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Ciclismo português: porque é tão difícil conseguir uma entrevista?
🖋️ António Vieira Pacheco · 📅8 de setembro 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️3 min · 🌱EMM
Há coisas que, no desporto e
na comunicação, são difíceis de compreender.
Uma delas é esta: enviar
um pedido de entrevista e não receber nenhuma resposta.
Não falamos em exigir acesso
privilegiado.
Nem falamos em obrigar um
atleta, uma equipa ou um dirigente da federação a aceitar uma entrevista.
Falamos simplesmente em estabelecer contacto.
E, quando esse contacto é
feito e o silêncio permanece, fica uma pergunta inevitável:
Porquê?
O EMM é um projeto
independente!
O EMM não é um órgão de
comunicação social tradicional.
Não tem uma redação com
dezenas de jornalistas, nem uma televisão por trás, nem uma grande
estrutura empresarial.
É um projeto independente
dedicado às modalidades, criado para dar espaço ao ciclismo e a outras que nem sempre conseguem chegar aos grandes meios.
E talvez seja precisamente por
isso que o contacto com atletas, equipas e estruturas seja tão importante.
Queremos ouvir.
Pretendemos perguntar.
Queremos conhecer melhor os
protagonistas.
Queremos contar histórias que
interessem a quem acompanha as modalidades.
Mas, para isso, é necessário
haver uma porta de entrada.
Ninguém é obrigado a aceitar
Convém deixar uma coisa
absolutamente clara.
Ninguém é obrigado a conceder uma
entrevista ao EMM.
Um ciclista pode não querer
falar.
Uma equipa pode estar indisponível para responder.
Uma federação pode entender
que determinado pedido não se enquadra na estratégia de comunicação.
Tudo isso é legítimo.
Um simples “não” resolve a
questão.
O problema começa quando nem
sequer há resposta.
Porque quem está do outro
lado fica sem saber se o pedido chegou, se foi lido, se ficou esquecido ou
se simplesmente não merece resposta.
Será que só interessa a quem já tem visibilidade?
Esta é talvez a questão mais
incómoda.
No desporto atual, a dimensão
de uma plataforma tornou-se, muitas vezes, um fator importante para decidir quem
merece atenção.
Os grandes meios conseguem
facilmente chegar aos protagonistas.
Os projetos mais pequenos têm
de bater à porta.
E muitas vezes batem várias
vezes.
Mas há um perigo nesta lógica.
Se só damos voz a quem já tem
visibilidade, como descobrimos quem ainda não a tem?
Um jovem ciclista não precisa surgir apenas quando ganha.
Uma equipa pequena não deve
ser notícia apenas quando conquista um grande resultado.
Mas uma modalidade não cresce apenas à custa das grandes figuras.
O ciclismo nacional precisa de mais espaço
João Almeida trouxe uma atenção sem precedentes ao ciclismo português.
Isso é excelente.
Mas o crescimento de uma
modalidade não pode depender eternamente de um único nome.
Há outros ciclistas.
Existem jovens.
Há equipas.
Existem treinadores.
Há dirigentes.
Existem histórias.
Há dificuldades.
Existem projetos.
Há pessoas que merecem ser
conhecidas.
E é para essas
histórias que existem projetos independentes, como o EMM.
Não queremos substituir
ninguém.
Não queremos ocupar o lugar de
ninguém.
Queremos acrescentar.
Uma resposta já seria importante
Talvez esta seja a parte mais
simples de toda esta questão.
Se a resposta for “sim”,
excelente.
Se for “não”, fica
esclarecido.
Se for “agora não é possível”,
compreende-se.
Se for “envie o pedido para
outro contacto”, segue-se esse caminho.
O que deixa um projeto
independente numa posição estranha é enviar uma solicitação e não receber
absolutamente nada.
Porque, nesse caso, não há sequer possibilidade de continuar a conversa.
O silêncio fecha portas
E talvez seja precisamente aqui que esteja o ponto principal.
O EMM continuará a procurar
informação.
Continuará a contactar
protagonistas.
Continuará a tentar criar
conteúdos próprios.
Mas há uma pergunta que não pode ser evitada: pretendem as estruturas do ciclismo português aproximar-se de todos os que trabalham para divulgar e fazer crescer a modalidade?
Não apenas dos grandes
jornais.
Não apenas da televisão.
Não apenas das plataformas com
milhões de visualizações.
Também dos projetos pequenos.
Também de quem está a começar.
Também de quem trabalha
sozinho.
Porque a dimensão de um
projeto não determina necessariamente a paixão de quem está por trás dele.
Uma questão de respeito
No fundo, não se pede
tratamento especial.
Pede-se apenas consideração.
Uma resposta não significa
aceitar uma entrevista.
Uma resposta significa apenas
reconhecer que alguém tentou estabelecer contacto.
E isso deveria ser suficiente.
O EMM continuará a fazer o seu caminho, sem deixar de dar voz ao ciclismo português.
Sem grandes estruturas.
Sem grandes recursos.
Mas com a vontade intacta de
continuar a divulgar, a procurar histórias e a dar espaço aos protagonistas que
ajudam a construir o ciclismo.
E fica uma pergunta para quem
tem responsabilidades na comunicação do ciclismo português:
Quando um projeto independente
procura uma entrevista, será tão difícil dar, pelo menos, uma resposta?
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