigência atlética permanente. Jogadores mais jovens recuperam rapidamente, absorvem cargas intensas e mantêm intensidade dia após dia. Para um atleta de 38 anos, cada jogo longo deixa marcas.

Djokovic tenta adaptar-se. Escolhe melhor o calendário, reduz torneios, procura picos de forma bem definidos. Mas os Grand Slams não permitem atalhos. Exigem preparação máxima e resistência total. E o corpo, nesta fase da carreira, já não responde com a mesma previsibilidade.

Ainda assim, Djokovic tem algo que poucos possuem: experiência. Sabe gerir momentos, controlar ritmos, poupar energia quando necessário. Consegue ganhar jogos mesmo sem estar no seu melhor. Essa inteligência competitiva mantém-no relevante.

Mas a experiência não substitui totalmente a frescura física. Pode compensar durante alguns encontros, talvez durante um torneio inteiro se as condições forem favoráveis. O problema surge quando a exigência se prolonga e o corpo começa a cobrar o preço.

A história recente do ténis mostra poucos exemplos de jogadores a vencer Grand Slams perto dos 40 anos. Djokovic tenta ser exceção. Mas até as exceções dependem de circunstâncias muito específicas.

Limite invisível

O maior adversário do adversário já não está do outro lado da rede. Está no próprio corpo. Não é uma quebra evidente, mas um limite invisível feito de sinais subtis: menos horas de treino, mais tempo de recuperação, maior risco de lesão.

Roddick não questiona a ambição do sérvio. Questiona a sustentabilidade desse esforço. E, nesse ponto, a dúvida é legítima.

Ganhar um Grand Slam exige chegar inteiro à final — e chegar inteiro depois de tudo o que veio antes.

Última questão

Djokovic continuará a tentar. Isso é uma certeza. Porque os grandes campeões não sabem parar enquanto acreditam que ainda é possível. Mas a pergunta que paira sobre o circuito não é se ele quer. É se pode.

Aos 38 anos, com o corpo a impor novas regras, cada tentativa torna-se mais complexa. Talvez ainda haja espaço para um último momento de glória. Ou, talvez não.

Como afirma Andy Roddick, a resposta não está na técnica nem na motivação. Está no corpo. E, no ténis de elite, o corpo acaba sempre por decidir.

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