Iúri Leitão revela: «Foi uma das semanas mais duras da minha carreira»
António Vieira Pacheco
Leitura estimada: 3 min
O português voltou a
conquistar o título mundial de Omnium, em Xangai, e destacou a importância de
manter a calma numa competição marcada pela pressão e pelo equilíbrio entre os
adversários.
Iúri Leitão voltou a colocar o
ciclismo português no topo do mundo. O corredor de Viana do Castelo conquistou
este sábado o título mundial de Omnium, nos Campeonatos do Mundo de ciclismo de
pista, disputados em Xangai, na China, repetindo o feito alcançado em 2023, em
Glasgow.
O português terminou a
competição com 143 pontos, superando o belga Fabio Van den Bossche, segundo
classificado, com 129, e o alemão Tim Torn Teutenberg, terceiro, com 115.
A conquista teve um
significado especial para o ciclista de 28 anos, que não escondeu as
dificuldades sentidas nos últimos dias. No final da prova, em
declarações aos canais de comunicação da União Ciclista Internacional (UCI),
Iúri Leitão descreveu a semana como particularmente exigente.
«Foi uma das semanas mais
duras que enfrentei na minha carreira», afirmou, explicando que a
equipa passou por vários problemas e a vitória representou um enorme alívio
depois da pressão acumulada.
«É um alívio tirar esta pressão toda de cima dos meus ombros e da minha equipa. Estamos muito orgulhosos e felizes», acrescentou o campeão português.
A prova de Omnium, composta
por quatro disciplinas — scratch, corrida de tempo, eliminação e corrida por
pontos — exige capacidade física, inteligência tática e gestão rigorosa do
esforço.
Iúri Leitão começou da melhor
maneira, vencendo o scratch. Terminou depois as provas de tempo e eliminação no
terceiro lugar, mantendo-se na luta pelo título antes da decisiva corrida por
pontos.
Foi nessa última disciplina
que o português teve de responder ao ataque de Fabio Van den Bossche, que
conseguiu ganhar uma volta ao pelotão e somar 20 pontos, passando
temporariamente à frente na classificação.
Leitão respondeu com a mesma
estratégia, recuperou a liderança e confirmou o triunfo numa fase final em que
a capacidade de decisão voltou a ser determinante.
«A corrida foi muito renhida
até ao fim. Por isso, penso que ter conseguido manter a calma foi a chave da
vitória», explicou.
O português resumiu ainda a
exigência estratégica da disciplina: «Para ganhar temos de ser frios e jogar
bem as cartas limitadas que temos ao nosso alcance».
Um currículo cada vez mais importante
O segundo título mundial de Omnium
junta-se a um percurso internacional de excelência. Iúri Leitão já tinha
conquistado o ouro nesta disciplina em Glasgow, em 2023, e venceu o Campeonato
da Europa em fevereiro de 2026.
Nos Jogos Olímpicos de Paris
2024, arrebatou a medalha de prata no omnium e conquistou o ouro na madison, ao
lado de Rui Oliveira.
A vitória em Xangai representa
mais um marco para o ciclismo português, numa edição dos Mundiais em que
Portugal já tinha conquistado medalhas de bronze por Maria Martins, no scratch,
e Miguel Salgueiro, na corrida por pontos.
A participação portuguesa
prossegue este domingo, com Iúri Leitão e Rui Oliveira a competirem na madison,
disciplina na qual conquistaram o título olímpico em Paris.
Em Xangai, Iúri Leitão voltou
a demonstrar que a diferença entre os melhores não se faz apenas com as pernas.
Num omnium decidido até aos últimos momentos, a capacidade de manter a lucidez
sob pressão acabou por ser tão importante como a força física.

Comentários
Enviar um comentário
Críticas construtivas e envio de notícias.