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Três adeptas detidas após insultos ao selecionador chinês de ténis de mesa
António Vieira Pacheco
Três pessoas foram alvo de detenção administrativa na China por insultarem publicamente Wang Hao, selecionador da equipa masculina chinesa de ténis de mesa. Outras 17 foram advertidas pelas autoridades, na sequência de um incidente ocorrido a 6 de outubro, durante o WTT China Smash, em Pequim.
A decisão policial, divulgada a 10 de outubro, representa um novo capítulo num caso que ultrapassou a discussão sobre escolhas técnicas e colocou no centro do debate o comportamento de alguns adeptos perante treinadores e jogadores.
Segundo a polícia do distrito de Shijingshan, um grupo de 20 pessoas juntou-se para insultar o treinador quando este atravessava uma passagem junto ao recinto da competição. As autoridades concluíram que alguns dos envolvidos repetiram os insultos e publicaram posteriormente mensagens ofensivas e vídeos do episódio na Internet.
Três detenções
As três pessoas sujeitas à detenção administrativa são duas mulheres de 19 anos e uma adolescente de 16 anos.
Segundo o comunicado policial, as três tiveram participação considerada mais grave. As restantes 17 pessoas envolvidas foram alvo de advertências e ações de sensibilização.
A polícia justificou as medidas pela gravidade dos comportamentos e pelo impacto social da divulgação dos insultos. A polícia apelou ainda aos adeptos para que acompanhassem as competições com civismo e manifestassem as suas opiniões sem perturbar a ordem pública.
O caso havia começado quatro dias antes, quando Wang Hao foi cercado por um grupo de espetadores nas imediações do recinto. O treinador registou a situação com o telemóvel e recorreu às autoridades.
A contestação a Wang Hao
A indignação dos adeptos estava relacionada com as opções técnicas da seleção chinesa e com os resultados recentes da equipa.
Durante o incidente, ouviram-se gritos a exigir que Lin Shidong fosse utilizado como primeiro jogador nos encontros coletivos, bem como palavras dirigidas ao próprio selecionador.
A contestação surgiu depois da derrota da China frente ao Japão na final masculina por equipas dos Jogos Asiáticos. O resultado alimentou críticas à gestão da seleção e à distribuição das responsabilidades entre os jogadores.
Mas o debate sobre as decisões de Wang Hao acabou por dar lugar a um confronto presencial. Foi essa passagem da crítica a insultos em grupo que motivou a intervenção policial.
A mulher do treinador também reagiu publicamente ao episódio. Numa publicação nas redes sociais, escreveu: «Não compreendo como é que o desporto de competição se tornou assim.»
A federação quer impor limites
A Associação Chinesa de Ténis de Mesa já tinha condenado os comportamentos de adeptos que considera excessivos e anunciado que pretende promover a criação de uma lista de pessoas impedidas de entrar em recintos desportivos.
O organismo denunciou situações de insultos, ataques pessoais, divulgação de informações falsas e assédio por meio das redes sociais e do telemóvel. A federação afirmou igualmente que tem apoiado atletas e treinadores na apresentação de queixas às autoridades.
A resposta pretende travar comportamentos que, segundo o organismo, prejudicam o trabalho e a vida pessoal dos elementos da seleção.
A aplicação de uma lista de exclusão será um passo adicional, mas a sua eficácia dependerá das regras concretas e de como forem aplicadas.
Onde termina a crítica?
O caso coloca uma questão que não se limita ao ténis de mesa chinês: até onde podem ir os adeptos quando um treinador é contestado?
As escolhas de uma equipa são discutíveis. Uma derrota pode justificar críticas duras e uma decisão técnica pode ser questionada publicamente. Nada disso elimina, porém, os limites impostos pelo respeito pelos outros e pela lei.
A intervenção policial mostra que as autoridades chinesas decidiram tratar o episódio para além de uma simples discussão entre adeptos e treinador.
Três pessoas foram detidas administrativamente, outras 17 receberam advertências e a federação promete novas medidas. O caso deixa, assim, de ser apenas uma polémica sobre a seleção chinesa e passa a integrar uma discussão mais ampla sobre a relação entre o desporto de alto rendimento e os comportamentos de alguns grupos de adeptos.
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