João Almeida fecha a Vuelta no pior resultado da carreira em Grandes Voltas
🖋️ António Vieira Pacheco · 📅 13 de setembro 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️ 3 min · 🌱EMM
João Almeida vive uma temporada de 2026 muito longe do nível a que o ciclismo português se habituou.
A
época ainda não terminou e o ciclista da UAE Team Emirates-XRG terá
oportunidades para mudar o rumo dos próximos meses, mas a Volta a Espanha
terminou este domingo com um resultado particularmente duro: 91.º
classificado, a 3:30,16 horas do vencedor, o espanhol Enric Mas, da
Movistar.
Foi o
pior resultado de João Almeida numa Grande Volta entre as provas de três
semanas que conseguiu terminar.
E esse
dado, por si só, diz muito sobre uma Vuelta que nunca chegou a correr como o
português desejava.
Um
terceiro lugar como único sinal de esperança?
Nas 21
etapas da Volta a Espanha, o melhor resultado de João Almeida foi o terceiro
lugar no contrarrelógio individual de 32,1 quilómetros.
Foi,
de resto, nesse dia que o português voltou a mostrar uma parte do corredor que
todos conhecem.
Mas
foi apenas um momento numa corrida em que Almeida esteve longe de repetir
o que havia conseguido um ano antes.
Em
2025, recorde-se, o corredor de A dos Francos terminou a Vuelta no segundo
lugar, após protagonizar um duelo de enorme intensidade com Jonas
Vingegaard.
Um ano
depois, a realidade foi completamente diferente.
Almeida
chegou à corrida espanhola após meses complicados e acabou por confirmar, ao
longo da competição, que não estava nas melhores condições.
A
situação agravou-se após a desistência de Tadej Pogačar na oitava etapa. Sem o esloveno, a UAE Team Emirates-XRG perdeu a sua principal referência para a classificação geral e passou a procurar, nas fugas, a possibilidade de conquistar vitórias de etapa.
Não
conseguiu.
O 91.º lugar que entra para a história
A
participação na Vuelta foi a 11.ª presença de Almeida numa Grande
Volta e a quinta na corrida espanhola.
E o
91.º lugar passa diretamente para o registo menos positivo da sua carreira
neste tipo de competição.
Até
agora, sempre que terminou uma Grande Volta, Almeida havia ficado entre os dez
primeiros.
O seu
anterior pior resultado tinha sido o nono lugar na Volta a Espanha de
2023.
Os
restantes resultados ajudam a perceber a dimensão da queda: foi sexto no Giro
de Itália de 2021 e quarto no Giro de 2020, na Vuelta de 2022 e no Tour de
France de 2024.
No
pódio, o português esteve em duas ocasiões: terceiro no Giro de 2023 e
segundo na Vuelta de 2025.
Há,
por isso, uma distância considerável entre o João Almeida que lutou pelo pódio
há apenas um ano e o corredor que terminou agora a Vuelta no 91.º lugar.
A UAE na fuga, mas o êxito não surgiu
Com
Pogačar fora da corrida e Almeida sem a condição física ideal, a UAE Team
Emirates-XRG passou a apostar sobretudo nas fugas.
João
Almeida tentou.
Ivo
Oliveira tentou ainda mais.
Kevin
Vermaerke foi outro dos corredores da equipa que esteve repetidamente na luta
por uma vitória de etapa, chegando a ser um dos mais insistentes na procura
desse objetivo.
Domen
Novak também tentou.
Nenhum
conseguiu.
Entre
os quatro resistentes da equipa na classificação geral, Kevin Vermaerke
foi o melhor, em 29.º lugar, à frente de João Almeida, 91.º, Ivo Oliveira,
99.º, e Domen Novak, 140.º.
Para
uma equipa habituada a lutar por vitórias e por classificações gerais, foi uma
Vuelta particularmente difícil.
E para
João Almeida, sobretudo, fica uma pergunta inevitável: o que aconteceu
ao corredor que, há apenas um ano, terminou esta mesma corrida no segundo
lugar?
A
resposta poderá começar a aparecer nas próximas semanas.
O
calendário ainda oferece duas oportunidades importantes.
Primeiro,
os Mundiais de Montréal, no Canadá, ainda este mês.
Depois,
os Europeus, na Eslovénia, em outubro.
Agora,
João Almeida muda o foco.
E Portugal continuará a esperar pelo momento em que o seu melhor corredor volte a encontrar o caminho da vitória.
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