«A Volta ao Algarve foi uma libertação» revela o pai de Paul Seixas
António Vieira Pacheco
O pai do jovem francês revelou à imprensa que o quarto lugar no Tour de France foi marcado por momentos de tensão. Uma queda antes da partida e o receio de ser derrubado no pelotão.
Paul Seixas tornou-se uma das
grandes figuras do ciclismo internacional em 2026. A vitória na Il Lombardia,
que o inscreveu na história da modalidade como o mais jovem vencedor do último Monumento da
temporada, confirmou o talento excecional do francês. Mas, além dos
resultados, houve uma época marcada por pressão, ansiedade e momentos difíceis
que nem sempre foram visíveis para quem acompanhou as corridas.
Em entrevista ao jornal
francês L’Équipe, Emmanuel Seixas, pai do corredor da Decathlon-CMA CGM,
revelou alguns desses episódios. E deixou uma ideia surpreendente: apesar da
dimensão dos triunfos recentes, foi uma vitória na Volta ao Algarve que teve um
significado especial para o filho.
Uma vitória libertadora
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A segunda etapa da Volta ao
Algarve terminou no Alto do Malhão, onde Paul Seixas bateu Juan Ayuso num duelo
que lhe proporcionou uma das vitórias mais marcantes da primeira parte da temporada.
Para Emmanuel Seixas, aquele
triunfo representou muito mais do que um resultado desportivo. O filho estava
ansioso por conquistar uma vitória e sentia a pressão de transformar o
potencial demonstrado em resultados.
«Foi uma libertação, porque
ele estava incrivelmente ansioso para vencer o mais rápido possível e treinou
muito para conseguir isso», explicou o pai.
A ambição do jovem francês
ajuda a compreender essa ansiedade. Seixas não parece encarar os resultados
intermédios como motivo de satisfação quando acredita que podia ter vencido.
«Ele adora vencer; nada mais
importa. E quer prevalecer contra rivais de alto nível. Quando ele diz “Eu
quero vencer”, isso assusta-nos porque, para ele, terminar em segundo, terceiro
ou décimo é o mesmo: perdeu», contou Emmanuel.
Uma mentalidade que pode
alimentar a ambição de um campeão, mas que ajuda a perceber o peso das
expectativas sobre um corredor ainda muito jovem.
O medo no Tour
O quarto lugar na
classificação geral do Tour de France foi um dos grandes resultados da carreira
de Seixas. Porém, segundo o pai, a experiência também teve momentos de tensão
psicológica.
«Depois da segunda semana, ele
começou a ficar stressado porque, às vezes, tinha medo de ser empurrado por
outras pessoas nas subidas e cair», revelou.
O receio terá aumentado à
medida que a corrida avançava. Nas etapas finais, o desgaste físico acumulado
juntou-se à preocupação com a possibilidade de sofrer um acidente.
«A situação ficou mais
desafiante a nível mental durante a terceira semana. Nos últimos dois ou três
dias, estava exausto; ficava a pensar: 'Algo pode acontecer comigo',
relatou Emmanuel Seixas.
As declarações mostram um lado
menos conhecido da estreia de um jovem corredor numa das provas mais exigentes
do calendário. A capacidade física para discutir a classificação geral não
elimina necessariamente a insegurança perante os riscos do pelotão, sobretudo
numa corrida de três semanas.
A queda que ficou em segredo
A preparação para o Tour
também não decorreu sem sobressaltos.
De acordo com o pai, Paul
Seixas sofreu uma queda na véspera do contrarrelógio por equipas, que abriu a
prova, em Barcelona. O acidente aconteceu quando escorregou nos carris do
elétrico, reabrindo ferimentos provocados por uma queda anterior, na sétima etapa
do Tour Auvergne-Rhône-Alpes.
«Ele caiu novamente um dia
antes do contrarrelógio por equipas em Barcelona; escorregou nos carris do
elétrico e reabriu todos os ferimentos», contou.
A equipa manteve o episódio
distante da atenção pública, segundo o relato de Emmanuel, para não alertar os
adversários.
«Mantiveram isso em segredo
para não alertar os rivais, mas foi difícil. Apesar de tudo, estava em ótima
forma física e isso não alterou o resultado», acrescentou.
O francês conseguiu, ainda
assim, terminar o Tour no quarto lugar, um resultado de enorme dimensão para um
corredor da sua idade.
Mais do que resultados
A vitória na Il Lombardia
confirmou a capacidade de Paul Seixas de competir e vencer ao mais alto
nível. Mas as revelações do pai ajudam a perceber que a ascensão não se mede
apenas pelos triunfos, pelos lugares na classificação geral ou pela precocidade
dos feitos.
A ambição de vencer, a pressão
de corresponder às expectativas e o receio de uma queda fazem parte da
experiência de um jovem que está a descobrir os limites de uma carreira de
elite.
E, na memória familiar de uma
temporada extraordinária, uma vitória no Alto do Malhão continua a ter um
significado especial: foi o momento em que, nas palavras do pai, a pressão de
ganhar deu lugar à libertação.



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