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«A Volta ao Algarve foi uma libertação» revela o pai de Paul Seixas

  António Vieira Pacheco

13 de outubro de 2026
DIREITOS RESERVADOS — EMM

Leitura estimada: 3 min

Paul Seixas ao lado do pai.
Imagem: Direitos Reservados.

O pai do jovem francês revelou à imprensa que o quarto lugar no Tour de France foi marcado por momentos de tensão. Uma queda antes da partida e o receio de ser derrubado no pelotão.

Paul Seixas tornou-se uma das grandes figuras do ciclismo internacional em 2026. A vitória na Il Lombardia, que o inscreveu na história da modalidade como o mais jovem vencedor do último Monumento da temporada, confirmou o talento excecional do francês. Mas, além dos resultados, houve uma época marcada por pressão, ansiedade e momentos difíceis que nem sempre foram visíveis para quem acompanhou as corridas.

Em entrevista ao jornal francês L’Équipe, Emmanuel Seixas, pai do corredor da Decathlon-CMA CGM, revelou alguns desses episódios. E deixou uma ideia surpreendente: apesar da dimensão dos triunfos recentes, foi uma vitória na Volta ao Algarve que teve um significado especial para o filho.

Uma vitória libertadora

Paul Seixas incentivado pelo público.
Direitos Reservados.

A segunda etapa da Volta ao Algarve terminou no Alto do Malhão, onde Paul Seixas bateu Juan Ayuso num duelo que lhe proporcionou uma das vitórias mais marcantes da primeira parte da temporada.

Para Emmanuel Seixas, aquele triunfo representou muito mais do que um resultado desportivo. O filho estava ansioso por conquistar uma vitória e sentia a pressão de transformar o potencial demonstrado em resultados.

«Foi uma libertação, porque ele estava incrivelmente ansioso para vencer o mais rápido possível e treinou muito para conseguir isso», explicou o pai.

A ambição do jovem francês ajuda a compreender essa ansiedade. Seixas não parece encarar os resultados intermédios como motivo de satisfação quando acredita que podia ter vencido.

«Ele adora vencer; nada mais importa. E quer prevalecer contra rivais de alto nível. Quando ele diz “Eu quero vencer”, isso assusta-nos porque, para ele, terminar em segundo, terceiro ou décimo é o mesmo: perdeu», contou Emmanuel.

Uma mentalidade que pode alimentar a ambição de um campeão, mas que ajuda a perceber o peso das expectativas sobre um corredor ainda muito jovem.

O medo no Tour

O quarto lugar na classificação geral do Tour de France foi um dos grandes resultados da carreira de Seixas. Porém, segundo o pai, a experiência também teve momentos de tensão psicológica.

«Depois da segunda semana, ele começou a ficar stressado porque, às vezes, tinha medo de ser empurrado por outras pessoas nas subidas e cair», revelou.

O receio terá aumentado à medida que a corrida avançava. Nas etapas finais, o desgaste físico acumulado juntou-se à preocupação com a possibilidade de sofrer um acidente.

«A situação ficou mais desafiante a nível mental durante a terceira semana. Nos últimos dois ou três dias, estava exausto; ficava a pensar: 'Algo pode acontecer comigo', relatou Emmanuel Seixas.

Uma das vitórias do ano de Paul Seixas.

As declarações mostram um lado menos conhecido da estreia de um jovem corredor numa das provas mais exigentes do calendário. A capacidade física para discutir a classificação geral não elimina necessariamente a insegurança perante os riscos do pelotão, sobretudo numa corrida de três semanas.

A queda que ficou em segredo

A preparação para o Tour também não decorreu sem sobressaltos.

De acordo com o pai, Paul Seixas sofreu uma queda na véspera do contrarrelógio por equipas, que abriu a prova, em Barcelona. O acidente aconteceu quando escorregou nos carris do elétrico, reabrindo ferimentos provocados por uma queda anterior, na sétima etapa do Tour Auvergne-Rhône-Alpes.

«Ele caiu novamente um dia antes do contrarrelógio por equipas em Barcelona; escorregou nos carris do elétrico e reabriu todos os ferimentos», contou.

A equipa manteve o episódio distante da atenção pública, segundo o relato de Emmanuel, para não alertar os adversários.

«Mantiveram isso em segredo para não alertar os rivais, mas foi difícil. Apesar de tudo, estava em ótima forma física e isso não alterou o resultado», acrescentou.

O francês conseguiu, ainda assim, terminar o Tour no quarto lugar, um resultado de enorme dimensão para um corredor da sua idade.

Mais do que resultados

A vitória na Il Lombardia confirmou a capacidade de Paul Seixas de competir e vencer ao mais alto nível. Mas as revelações do pai ajudam a perceber que a ascensão não se mede apenas pelos triunfos, pelos lugares na classificação geral ou pela precocidade dos feitos.

A ambição de vencer, a pressão de corresponder às expectativas e o receio de uma queda fazem parte da experiência de um jovem que está a descobrir os limites de uma carreira de elite.

E, na memória familiar de uma temporada extraordinária, uma vitória no Alto do Malhão continua a ter um significado especial: foi o momento em que, nas palavras do pai, a pressão de ganhar deu lugar à libertação.









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