🖋️Por: António Vieira Pacheco
📸 Créditos: ATP Tour
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| Roddick tem dúvidas se em 2026 o físico de Novak Dkokovic aguentará a alta competição. |
Andy Roddick questiona a capacidade física de Novak Djokovic para voltar a vencer Grand Slams
Novak Djokovic não desistiu. Aos 38
anos, com praticamente tudo conquistado no ténis mundial, o sérvio continua a
preparar cada temporada como quem ainda tem algo por provar. A ambição
mantém-se intacta, a disciplina também. Porém, à medida que o tempo passa,
cresce uma interrogação que já não pode ser ignorada: será o corpo capaz de
acompanhar a vontade?
Andy Roddick colocou essa dúvida no
centro do debate. O antigo número um do mundo e campeão do US Open não
questiona a qualidade de Djokovic — seria absurdo fazê-lo —, mas aponta para
aquilo que, no ténis de alto rendimento, acaba sempre por ser determinante: a
resposta física. Aos 38 anos, o corpo já não reage como antes, por mais
talento, experiência ou método que existam.
Tempo biológico
A discussão não passa pelo nível
técnico. Djokovic continua a ser um dos jogadores mais completos da história,
com uma leitura de jogo ímpar e uma capacidade competitiva fora do comum. O
problema, como sublinha Roddick, é outro. É o tempo biológico, esse adversário
silencioso que não distingue campeões.
A grande questão é simples:
conseguirá Djokovic treinar em 2026 como treinava nos seus melhores anos? Em
2025, não conseguiu. E foi o próprio sérvio a admiti-lo. Menos carga de treino
significa menos resistência acumulada. E no ténis moderno, essa diferença
paga-se caro.
Carga máxima
Ganhar um Grand Slam é sobreviver a
duas semanas de desgaste progressivo. São partidas à melhor de cinco ‘sets’,
recuperação limitada, exigência mental constante e uma intensidade que aumenta
ronda após ronda. Não basta jogar bem num dia. É preciso sustentar um nível
elevado durante quinze dias.
Roddick duvida que alguém, aos 38
anos, consiga treinar “ao máximo” de forma contínua. E se não consegue
treinar ao máximo, como poderá o corpo aguentar o esforço exigido quando chegam
as fases decisivas? A pergunta não é teórica. Em 2025, segundo o antigo tenista
norte-americano, a resposta foi clara: não aguentou.
Confissão clara
Há algo de novo no discurso de
Djokovic. Durante anos, construiu uma imagem de quase invulnerabilidade física,
sustentada por uma preparação obsessiva e por uma relação muito consciente com
o corpo. Agora, a narrativa mudou.
O sérvio admitiu não saber se o corpo
vai aguentar quando chegar às meias-finais de um Grand Slam. Admitiu que, mesmo
atingindo essa fase, não sabe se conseguirá vencer se o desgaste já for
demasiado elevado. Para Roddick, esta é a pergunta central de toda a conversa.
Não se trata de perder cedo. Trata-se de chegar longe e não conseguir terminar.
Nova realidade
O ténis atual é mais físico do que
nunca. As trocas são mais longas, os serviços mais potentes, a exigência
atlética permanente. Jogadores mais jovens recuperam rapidamente, absorvem
cargas intensas e mantêm intensidade dia após dia. Para um atleta de 38 anos,
cada jogo longo deixa marcas.
Djokovic tenta adaptar-se. Escolhe melhor o calendário, reduz torneios, procura picos de forma bem definidos. Mas os Grand Slams não permitem atalhos. Exigem preparação máxima e resistência total. E o corpo, nesta fase da carreira, já não responde com a mesma previsibilidade.
Ainda assim, Djokovic tem algo que
poucos possuem: experiência. Sabe gerir momentos, controlar ritmos, poupar
energia quando necessário. Consegue ganhar jogos mesmo sem estar no seu melhor.
Essa inteligência competitiva mantém-no relevante.
Mas a experiência não substitui
totalmente a frescura física. Pode compensar durante alguns encontros, talvez
durante um torneio inteiro se as condições forem favoráveis. O problema surge
quando a exigência se prolonga e o corpo começa a cobrar o preço.
A história recente do ténis mostra
poucos exemplos de jogadores a vencer Grand Slams perto dos 40 anos. Djokovic
tenta ser exceção. Mas até as exceções dependem de circunstâncias muito
específicas.
Limite invisível
O maior adversário do adversário já não
está do outro lado da rede. Está no próprio corpo. Não é uma quebra evidente,
mas um limite invisível feito de sinais subtis: menos horas de treino, mais
tempo de recuperação, maior risco de lesão.
Roddick não questiona a ambição do
sérvio. Questiona a sustentabilidade desse esforço. E, nesse ponto, a dúvida é
legítima.
Ganhar um Grand Slam exige chegar
inteiro à final — e chegar inteiro depois de tudo o que veio antes.
Última questão
Djokovic continuará a tentar. Isso é uma
certeza. Porque os grandes campeões não sabem parar enquanto acreditam que
ainda é possível. Mas a pergunta que paira sobre o circuito não é se ele quer.
É se pode.
Aos 38 anos, com o corpo a impor
novas regras, cada tentativa torna-se mais complexa. Talvez ainda haja espaço
para um último momento de glória. Ou, talvez não.
Como afirma Andy Roddick, a resposta
não está na técnica nem na motivação. Está no corpo. E, no ténis de elite, o
corpo acaba sempre por decidir.
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